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[CRÍTICA] Mogli: Entre Dois Mundos – Uma Selva Estranha!

Por Lucas Rafael

A Netflix lançou uma nova adaptação do Livro da Selva, obra de Rudyard Kipling que já foi adaptada exaustivamente, inclusive recentemente pela Disney em forma de live-action.

Será que a nova versão, dirigida por Andy Serkis, justifica sua existência em mais uma narrativa focada no Menino Lobo Mogli e os animais antropomórficos da selva indiana? Leia para descobrir!

Créditos: Netflix/Warner

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Ficha Técnica

Título: Mogli - Entre Dois Mundos (Mowgli: Legend of The Jungle)

Ano: 2018

Data de lançamento: 7 de dezembro

Direção: Andy Serkis

Duração: 1h 44m

Sinopse: Mogli, um menino, é criado por uma alcateia de lobos na selva da Índia. Conforme cresce, ele se vê dividido entre sua criação selvagem e sua natureza humana. Não bastasse isso, ele precisa lidar com o imponente tigre Shere Khan, que deseja sua morte a qualquer custo.

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Você já conhece esta história

A história de Mogli é qualquer coisa, menos inédita. Todos conhecemos o básico sobre o Menino Lobo, o Urso Baloo e a Pantera Bagheera, graças às adaptações da Disney, seja a clássica nos moldes de um desenho animado ou a mais recente, lançada em 2016.

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Eis que temos uma nova iteração audiovisual para a narrativa do autor Rudyard Kipling, desta vez assinada por Andy Serkis, nome conhecido e celebrado por seu trabalho na área de captação de movimentos em filmes como Senhor dos Anéis, Planeta dos Macacos e King Kong.

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Esta nova história de Mogli soa bem no papel: uma proposta um pouco mais sombria que busca encarar com maior responsabilidade o material fonte de Kipling e seu conteúdo subversivo, completamente evitado pelas adaptações da Disney em busca de uma narrativa voltada ao público infantil.

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A execução no entanto, deixa a desejar. O filme tem uma dificuldade em navegar entre os contos de Kipling com organicidade, lidando com personagens cativantes desta mitologia, como a cobra Kaa ou o lobo Akela, de maneira apressada, sem lá muita profundidade, tornando a narrativa algo insosso e sem muito impacto.

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O grande problema que assola Mogli - Entre Dois Mundos, no entanto, talvez sejam seus efeitos visuais, dos quais o filme é fortemente dependente. Os animais do longa não convencem, lembrando em alguns momentos criaturas saídas de um trailer de videogame.

O contraste entre os bichos e Mogli causa uma forte sensação de estranheza ao espectador, e parte disso talvez seja devido ao fato de já termos assistido ao filme da Disney, que com seu orçamento monumental conseguiu polir muito mais a selva de Mogli e seus habitantes.

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Não que a história não possua lá sua dose de acertos. Existem alguns momentos emocionais que funcionam aqui, em particular aquele envolvendo o lobinho albino Booth. No entanto, no apanhado geral, a trama não consegue trazer nada de novo para justificar uma nova adaptação do Livro da Selva.

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As atuações flutuam entre primorosas (como a de Christian Bale como Bagheera) e extremamente afetadas (Benedict Cumberbatch como Shere Khan), com nem mesmo o elenco de vozes excepcional conseguindo salvar o projeto de Serkis.

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A história tenta adaptar o tom mais sombrio presente nos contos de Kipling, com resultados mistos. Em certos momentos, o tigre Shere Kahn intimida com sucesso, enquanto a adição de um segundo vilão como o Caçador, no entanto, fica um pouco deslocada.

Por fim, o mais estranho é o fato de Mogli - Entre Dois Mundos jamais conseguir algo que justifique estarmos absorvendo esta história mais uma vez. Sua selva repleta de animais visualmente desconcertantes não ajuda o filme a transcender o legado de seus antepassados, sendo algo apenas esquecível. Uma pena, já que Andy Serkis certamente parece bem intencionado na realização do filme. Quem sabe na próxima.

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Nota

Mogli - Entre Dois Mundos apresenta uma selva estranha, com uma narrativa sem sal que vez ou outra consegue atingir um acorde emocional pungente. No mais, o que sobra são animais visualmente estranhos em uma selva monótona que já conseguiu tinir com mais vida em adaptações passadas.

Nota: 2,5 patas de 5.

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Lucas Rafael

Redator. Entusiasta de coisas demais