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[CRÍTICA] Detroit: Become Human – A liberdade da escolha e o peso das consequências!

Por Leo Gravena

Detroit: Become Human é o novo jogo da Quantic Dream exclusivo para PlayStation 4. Com lançamento mundial em 25 de maio. A trama acompanha três androides em uma história interativa, na qual o jogador deve fazer decisões difíceis para alcançar seus objetivos.

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Ficha Técnica

Nome: Detroit: Become Human

Plataformas: PS4

Gênero: Aventura

Quantidade de jogadores: 1

Desenvolvedora: Quantic Dream

Distribuição: Sony

Data de lançamento: 25 de maio de 2018

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O homem cria a máquina. A máquina se rebela.

A ficção científica foi criada por Mary Shelley em 1918. Frankenstein ou o Moderno Prometeu foi o primeiro livro do gênero da história. Nela, um cientista cria um ser gigantesco com inteligência humana, porém uma aparência temível. Após os maus tratos dos humanos, a criatura se rebela e vai em busca de seu criador, para assim confrontá-lo.

Desde então, a mesma história vem se repetindo.

Blade Runner, Battlestar Galactica, o clássico Metrópolis, Doctor Who, Astro Boy, Stargate, Star Trek e muitos, muitos outros filmes, séries, livros e quadrinhos falam sobre androides mas, principalmente: androides que possuem vida.

Desde o primórdio da ficção, o ser humano é fascinado pela ideia de criar algo que possui vida, pensa e pode fazer as mais diferentes tarefas… Mas também possui medo do momento em que estes seres irão se rebelar contra seus criadores.

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A história de Detroit não é inovadora, afinal, ela foi vista de diversas formas desde o início do século 20. Ainda assim, com os personagens carismáticos, momentos tensos e gráficos verdadeiramente belíssimos, é como se você ouvisse ela pela primeira vez.

Isso talvez se deva a maneira como a Quantic Dream, a desenvolvedora do jogo, aborda a história. Qualquer pessoa que já tenha jogado um de seus jogos sabe muito bem do que estou falando, a trama é imersiva e você verdadeiramente se importa e se identifica com os personagens. Fahrenheit, Heavy Rain e Beyond: Two Souls foram inovadores para os diferentes momentos em que foram lançados e você nota que eles realmente prezam pelo visual e pela narrativa da história.

Quase todos os jogos seguem um mesmo padrão: você deve descobrir pistas e avançar na história do personagem. O que pode parecer entediante para quem gosta de jogos nos quais você encontra armas melhores e fica atirando em inimigos distantes - não que exista problema algum em jogos desse tipo. Porém essa não é a proposta da Quantic Dream; o que eles fazem é quase que um filme interativo, e a proposta de Detroit: Become Human vai além.

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Uma das maiores frustrações ao jogar outros jogos do gênero é o fato de que as “grandes decisões” no meio da história não fazer muita diferença no fim das contas. A personagem prestes a se matar pode ser salva, mas de um jeito ou de outro, ela não estará mais na história a partir desse ponto, ou então ao continuar vivo, você apenas perde uma rota “extra” que aquele personagem possuía. Ir para direita ou para a esquerda não afeta o resultado final.

E é aí que Detroit realmente mostra para o que veio. Em diversos momentos você sabe que o caminho a ser tomado pode mudar completamente a maneira que a trama será conduzida a partir dali - puxar o gatilho se torna uma decisão muito mais difícil do que parece.

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Detroit nos coloca dentro de três personagens diferentes: os androides Markus, Kara e Connor.

Markus, interpretado por Jesse Williams de Grey’s Anatomy, é o personagem com o qual o jogador mais possui liberdades. Como líder da rebelião androide, você pode decidir por ir por um caminho mais pacífico ou agressivo, ou então, simplesmente não fazer muita coisa e deixar tudo como está.

O personagem é um dos que mais possui rotas e caminhos diferentes, além de ter uma história excelente: o grande líder da rebelião era um androide que cuidava de um grande artista, com o qual Markus verdadeiramente se importa, que nos seus últimos dias de vida, tentava ensiná-lo a se tornar cada vez mais autônomo e pensar por si só.

Após se afastar do pintor, Markus possui muitas escolhas a fazer.

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Kara, interpretada por Valorie Curry de A Bruxa de Blair, é uma androide do tipo governanta, feita para limpar e cuidar da casa e de crianças. Com o lançamento do gameplay da personagem, muitas pessoas ficaram incomodadas pela história da única personagem feminina jogável envolver abuso físico gráfico e, principalmente, o possível assassinato de uma criança.

