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[CRÍTICA] Dumbo – O maior espetáculo da Terra!

Por Gus Fiaux

Tendo chegado aos cinemas nessa quinta-feira, Dumbo é a mais nova empreitada live-action da Walt Disney, servindo de remake para o clássico de 1941. Com Tim Burton na direção e um elenco recheado de estrelas, será que o filme consegue se manter a nível de seu predecessor?

Créditos: Disney

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Ficha Técnica

Título: Dumbo

Ano: 2019

Data de lançamento: 28 de março (Brasil)

Direção: Tim Burton

Duração: 112 minutos

Sinopse: Um jovem elefante, cujas orelhas gigantes lhe dão a capacidade de voar, ajuda a salvar um circo em um período difícil. Mas quando a trupe planeja um novo espetáculo, Dumbo e seus amigos descobrem os segredos sombrios por trás de um parque brilhante.

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Dumbo - O maior espetáculo da Terra!

Verdade seja dita, por mais que seja adorado pelo público, Dumbo está bem longe de ser um dos maiores clássicos da história da Walt Disney Animation Studios. O filme foi produzido logo após o fracasso comercial de Fantasia, e sofreu diversos problemas em sua produção, incluindo uma greve dos animadores que perdurou várias semanas.

Entretanto, o estúdio acabou saindo vitorioso apesar das adversidades. Mesmo no ápice da Segunda Guerra Mundial, a animação - que não tinha metade do brilhantismo técnico das suas antecessoras - conseguiu ser um grande sucesso nas bilheterias. E agora, quase setenta anos depois, temos um novo Dumbo - e dessa vez, em live-action.

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Já de início, o filme supre as expectativas. Se você espera um longa que supere a animação original em termos de visual e narrativa, veio ao lugar certo. Mais do que apenas replicar a história quadro-a-quadro da animação, Dumbo se junta a Malévola como um dos remakes mais originais e ousados do estúdio.

A história principal segue de perto o estabelecido na animação. Um bebê elefante nasce em meio ao caos do circo, mas logo é humilhado por conta de particularidades incomuns: orelhas gigantescas, que permitem com que o fofo animalzinho consiga voar. Assim, ele precisa criar sua identidade e se libertar dos maus-tratos no picadeiro.

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Entretanto, o Dumbo de Tim Burton adiciona muito mais à trama. Em vez de ver animais falando e se portando como seres humanos, esse elemento foi descartado. Por outro lado, temos vários núcleos humanos, a começar por Holt Farrier, um veterano de guerra, e seus dois filhos, Milly e Joe, duas crianças cheias de imaginação, mas marcadas por uma perda trágica.

No centro do circo, temos Max Medici, um homem cuja ganância geralmente entra na frente de seu grande coração. E tudo só piora com a chegada do Sr. Vandevere, um empresário que está disposto a tudo para colocar as mãos no elefantinho e torná-lo a atração mais rentável de seu glorioso parque de diversões.

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No elenco, temos altos e baixos. Colin Farrell (Holt) se sai bem como um homem que esteve longe de casa e agora precisa se acostumar novamente em ser um pai. Danny DeVito (Medici) e Michael Keaton (Vandevere) estão em papéis extremamente caricatos, mas que condizem com as críticas tecidas aos seus personagens.

Eva Green também rouba a cena em cada momento que aparece, interpretando a enigmática trapezista Colette Marchant. Infelizmente, o elo fraco está em Nico Parker, que interpreta a filha mais velha de Holt. A menina parece estar entediada, e não consegue esboçar o menor sinal de emoção, seja nas cenas dramáticas ou cômicas.

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Quanto ao pequeno Dumbo, a computação gráfica é praticamente infalível. Mesmo sem nenhuma fala, ele consegue demonstrar muita emoção através do olhar, de seu andar desengonçado e até mesmo em seus voos estonteantes. Nas cenas em que o animalzinho está triste, nós também ficamos tristes, graças ao realismo de sua presença.

Aliás, o filme faz um trabalho excelente em subverter algumas cenas da animação clássica. O destaque vai para a sequência dos "elefantes cor-de-rosa". Se, na animação, ela acontece porque Dumbo estava embriagado, no filme o motivo é diferente - e inclusive, há uma cena em que Max Medici recusa a ideia de dar bebida alcoólica ao animal.

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Porém, a presença humana acaba comprometendo alguns momentos do roteiro. Muitas vezes, Dumbo parece coadjuvante em sua própria história. Se o filme se chamasse "Circo dos Irmãos Medici", isso não seria tão sentido. Por outro lado, esses elementos preenchem as lacunas narrativas e criam uma atmosfera circense e lúdica, exatamente como deveria ser.

Infelizmente, esse não é o único problema do roteiro. Os diálogos são forçados e quase robotizados, repetindo o que já havia sido mostrado em cena. Por exemplo, em uma cena em que a Mamãe Jumbo pega água para dar banho em Dumbo, podemos ouvir alguém dizendo: "Ele vai tomar banho!" Isso se repete muitas vezes, de forma irritante.

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Entretanto, no que diz respeito à direção de Tim Burton, só posso aplaudir. É muito recompensador ver um diretor com tanto talento investido emocionalmente em uma obra, de uma forma que não víamos há anos. Arrisco a dizer que é a melhor direção do cineasta desde Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet.

Visualmente, o longa é impecável. A direção de arte e os figurinos são impressionantes, criando uma ambientação belíssima. Além disso, a fotografia também tem cenas de tirar o fôlego, que conseguem capturar a magia do circo, mesmo quando o que se está vendo em tela não é tão deslumbrante assim.

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Por essas questões, Dumbo sai com um saldo positivo. Tem um roteiro fraco e poderia ter vinte minutos a menos, mas compensa pelo visual e pela emoção transmitida. A cena que acontece ao som de "Baby Mine" certamente vai tirar lágrimas dos fãs mais apaixonados da animação. Além disso, a resolução é bem mais recompensadora que a do longa original.

Curiosamente, vale atentar para um fato que está sendo bem divulgado na imprensa: é curioso, ou no mínimo contraditório, que o grande vilão do filme seja, na verdade, um empresário disposto a comprar várias companhias para obter lucros exorbitantes. Mais irônico ainda é ele ter o "parque de diversões do futuro", chamado Dreamland.

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Com a direção inspirada de Tim Burton - a primeira em anos -, um visual magnífico e um grande senso de magia e diversão, Dumbo se prova como um dos melhores remakes em live-action da Walt Disney, principalmente por saber expandir a narrativa do longa original, criando uma história única.

Por mais que o roteiro não saiba desenvolver muito bem seus personagens - e mesmo com algumas escalações questionáveis no elenco, Dumbo pode até não estar sendo muito bem-recebido pela crítica atualmente, mas quando a poeira dessa nova leva live-action da Disney baixar, o filme tem grandes chances de ser lembrado como um dos mais memoráveis da época.

NOTA: 3,5/5

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux