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[CRÍTICA] Era Uma Vez um Deadpool – Comida requentada e sem tempero!

Por Gus Fiaux

Tão elogiado quanto o primeiro longa de sua franquia, Deadpool 2 veio para apresentar uma nova leva de ideias para o futuro da saga de Wade Wilson nos cinemas. Tivemos a introdução da X-Force, de Cable e inclusive do Fanático, tornando um filme bem com a cara dos quadrinhos do anti-herói.

Agora, meses após a estreia do longa, a franquia retorna aos cinemas com Era Uma Vez um Deadpool, um filme que se propõe a ser uma versão PG-13 – ou seja, com a classificação indicativa mais branda – de Deadpool 2. E o resultado, como esperado, é decepcionante…

Créditos: Fox

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Ficha Técnica

Título: Era Uma Vez um Deadpool (Once Upon a Deadpool)

Ano: 2018

Data de lançamento: 27 de dezembro de 2018 (Brasil)

Direção: David Leitch

Classificação: Ainda não definida

Duração: 117 minutos

Sinopse: Deadpool sequestra Fred Savage e, ao melhor estilo de "A Princesa Prometida", conta para ele tudo que aconteceu em seu segundo filme solo - mas dessa vez, sem o sangue e os palavrões.

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Era Uma Vez um Deadpool - Comida requentada e sem tempero!

Algumas ideias já fedem a quilômetros de distância como caça-niqueis corporativos para arrancar mais dinheiro dos fãs de uma determinada marca ou franquia. Mas, dentro dos últimos anos, nenhuma conseguiu se provar tão descarada quanto Era Uma Vez um Deadpool.

Sabemos que o grande charme do herói nos cinemas é justamente seu caráter "politicamente incorreto", com filmes que esbanjam sangue, humor negro e palavrões. Porém, para conseguir um público ainda maior, a 20th Century Fox decidiu fazer sua versão PG-13 de Deadpool 2.

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Basicamente, a história se guia através de uma cena na qual o próprio Deadpool sequestra Fred Savage - um famoso ator que esteve em Anos Incríveis e Os Monstrinhos. No entanto, o intuito do mercenário é recriar a vibe de A Princesa Prometida.

Aqui, vemos Wade Wilson contando a Fred uma versão nova da história, sem "as partes assustadoras e cruéis", como no longa de 1987. No entanto, a diferença é que Fred está ali amarrado e contra sua própria vontade, enquanto o anti-herói parece não se importar.

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Esse tipo de humor non-sense casa perfeitamente com o personagem, e como resultado, temos o melhor aqui desta nova versão. As cenas entre o Deadpool e Fred Savage são brilhantes, cada uma delas arrancando risos com piadas referenciais bem inteligentes.

O problema, no entanto, é que isso é obviamente apenas um novo rótulo para um produto antigo. Se as sequências com Savage são recorrentes no início, no meio e no fim elas somem para dar lugar a uma versão - por falta de um termo melhor - "sem sal" de Deadpool 2.

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Contudo, ainda falando um pouco sobre essa nova "roupagem", preciso deixar claro que o filme não chega a ser ruim ou ofensivo. Mas fica nítida a medida desesperada de tentar angariar mais lucro, pelo menos, preparar o terreno para a eventual inclusão do herói no Universo Cinematográfico da Marvel.

Nesse sentido, o marketing em cima dessa nova versão é, no mínimo, enganoso. Para quem vê o pôster e pensa que se trata de um filme novo, fica a grande decepção. E para quem acha que tem qualquer coisa relacionada a conteúdo natalino, fica uma decepção maior ainda, já que não há.

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Agora, falando um pouco em si sobre a nova versão de Deadpool 2 - que é o que toma conta de todo o longa, temos aqui - como o título dessa crítica sugere -, um prato de comida requentada e sem tempero. É como assistir a uma versão censurada pela TV aberta.

O filme perde todo o seu charme, e para piorar, muitas de suas melhores cenas são removidas sem motivo aparente - como, por exemplo, a incrível abertura ao som de "Ashes" da Céline Dion, que simula a abertura de qualquer aventura de James Bond.

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Verdade seja dita: Deadpool sem sangue não é Deadpool, e isso faz ainda mais falta no longa do que os palavrões ou as piadas pesadas. A verdade é que o filme tenta ser o mais higiênico possível e acaba ficando careta, quase como X-Men Origens: Wolverine com a ausência de sangue nas garras do mutante.

Por outro lado, um grande incômodo se dá em algumas cenas onde podemos ver a nítida redublagem por parte dos atores originais, para esconder e excluir qualquer palavrão - e olha que, dada às devidas proporções, o filme continua cheio deles.

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Juntando tudo isso, o que pesa aqui é justamente a falta da necessidade e o senso de ganância óbvia. Caso não soubéssemos da existência de Deadpool 2 e seu papel na franquia, Era Uma Vez um Deadpool até poderia se passar por um filme aceitável.

O problema é que sabemos que Deadpool 2 existe. E só isso torna a existência dessa nova versão injustificável - especialmente como um grande lançamento global nos cinemas. Se fosse apenas uma versão estendida fornecida em um Blu-Ray, seria bem mais válido.

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Ainda assim, vale mencionar um momento muito especial - que não conta muito bem como mérito para o filme, já que sequer faz parte dele. Ao fim, após os créditos - e as cenas pós-créditos -, nós temos um tributo muito tocante a Stan Lee.

É um vídeo curto, que remete à participação do autor no primeiro teaser do segundo filme. E por mais breve que seja, é um vídeo que nos coloca lágrimas nos olhos. Dentro de toda a experiência cinematográfica de Era Uma Vez um Deadpool, essa foi a melhor parte.

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Em suma, Era Uma Vez um Deadpool apela para conseguir lucrar mais. E embora isso até case com a proposta do Mercenário Tagarela, fica bem nítido que a voz do estúdio está falando mais alto ao fundo. No fim das contas, é apenas um caça-níquel barato.

As cenas com Fred Savage são até boas, mas muito mal-utilizadas ao longo do longa. E, por outro lado, a versão reeditada de Deadpool 2 peca por não trazer nada que tornou o anti-herói tão memorável nos cinemas. É como aguar um suco, apenas para "render mais".

NOTA: 1/5

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux