Capa da Publicação

[CRÍTICA] Digimon Adventure Tri – Será que só a nostalgia basta?

Por Mike Sant'Anna

Digimon Adventure Tri finalmente chegou ao fim. Essa história, que se passou 6 anos após o término da história do primeiro anime de Digimon, trazendo o primeiro grupo de digiescolhidos, passou por 6 OVA’s ao longo de dois anos e meio. Será que vale a pena?

Imagem de capa do item

3 de Julho do ano 2000, 18 anos atrás, eu era um pré-adolescente de 12 para 13 anos quando eu vi, pela primeira vez nas telas da Rede Globo, um novo anime começar. Era uma abertura divertida, com uma batida legal, e mesmo que hoje seja um meme ou uma piada, eu curti a Angélica entrando em cena e cantando a abertura. Era a estreia de Digimon Adventure. Algo que veio a marcar minha infância.

Depois disso, veio Digimon Adventure 02, depois Digimon Tamers, Frontier. E à medida que novas temporadas iam chegando, meu interesse em assistir ia diminuindo, mas meu amor pela franquia permanecia intacto, junto com minhas memórias daquele Julho de 2000. E então veio o anúncio, ao som de Butter-Fly que me fez arrepiar cada pêlo do meu corpo e marejar meus olhos.

Imagem de capa do item

Digimon Adventure Tri era anunciado e eu mal podia esperar para acompanhar a série de 06 OVA’s que trariam de volta o meu grupo de digiescolhidos favorito. E o sentimento de recompensa, de estar vendo minha infância sendo homenageada, estava ali presente.

...Pelo menos nos três primeiros OVA’s…

Digimon Adventure Tri começou muito bem sua história, trazendo uma proposta de amadurecer o anime, já que os fãs amadureceram também, estratégia que envolvia desde o fato dos personagens humanos estarem mais velhos, até mesmo no traço mais artístico do anime e na trama um tanto quanto mais sóbria.

Imagem de capa do item

O primeiro OVA era de arrepiar, nós voltávamos a ver Omegamon e finalmente pudemos ver esta versão do Digimon lutando contra sua contraparte Alphamon. O que foi interessante, pois nos mostrou que o anime estava vindo com essa ideia de que, para dar mais seriedade ao OVA, ele não faria os Digimons ficarem gritando seus golpes, o que acertou em cheio no objetivo.

Como dito, ao longo dos três primeiros OVA’s nós fomos embarcados nessa proposta de Digimon Adventure Tri, que se mostrou além da pura e total nostalgia, ele queria dar o próximo passo naquela história.

Imagem de capa do item

Quando você pára e olha para toda a trajetória do anime, percebe que na verdade, estamos vendo uma história sobre crescimento, amadurecimento e a entrada na vida adulta. Então tivemos um aprofundamento em muitas das propostas do anime original, nos relacionamentos entre os digiescolhidos e nas consequências do atos e escolhas deles. Um exemplo disso é toda a jornada de Taichi, seus questionamentos internos em paralelo às suas ações.

Imagem de capa do item

Nós somos apresentado à alguns personagens novos, como Mei, Meicoomon, e alguns “adultos” misteriosos, que aos poucos vão revelando sua importância na trama como Daigo Nishijima. E é então, a partir deles que uma nova história de Digimon Adventure vai se formando.

Não temos nada muito inovador nesta história, mas ainda assim ela é calorosamente familiar e agradável. Nós temos alguns elementos muito conhecidos pelos fãs, como o fato dos Digimon estarem começando a invadir o mundo real, ou mesmo alguma história envolvendo Yggdrasil e os Cavaleiros Reais. E é aí que o problema começa…

Imagem de capa do item

Quando você avalia Digimon Adventure Tri como um todo, você vê muitos mais pontos positivos do que negativos, na verdade só existem dois pontos que podem ser considerados um tanto quanto negativos: A trama e o excesso de fanservice adulto

Imagem de capa do item

Quando falamos da trama, muito deste problema vem da própria escolha de fazer um anime em formato de OVA’s com tanto tempo espaçado entre eles. Afinal de contas, Digimon Tri levou 2 anos e pouco para exibir seis “filmes”

Mas além disso, é uma trama confusa, que deixa ganchos - propositais e acidentais - em grande quantidade, perguntas demais no ar, e no fim das contas uma sensação de que nada significativo de fato aconteceu. A trama se arrasta demais em alguns OVA’s e corre demais em alguns momentos que deveria receber mais atenção.

Imagem de capa do item

A partir do quarto OVA nós temos coisa completamente inconsistentes quando falamos de mitologia de Digimon, digievoluções acontecendo à partir do completo nada, e acontecimentos importantes sendo desfeitos em questões de minutos. Isso sem contar personagens que simplesmente sumiram e ficou por isso mesmo.

Para finalizar a análise da trama, caso você não concorde muito, faça um exercício, tente contar a história do OVA inteiro de uma maneira objetiva. Você verá que você tem dificuldades de traçar a linha narrativa desta trama, de lembrar de alguns acontecimentos e de colocar isso em uma explicação simples.

Imagem de capa do item

E agora sobre o fator Fanservice Adulto exagerado, vamos explicar um pouco a diferença entre o que as pessoas estão acostumados à chamar de fanservice em filmes como os filmes de super-herói, e o fanservice em anime.

Geralmente o fansevice em anime está relacionado à exposição erótica - geralmente feminina - que em sua grande maioria é inserida em um momento completamente aleatório e desnecessário.

Imagem de capa do item

Só de dizer que houve fanservice em Digimon eu já fico um pouco triste. Em diversos momentos nós tínhamos angulações de câmera flertando olhar *por baixo da saia de Mimi ou de outras personagens femininas, até mesmo close em peitos e bundas de Digimon femininas como Rosemon ou no último episódio que não falarei por motivos de spoiler.

Mas sem dúvida alguma, o que realmente revoltou boa parte dos fãs, foi usar a imagem de Gennai para retratar um personagem sexualmente asqueroso, que simulou até mesmo um “estupro” em Sora, tinha linguagens meio esdrúxulas e no fim você continua sem saber quem ele era.

Imagem de capa do item

Mas mesmo com falhas tão pesadas, como eu disse, o anime se propõe a ser praticamente uma alegoria para o crescimento, a amizades têm relações mais reais, os personagens se permitem ter sentimentos mais dúbios, ao invés de simplesmente uma coisa certo e errado, bem e mal.

Então além da pura e completa nostalgia, nós temos uma evolução em Digimon. Mesmo com tropeços ele consegue chegar lá na frente com um saldo positivo, num total de 3 digivices e meio!

Imagem de perfil
Mike Sant'Anna

Eu sou o melhor no que eu faço, mas o que eu faço... É bem retardado.