Retratar violência gráfica contra a mulher sempre é um assunto extremamente delicado, porém o jogo consegue trabalhar o tema de uma forma extremamente clara e correta, em nenhum momento a violência é mostrada de maneira gratuita e tudo isso é levado em conta quando o jogador escolhe as decisões a serem tomadas.

Também é importante notar que a história de Kara não é apenas sobre violência: existem muito mais nuances na personagem, que vai se descobrindo durante o jogo. Seja o altruísmo ou o egoísmo, a trama de Kara é sobre amor e sacrifício e, certamente, a mais satisfatória do jogo.

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Connor, interpretado por Bryan Dechart de Remanescentes: Esquecidos por Deus, é um androide investigador extremamente avançado. Ele serve principalmente para fazer com que você fique com nojo de todas as coisas estranhas que ele coloca na boca para analisar.

O androide é encarregado de se juntar a um policial humano para analisar crimes envolvendo androides deviantes, além disso, no caminho, as suas ações fazem com que Connor se torne ou não um deviante ele mesmo.

Além disso, a trama dele com Hank (interpretado por Clancy Brown) é um dos melhores relacionamentos do jogo, já que ambos possuem lados muito bem definidos. A dinâmica entre eles já foi vista em inúmeros locais, “o androide e o policial humano durão”. Contudo o jogo faz com que as possibilidades de para onde esse relacionamento pode ir sejam um dos seus maiores atrativos.

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História

A trama de Detroit: Become Human é extremamente simples, mas funciona muito bem. Enquanto Markus busca liberdade para seu povo, Kara apenas tenta seguir com sua vida e Connor pretende completar sua missão. A trama toda se passa na cidade de Detroit, porém são poucos os momentos em que os três personagens estão próximos um do outro. Ainda assim, é emocionante ver as perseguições e dinâmicas entre eles.

Mas é difícil sequer realmente falar sobre a história contada, já que a cada escolha feita ela muda de alguma maneira. Isso certamente é um atestado para a maneira como as escolhas do jogador realmente importam e trazem uma experiência única. Tudo muda quando você escolhe entre direita ou esquerda - fazendo com que você queira sempre voltar e ver todas as possibilidades abertas pelo caminho não tomado.

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Gráficos

Particularmente, acredito que a jogabilidade e história são muito mais importantes do que um gráfico bom. Contudo, os gráfico de Detroit não são “apenas bons”. A maneira como cada expressão é trabalhada, os detalhes nas cenas e o trabalho feito nos personagens é mais do que espetacular, é muito fácil se perder nos visuais apresentados, cada um deles é mais belo que o anterior.

O melhor de tudo é que os gráficos excelentes não são limitados apenas às cutscenes, fazendo com que exista uma quebra durante o modo de jogo e o modo de cena. Ambos são excelentes, no nível mais superior dos jogos atuais.

Uma das melhores cenas jogáveis envolve uma grande perseguição pela cidade, que passa por plantações, prédios e trilhos de trens, tudo isso jogável e com gráficos excelentes, o que deixa a experiência ainda mais imersiva e emocionante.

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Jogabilidade

Nem tudo são flores e o jogo possui uma jogabilidade morna. O fato de que os personagens não podem andar mais rápido acaba sendo frustrante em alguns momentos, porém o maior problema na jogabilidade é o fato de que o botão que controla a visão do jogador é o mesmo utilizado para realizar algumas ações - desta forma, você pode acabar virando sua visão pela sala ao invés de segurar o objeto desejado.

Obviamente, isso não atrapalha o jogo, porém, acaba criando algumas situações frustrantes, principalmente quando você está fazendo alguma missão que possui um tempo pequeno para ser realizada.

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Nota

Detroit: Become Human não é apenas um jogo, é uma experiência visual e imersiva diferente de qualquer outra do gênero. Os personagens são carismáticos e você realmente se importa com todos eles ali. Além disso, o jogo possui um dos melhores menus que já vi.

As analogias feitas à história da humanidade são todas muito bem vindas, assim como as críticas e discussões filosóficas que são discutidas no jogo. Por fim, Detroit é exatamente aquilo que se propõe a ser, um jogo inovador com uma história clássica, feita para que o jogador fique completamente imerso neste mundo e sinta o peso de suas escolhas, que nem sempre são fáceis.

Até o momento, Detroit é, sem dúvidas, o melhor novo jogo de 2018 e o melhor de seu gênero, local do qual dificilmente será retirado tão em breve.

Nota: 4,5/5

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Leo Gravena

Editor | Ele/Dele | @LeoGravena
Escrevo sobre cultura geek na internet desde 2012
"Don't look back -- the past is exactly where it belongs."