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[CRÍTICA] Fugitivos (2ª Temporada) – Uma Grande Família!

Por Gus Fiaux

Tendo feito sua elogiada estreia no ano passado, Fugitivos acaba retornar para seu segundo ano, na Hulu. Contudo, em vez de ter lançado os episódios semanalmente, como foi a primeira temporada, o serviço de streaming lançou todo o segundo ano da série no dia 21 de dezembro. 

Nós já conferimos a temporada, que apresenta novos membros da equipe e dá continuidade ao confronto com Jonah e o ORGULHO – e aqui você pode conferir a nossa crítica da segunda temporada de Fugitivos!

Créditos: Divulgação

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Fugitivos (2ª Temporada) - Uma Grande Família!

Não me arrependo em dizer que Fugitivos foi uma das melhores estreias dentre as séries de super-heróis do ano passado. Olhando à distância, reconheço que a primeira temporada teve erros um pouco mais gritantes, mas ainda assim, os fãs da HQ de Brian K. Vaughan e Adrian Alphona puderam se deliciar com uma adaptação à altura da obra.

Por sorte, o segundo ano da série consegue melhorar em diversos aspectos, fornecendo uma narrativa mais forte e um arco melhor de desenvolvimento para os seus personagens, por mais que a história seja apenas uma continuação do que já havíamos visto na primeira temporada. Agora, os Fugitivos finalmente fizeram jus ao seu nome.

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A trama começa pouco tempo após o fim da primeira temporada. Chase Stein, Nico Minoru, Gert Yorkes, Alex Wilder, Karolina Dean e Molly Hernandez agora são fugitivos oficiais, tendo sido incriminados por Jonah de um assassinato que eles não cometeram. E, para piorar, eles precisam fugir também da mira de seus pais.

No entanto, a falha de comunicação impera. Por mais que eles estejam contra o ORGULHO, eles não sabem que seus pais também estão tramando contra Jonah. E no fim, temos vários planos sendo orquestrados, mas se esvaindo pela falta de informação dentre as várias partes. E, obviamente, isso faz com que o mal caminhe solto.

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O mais interessante dessa temporada é seu ritmo e sua execução. Se o primeiro ano demorou para engatar, enrolando em alguns pontos narrativos apenas para jogar a fuga dos adolescentes para o décimo episódio, o segundo ano da série já consegue ir em um frenesi digno, alavancando sua história por entre vários arcos dramáticos.

Aliás, isso é outro mérito muito grande da temporada: os arcos individuais. A série conseguiu fazer com que cada membro da equipe tivesse sua própria personalidade e seus próprios problemas. Assim sendo, vemos Alex em uma cruzada pessoal por justiça, Gert com problemas de ansiedade e Molly tendo que se tornar adulta mais rápido - e por aí vai.

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É justamente por conta dessas subtramas individuais que a série ganhou força. Por mais que a história tome um tempo considerável para se desenvolver - e, apesar do ritmo acelerado, treze episódios de cinquenta minutos realmente são muito mais do que o necessário - há muito mais acontecendo para nos deixar à flor da pele.

Outro ponto positivo está no foco dado aos pais. Agora, as situações se inverteram, e algumas figuras que tinham mais destaque no passado passam para o banco de trás, deixando os holofotes para outros personagens. Dale e Stacey Yorkes, Janet Stein e até mesmo Robert Minoru se beneficiaram com isso, já que sua presença é bem mais importante agora.

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Outro ponto positivo está na grande ameaça. Jonah, que facilmente era o ponto mais fraco da primeira temporada, retorna com mais backstory, além de estar mais ameaçador. Embora a decisão tomada com ele para o fim da temporada não seja lá muito surpreendente, ele conseguiu se provar um bom antagonista, especialmente na primeira metade da temporada.

Aliás, é justamente essa primeira metade que se beneficia com uma estrutura mais coesa e uma história mais interessante. Até o clímax do sétimo episódio, sentimos a gravidade dos eventos e a progressão dos arcos. A segunda metade não chega a ser ruim, mas os eventos acabaram ficando um pouco desordenados e arrastados.

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Ainda assim, Fugitivos continua no seu ápice quando o assunto é desenvolver as relações entre os personagens. A produção de Stephanie Savage e Josh Schwartz faz bastante diferença nesse quesito, já que eles - com a experiência que acumularam em The O.C.: Um Estranho no Paraíso - conseguem fazer adolescentes soarem como adolescentes.

E mais do que isso, a temporada sabe valorizar as semelhanças e diferenças entre cada um desses personagens. Isso sem contar os vários momentos que vão deixar os fãs das HQs com os olhos marejados de lágrimas. Por exemplo, finalmente temos mais da relação amigável entre Molly e Chase - assim como um novo desafio para a vida de Karolina Dean.

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Outro ponto positivo que entra dentro dessa "mudança de ritmo" foram justamente as sequências de uso dos poderes e de ação. Aqui, vemos o que esperávamos desde a primeira temporada: adolescentes descobrindo suas habilidades e - por que não? - se divertindo com elas. As sequências de treinamento e de luta estão entre as mais divertidas.

Claro que nem todas soam muito boas. Por exemplo, todo o conflito do último episódio é cheio de conveniências e personagens tomando atitudes burras apenas para deixar os ganchos do futuro - e isso inclusive se mostra presente nas sequências de luta da finale. Mas, no geral, tudo funciona nos conformes, dando momentos de tirar o fôlego.

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Em termos técnicos, a série realmente não apresenta nenhuma grande diferença em relação à sua primeira temporada. Todos os diretores e roteiristas contratados seguem a mesma logística do ano anterior, dando uma cara bem grande de "série de super-herói indie", o que casa bem com a própria proposta da equipe.

Por outro lado, há melhorias significativas no que diz respeito ao uso dos efeitos visuais. O orçamento está visivelmente mais encorpado, e isso faz com que a série tenha uma liberdade bem maior na hora de apresentar os poderes e habilidades dos personagens. Duas grandes figuras beneficiadas por isso foram Karolina Dean e a adorável Alfazema.

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Além disso, devo também parabenizar a série por se manter mais fiel aos quadrinhos - ainda que algumas adaptações sejam feitas para que a série possa ser melhor traduzida para a mídia televisiva. Por exemplo, um dos fatores a se comemorar é a mudança repentina nas habilidades do Cajado do Absoluto de Nico Minoru, que o deixam quase idêntico às HQs.

O mesmo vale para a inclusão de outros personagens, como Topher e uma outra figura que deixaremos em segredo, já que ela não foi oficialmente apresentada no marketing da temporada. Para quem leu as HQs originais, verá que houve um cuidado na hora de estabelecer essas ligações - sem que ficassem piegas ou dependentes demais do conhecimento dos quadrinhos.

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Em suma, Fugitivos retornou com tudo. Assim como Manto e Adaga, arrisco a dizer que são as melhores séries do Universo Cinematográfico da Marvel da atualidade - e ainda assim, sofrem de serem muito menosprezadas pelos fãs, especialmente por não serem exibidas em canais ou serviços tão mainstream.

Mas talvez, esse seja o charme. E com sorte, a equipe ainda vai conseguir terminar seu arco de estreia com chave de ouro em um terceiro ano. Com sorte, os heróis finalmente terão um conflito digno com os Gibborim e o ORGULHO. Mas até lá, nos resta esperar e torcer para que essa grande família se mantenha unida.

NOTA: 4,5/5

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux