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[CRÍTICA] Nasce uma Estrela – Quando a ficção encontra a realidade!

Por Gus Fiaux

Chegando aos cinemas nesta quinta-feira, Nasce uma Estrela é um drama musical, estrelado por Lady Gaga e por Bradley Cooper – que também atua como produtor. Remake de uma história clássica, já contada três vezes anteriormente nos cinemas, o longa cria uma nova atmosfera – e você poderá saber mais em nossa crítica!

Créditos: Warner Bros.

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Ficha Técnica

Título: Nasce uma Estrela (A Star is Born)

Ano: 2018

Data de lançamento: 11 de outubro (Brasil)

Direção: Bradley Cooper

Classificação: 16 anos

Duração: 136 minutos

Sinopse: Um músico ajuda uma jovem cantora a encontrar fama, mesmo quando o alcoolismo o empurra na espiral do fracasso.

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São poucos os momentos em que temos a certeza inalienável que um ator ou atriz nasceu para interpretar um dado papel, conseguindo captar todos os trejeitos, manias e nuances de seu personagem. Dito isso, Lady Gaga mantém o legado de Judy Garland e Barbra Streisand vivo, protagonizando o mais novo remake de Nasce uma Estrela.

Aqui, a cantora interpreta Ally, uma jovem que sonha alto, mesmo com os dois pés na realidade. Sua vida muda no momento em que ela conhece Jackson Maine (Bradley Cooper), um músico que logo se apaixona por ela. Juntos, eles precisam lidar com a ascensão da fama e a vilania do alcoolismo, enquanto seu relacionamento é transformado.

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Se você já assistiu a alguma das três versões anteriores de Nasce uma Estrela, é preciso dizer que a história não sofre grandes alterações quanto à sua estrutura - então, tudo está lá, desde a premissa aos momentos mais emocionantes do final. Contudo, a forma em que essa história é apresentada mudou, certamente se encaixando muito bem na contemporaneidade.

Mas, é claro, o maior destaque sem dúvida recai sobre as atuações. Lady Gaga, como bem dizemos, nasceu para o papel. E é inclusive interessante perceber que os dramas de Ally (sua personagem) muitas vezes tangenciam sua história na vida real, principalmente no que diz respeito à relação com sua gravadora.

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Não menos fascinante está Bradley Cooper. Em termos de atuação, o astro sabe passar toda a imagem de um rockstar decadente, e convence muito em seu sotaque sulista e seus maneirismos. Mais do que isso, ele sabe interpretar um alcoólatra de uma forma muito real, desprovida de exageros e caricaturas. O mesmo pode ser dito sobre sua performance musical.

Mas esse não é o único foco de destaque de Cooper. Vale lembrar que o filme marca sua estreia na cadeira de diretor, o que denota um feito altamente impressionante. Em Nasce uma Estrela, Cooper se consagra com uma visão e um senso estético e narrativo únicos. Particularmente, eu não duvidaria se ele fosse indicado para Melhor Diretor no Oscar deste ano.

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No entanto, há alguns problemas em decorrência da história. O primeiro deles está nos personagens coadjuvantes. Sam Elliott, Dave Chappelle e Andrew Dice Clay estão excelentes em seus papéis, e disso não há dúvidas. Contudo, eles são muito mal-conduzidos na história, entrando e saindo sem grande alarde, quase como se fossem peças descartáveis.

Isso é um problema de natureza da montagem, que às vezes parece um pouco desconexa. Há muitos cortes secos e transições confusas, o que deixa a trama um pouco arrastada demais em alguns momentos ou veloz demais em outros. O terceiro ato, por exemplo, acaba sendo menos impactante devido a uma montagem mais "contida".

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Mas nada disso nos impede de apreciar o drama e a delicadeza da obra. E se a montagem pode ser um problema nesse sentido, vale lembrar que outros aspectos técnicos são bem mais elaborados, como por exemplo a fotografia, que consegue desenvolver sua própria personalidade com movimentos de câmera bem ágeis e, ainda assim, perfeccionistas.

O som também é algo a se aplaudir, desde os momentos mais intimistas onde estamos diante apenas do casal protagonista quanto às grandes cenas de shows, onde a multidão se faz sentir presente mesmo quando as guitarras e as vozes se sobressaem. Aliás, a própria sonoridade das músicas trabalhadas ao vivo é muito bem elaborada.

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E, falando em música, é preciso dizer que, diferente do que muitos pensam, Nasce uma Estrela não funciona exatamente como um musical. Se você é fã de grandes sequências coreografadas, ou espera que as músicas comecem a ser performadas do nada, talvez esse não seja o longa para você. Em vez disso, ele funciona muito mais como um filme sobre música.

Dentro da trilha sonora, há músicas muito boas, mas que não são inteiramente aproveitadas no longa. Com exceção de dois ou três números específicos, ouvimos apenas trechos das canções. E falando nelas, o grande destaque do longa de fato vai para a música tema, "Shallow" - embora a canção "I'll Never Love Again" também seja belíssima e emocionante.

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De modo geral, é seguro dizer que essa versão é a mais diferente de Nasce uma Estrela, do ponto de vista estético e formal. A pegada mais country dos dois primeiros atos remete um pouco ao drama belga Alabama Monroe, enquanto consegue cravar sua própria identidade, estabelecendo um filme com tanta personalidade quanto seus astros.

É também uma produção quase metalinguística, fazendo a ficção tocar na realidade, conforme detalha toda a jornada pessoal de Lady Gaga no mundo da música - e é um prenúncio para a ascensão de duas estrelas: tanto Gaga nas telas de cinema quanto Cooper por trás das câmeras, em mais cargos diretoriais.

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Mesmo com problemas de ritmo e montagem - uma enxugada de quinze minutos da duração total seria uma excelente pedida -, o filme se estabelece como um dos mais fortes do ano - e certamente terá uma participação valiosa na temporada de premiações, tanto em prêmios menores quanto às grandes categorias de atuação e direção.

Embora não seja o musical clássico no sentido da palavra, Nasce uma Estrela consegue servir como a alegoria perfeita para a ascensão meteórica de alguns artistas no meio fonográfico - além de trazer um retrato interessante, ainda que não muito inédito, sobre o comprometimento da originalidade com os interesses comerciais de uma gravadora.

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Assim sendo, o mais recente remake de Nasce uma Estrela é uma jornada emocionante. A estreia diretorial de Bradley Cooper prova que o galã tem um potencial vasto por trás das câmeras - e ele com certeza vai abrir ainda muito espaço dentro da indústria.

No entanto, quem brilha totalmente sob a luz do holofote é Lady Gaga - parcialmente porque o filme consegue, de certa forma, contar muito de sua própria trajetória como cantora. Na união dos dois, temos um romance intenso, uma trilha sonora arrepiante e, é claro, um bom drama como todos nós gostamos.

NOTA: 4/5

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux