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[CRÍTICA] Han Solo: Uma História Star Wars – Golpe baixo!

Por Felipe Vinha

Han Solo: Uma História Star Wars é um filme que não precisava existir. Afinal, já sabemos tudo que precisamos saber sobre o personagem, seja por conta dos filmes da saga principal de George Lucas ou por seu Universo Expandido, em quadrinhos e livros. E, convenhamos – não é como se Han Solo fosse o personagem mais interessante para gerar uma história incrível.

Isto posto, o filme existe, queira você ou não. A Disney resolveu investir em uma de suas figuras mais famosas da Galáxia Star Wars para angariar algum dinheiro e ela está correta na atitude. Mas você, fã, vai curtir ou não? Leia nossa análise e D E S C U B R A.

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Ficha Técnica

Título: Han Solo: Uma História Star Wars

Ano: 2018

Lançamento: 24 de maio de 2018 (Brasil)

Direção: Ron Howard

Duração: 140 Minutos

Sinopse: Após uma série de ousadas aventuras, o jovem Han Solo encontra seu futuro copiloto, Chewbacca, e o notório jogador Lando Calrissian.

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Han Solo: Uma História Star Wars começa como qualquer filme de origem, mas sem voltar tanto. Não vemos um Han (Alden Ehrenreich) criança, mas sim já adulto, ou pelo menos jovem-adulto, cometendo seus primeiros crimes e passando a perna nas pessoas erradas.

Em uma narrativa bem acertada, o longa não perde tempo te apresentando quem, em teoria, você já conhece. Ele praticamente te fala: “Oi, esse é o Han”. “Oi, esse é o Chewbacca, agora vamos seguir a história”.

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A narrativa, porém, continua não sendo didática com outros personagens, o que prejudica um pouco sua evolução. Qi’Ra (Emilia Clarke), parceira de Han e seu principal interesse romântico da época, é unidimensional demais e você não tem tempo de se importar com ela.

O mesmo vale para todos os outros personagens, sejam eles os que fazem parte do bando de Tobias Beckett (Woody Harrelson) ou outras figuras que vão surgindo, ao longo da história. A única exceção, talvez, esteja com L3-37 (Phoebe Waller-Bridge), mais uma excelente androide para o panteão de Star Wars, engraçada e com uma personalidade incrível.

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Mas o grande inimigo de Han Solo: Uma História Star Wars não é nem um mafioso intergaláctico ou uma criatura de outro planeta, e sim, seu roteiro. Ele não é ruim, mas é raso, bastante até, para o nível da saga.

E não é culpa de ser um “spin-off”, pois Rogue One conseguiu ser bem recebido, também sendo destacado da saga principal, por apresentar um enredo que funcionava muito bem, ainda que a história fosse bem conhecida dos fãs.

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Em alguns momentos, o longa tenta compensar com um certo fan service, e até consegue. Há rimas visuais claríssimas com os filmes clássicos da saga Star Wars, bem como frases que foram replicadas e retorcidas para a nova aventura de Han Solo.

Isso sem falar, claro, nas pequenas explicações que ele se preocupa em dar, como a justificativa para o sobrenome do herói, ou como diabos um contrabandista em treinamento conseguiu ficar amigo de um Wookie de mais de dois metros de altura. Está tudo ali, apresentado de maneira bem divertida e interessante.

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A Disney acertou ao tentar vender o filme como um “Velho-Oeste do Espaço”. Saem os Jedi e a Força e entra o bangue-bangue e os golpes diversos que acontecem na história. Mesmo o Império, grande ameaça de Star Wars nessa época cronológica, é meramente mencionado ou tem participações bem pontuais.

Seguindo a cartilha de Westerns clássicos, Han Solo estabelece bem seus papeis de mocinhos e bandidos, mas também trabalha com os conceitos de que ninguém é confiável. Afinal, não há honra entre ladrões, um ditado bem respeitado pelo enredo.

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E é claro que há momentos de aquecer o coração. É verdade que o longa perde o ritmo um pouquinho, quando tenta pisar no freio para te fisgar com alguma cena emotiva, mas elas funcionam melhor como pano de fundo enquanto Han vai se transformando no cafajeste que o público aprendeu a amar.

Por mais que Han Solo tenha soado desnecessário desde seu princípio, ele chega a agradar por alguns momentos, com aquele clima descompromissado de “Sessão da Tarde”, se é que você me entende.

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Tudo isso é somado à cartilha básica de Star Wars, que em todo filme continua a apresentar bom uso de trilha sonora – e de músicas famosas da série, mas com novo arranjo –, visuais espetaculares e efeitos, claro, em altíssimo nível.

Com Han Solo não é diferente. A imersão é muito boa e o mundojá sedimentado de Star Wars faz muito bem a qualquer enredo. No fim das contas, é como ler um gibi da saga ou um livro do Universo Expandido, só que na telona – e talvez por um ingresso caro 3D.

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Antes de finalizar, um pequeno problema do filme é a falta de surpresas. Afinal, já sabemos tudo que acontece com Han Solo, até sua morte em Star Wars: O Despertar da Força. Mas, mesmo assim, o estúdio soube compensar isso, com uma surpresa bem grande ao longo de sua história. E nem tente imaginar o que é: você vai falhar em acertar. Um verdadeiro golpe baixo!

Assista e confira, pois faz valer a projeção.

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Conclusão

Han Solo: Uma História Star Wars é um gibi do Universo Expandido nas telonas e isso é bom e ruim. Por um lado, a história quase não tem surpresas e pode passar batido para quem não é tão fã. Por outro, ela faz adições bacanas ao panteão da saga.

O elenco não é tão bom assim – o Donald Glover não conta! –, por estarem em personagens unidimensionais demais, mas a situação é equilibrada com alguma quantidade moderada de fan service na narrativa.

Sim, Han Solo continua sendo um filme mais ou menos desnecessário de existir, poderia ter sido lançado em um serviço de streaming ou DVD, o que não o qualifica como ruim. É uma experiência minimamente interessante e não vai fazer ninguém passar raiva.

Nota: 3 de 5

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Felipe Vinha

Já tentei salvar o mundo de uma invasão alienígena, mas hoje me contento em ser jornalista. Gosto de quadrinhos e suas adaptações na TV ou cinema, animes, tokusatsu, games (de luta principalmente) e tecnologia. Vamos trocar uma ideia no Twitter @felipevinha