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[CRÍTICA] Mentes Sombrias – Caminhos do coração!

Por Felipe Vinha

É certo que a conversão de livros adolescentes – e até de publicações mais antigas – continue como uma tendência de sucesso em Hollywood. Sempre em busca do próximo “O Senhor dos Anéis” ou “Harry Potter”, os estúdios compram direitos destes produtos que são, basicamente, roteiros já prontos, e traduzem para as telonas, com um elenco de atores e atrizes bonitos ou geralmente novos.

É o que ocorre com Mentes Sombrias, adaptação do romance distópico que é vendido como “a história que inspirou os produtores de Stranger Things”.

Ousado? Bastante. Mas confesso que vi mais semelhanças com a já clássica novela Caminhos do Coração. Lembra?

Leia a crítica e saiba mais.

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Ficha Técnica

Título: Mentes Sombrias

Ano: 2018

Lançamento: 16 de agosto de 2018 (Brasil)

Direção: Jennifer Yuh Nelson

Duração: 1h44min

Sinopse: Aprisionados em um mundo dominado por adultos que teme qualquer pessoa com menos de 18 anos, um grupo de adolescentes formam a resistência para lutar e reclamar o controle de seu futuro.

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Vamos entender Mentes Sombrias, além do que já sabemos, que é o fato de o filme ser baseado em um romance do tipo “jovem adulto”.

A trama, de fato, surge um clima de “futuro distópico mas quase igual ao nosso”, similar a outras obras no mesmo estilo, lançadas nos últimos anos – a exemplo de Jogos Vorazes, que falaremos mais a respeito, adiante.

Nesse mundo, o que temos é o cenário mundial de que crianças contraíram uma misteriosa doença, que as transformou por completo. Após o acontecimento, elas adquiriram poderes, como os mutantes de X-Men, capazes de moldar mentes, destruir paredes, soltar fogo pelas bocas.

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Assim, cada criança foi categorizada de uma forma. As Verdes são quase inofensivas, pois seu poder é apenas a inteligência elevada. Amarelas podem lidar com a eletricidade, enquanto Azuis possuem telecinese e são um pouco mais perigosas.

Há ainda as mais raras: Laranjas, capazes de ler mentes e modificar a cabeça de uma pessoa por completo, inclusive controlar suas ações. E, por fim, as Vermelhas, que soltam fogo pela boca e destróem o que veem pela frente.

É nesse cenário que conhecemo Ruby, uma jovenzinha muito da simpática, mas que caiu no grupo Laranja – e a partir daí você já tem uma ideia do que vem pela frente.

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Após ser aprisionada, Ruby escapa com uma ajuda misteriosa e, em sua fuga, acaba conhecendo um grupo de crianças e adolescentes com poderes similares, mas de outras categorias – Azul, Verde e Amarelo. A partir daí está criado o grupo de sobreviventes, que você vai acompanhar ao longo de toda a trama.

Não dá para reclamar de algo do tipo, já que a obra é claramente voltada a um público mais jovem, assim como o livro, e também falaremos mais a respeito disso, adiante.

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A trama de Mentes Sombrias é bem simples. Apesar de não entrar nos méritos dos motivos pelos quais as crianças desenvolveram poderes, ela explica bem sua própria construção de mundo e deixa claro as motivações de cada um dos personagens – incluindo os vilões, por mais caricatos que sejam.

Na verdade, a construção de mundo da trama se assemelha muito a obras de zumbis, onde vemos os sobreviventes vagando, direção a um local seguro, enquanto lidam com cenários abandonados e poucos sobreviventes pelo caminho. E isso é um elogio.

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Os problemas começam quando começamos a acompanhar demais a interpretação de alguns atores do elenco. O pior de tudo é que há bons nomes por ali. A veterana Mandy Moore vive a Doutora Cate, uma das principais figuras na trama de Ruby, e faz o serviço bem. Há até mesmo a participação de Gwendoline Christie, a Brienne de Tarth de Game of Thrones, mas muito mal aproveitada – e com uma peruca terrível.

Isso não se repete com o núcleo central, porém. Amandla Stenberg faz uma Ruby incrível, e é sempre imponente em suas aparições. Apesar de ser jovem, ela não falha em nenhum momento e consegue carregar o filme, ao lado de seus parceiros de "equipe".

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Porém, todo o resto falha em Mentes Sombrias. Os efeitos especiais não são dos melhores – e, na verdade, são bem básicos, alguns até práticos, visualmente. E, além da interpretação canastrona de quase todos os adultos, a história se desenvolve para uma conclusão básica e um clímax extremamente exagerado, se levando a sério demais.

Sabemos que a obra se inspira em um livro, mas, ainda assim, a linguagem do cinema é um pouquinho diferente e precisa receber mais adaptações.

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Mas, como citei mais cedo, falemos de Jogos Vorazes: está mais do que claro que esse filme segue a tendência que não começou exatamente com a obra estrelada por Jennifer Lawrence, mas que ganhou força após sua série, incluindo aí algumas produções que vieram depois.

Talvez o maior inimigo de Mentes Sombrias seja o tempo. Lançado hoje, ele se passa como “mais um”. Dado o nível de produção, parecia que estávamos vendo um filme para a TV dentro da sala de cinema, o que nem sempre é ruim, mas especialmente desapontador quando você espera uma adaptação digna de uma obra literária – que, querendo ou não, fez sucesso entre seu público.

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Mas também não dá para negar que Mentes Sombrias encontrará seu público também nos cinemas. Ele é feito no formato adequado para pessoas mais novas – “os adultos são nossos inimigos, mas nem todos, e ainda assim não precisamos nos curvar a eles” –, sem falar que deve arrematar, pelo menos, os fãs do livro.

A diretora Jennifer Yuh Nelson até é conhecida pelas poucas obras boas que fez, como títulos da saga Kung Fu Panda e alguns episódios da antiga série animada de Spawn, e talvez isso salve um pouco do restante do filme.

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Mentes Sombrias é um filme direcionado para seu público e isso é fato! Os problemas com o elenco adulto são gritantes e ele também tem elementos de roteiro que ficaram mais fracos do que o esperado.

Contudo, deve agradar quem é mais jovem e busca a adaptação do livro que adorou ler no mês passado, por exemplo. Fica aquele gostinho de “Caminhos do Coração”, com todo o respeito, mas dá para ter algumas pequenas referências de “X-Men” aqui ou ali.

Nota: 2,5 de 5

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Felipe Vinha

Já tentei salvar o mundo de uma invasão alienígena, mas hoje me contento em ser jornalista. Gosto de quadrinhos e suas adaptações na TV ou cinema, animes, tokusatsu, games (de luta principalmente) e tecnologia. Vamos trocar uma ideia no Twitter @felipevinha