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[CRÍTICA] Homens de Preto: Internacional – Diversão alienígena!

Por Gus Fiaux

A trilogia Homens de Preto, iniciada em 1997, nos apresentou o Agente K e o Agente J, ao mesmo tempo em que nos introduziu à agente mundial que lida com invasões extra-terrestres e tenta, a todo custo, manter a existência de vida alienígena em segredo aos olhos dos civis.

E agora, finalmente estamos de volta a esse universo, com MIB: Homens de Preto – Internacional. Dessa vez, seguimos o Agente H e a Agente M enfrentando uma ameaça interna dentro da própria corporação. E aqui, você pode conferir o que achamos da nova aventura da saga!

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Ficha Técnica

Título: MIB: Homens de Preto - Internacional (Men in Black: International)

Direção: F. Gary Gray

Roteiro: Matt Holloway e Art Marcum

Ano: 2019

Data de lançamento: 13 de junho (Brasil)

Duração: 114 minutos

Sinopse: Os Homens de Preto sempre protegeram a Terra da escória do universo. Nessa nova aventura, eles enfrentram a maior ameaça que já encontraram: um infiltrado na organização.

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Homens de Preto: Internacional - Diversão alienígena!

Que Tessa Thompson e Chris Hemsworth possuem uma química espetacular, não há como negar. Quem assistiu Thor: Ragnarok sabe que a dupla sabe entregar o que lhes é proposto, principalmente no sentido cômico. E Hollywood obviamente não está perdendo a oportunidade de explorar essa dinâmica - vide MIB: Homens de Preto - Internacional.

O filme é uma continuação da franquia iniciada em 1997 e protagonizada por Will Smith e Tommy Lee Jones. Aqui, no entanto, a história segue dois novos agentes que trabalham a serviço da sede britânica da MIB, em busca de ameaças alienígenas. E é possível dizer que o melhor elemento do filme é justamente essa relação entre Hemsworth e Thompson.

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Na trama, ele interpreta o Agente H, um célebre membro da organização, que foi responsável por uma das missões mais homéricas da história da agência. Ela, no entanto, é a Agente M, uma mulher jovem que cresceu fascinada pelo grupo e fez de tudo para se juntar à organização, após uma experiência peculiar em sua infância.

Assim como na trilogia original, o longa pega elementos de filmes de buddy cop - ou seja, policiais que precisam lidar com casos juntos. No entanto, os casos aqui apresentados envolvem tecnologias futuristas e seres vindo dos mais profundos cantos do universo. A dupla é chefiada e auxiliada pelo Agente T, por sua vez interpretado por Liam Neeson.

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Assim que M se junta à organização, ela e H são designados para uma missão arriscada, que envolve a proteção de um alienígena herdeiro de uma raça gloriosa. No entanto, eles acabam sendo perseguidos pelos inimigos desse extra-terrestre, duas entidades com poderes acima de qualquer coisa que já vimos na franquia.

Antes de mais nada, é preciso deixar uma coisa bem clara: o forte do filme não é seu roteiro. Na verdade, o texto escrito por Matt Holloway e Art Marcum por vezes soa quase amador, sem inspiração e com uma trama que pode confundir mesmo o espectador mais atento. Isso pode ser um grande problema para quem espera uma história empolgante.

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Há um problema bem notório no desenvolvimento desses personagens e na construção das surpresas que permeiam a trama. O primeiro filme continha uma boa dose de comentários sociais, além de explorar seus personagens com carisma e originalidade. Aqui, no entanto, (assim como nas duas sequências do original) o espetáculo é priorizado.

Isso significa que boa parte do enredo é apenas uma justificativa para apresentar alienígenas com visuais exóticos - e quase todos são surpreendentes, devo admitir - e dispositivos tecnológicos de alta potência. Como resultado, o longa fica inchado entre as cenas de ação, e todo o trabalho de construção de personagens fica por conta do elenco.

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Isso funciona apenas até certo ponto. Enquanto Hemsworth e Thompson se saem bem devido ao seu carisma e ao bom tempo de tela, outros personagens acabam ficando mais apagados - como o Agente T, o Agente C (Rafe Spall) e a Agente O (Emma Thompson, que mais está aqui como uma participação de luxo do que como uma personagem propriamente dita).

Para piorar, o filme possui muitos personagens. Tudo bem que o foco nunca sai da dupla e de Pawny - o adorável alienígena que simula a peça do Peão no jogo de xadrez, dublado por Kumail Nanjiani -, mas quando se precisa conhecer mais da motivação e dos obstáculos de outros personagens, tudo fica muito vago e jogado no ar.

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Ainda assim, se você consegue apagar sua mente por alguns segundos para esse baita problema, o filme pode te entreter bastante - em parte porque o "internacional" não fica apenas no título. O tempo todo, temos a sensação de que a aventura atingiu uma escala global, envolvendo a organização MIB e suas sedes fora dos Estados Unidos.

O destaque, é claro, vão para as cenas de ação. Todas são bem coreografadas e trazem soluções interessantes para problemas graves, salvo o grande conflito final - que é pequeno demais e acaba da forma mais previsível o possível. Ainda assim, é interessante ver a dinâmica de luta dos Agentes H e M perto de inimigos intergalácticos.

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A direção de F. Gary Gray (conhecido mais recentemente por Velozes & Furiosos 8) não compromete, mas também não arrisca. O filme é bem vistoso e temos a impressão que, em algumas tomadas, a fotografia é realmente bem inspirada. No entanto, isso é uma exceção, já que o longa não tenta ir além do feijão-com-arroz (o que eu não vejo particularmente como algo ruim).

Agora, no que diz respeito aos efeitos visuais e ao design de produção, o longa acerta em cheio, justamente por calibrar elementos clássicos da trilogia original com uma nova roupagem, apostando em um visual mais bizarro e divertido. Sem entrar em grandes spoilers, encontramos nesse filme um alien que é uma barba. É isso mesmo que você leu.

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No fim das contas, não estamos diante de um filme impecável ou livre de falhas - pelo contrário, elas existem e são muitas. Ainda assim, não temos como nos livrar da ideia de que o longa não tem pretensões grandiosas e sabe divertir na escala certa, com piadas bem sacadas que beneficiam a dinâmica de Hemsworth e Thompson.

É justamente por isso que MIB: Internacional conquista seu lugar na franquia - até mesmo dando pistas para um futuro por vir. Esperamos apenas que, caso haja uma sequência, o roteiro seja melhor desenvolvido e polido, para dar a esses personagens uma aventura realmente digna de suas capacidades.

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Em suma, as críticas negativas em torno de MIB: Homens de Preto: Internacional parecem altamente infladas. O filme não é tão bom quanto o primeiro da franquia, nem possui uma história tão inovadora, direta e coesa - um fato observável à distância. Ainda assim, ele cumpre sua principal função: divertir.

Despretensioso (apesar de abrir as portas da franquia para possíveis sequências), o longa usa ao máximo o charme e a química incrível de Tessa Thompson e Chris Hemsworth, introduzindo novos alienígenas e várias dinâmicas para esse universo - inclusive, tirando a história dos Estados Unidos e levando-a ao mundo.

NOTA: 3/5

Créditos: Sony

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux