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[CRÍTICA] Darling in the Franxx – Um novo Evangelion? Muita calma nessa hora!

Por Felipe Vinha

No início de 2018 estreou na TV japonesa o anime Darling in the Franxx. Uma co-produção inédita entre Studio Trigger e A-1 Pictures, a saga tinha como objetivo contar uma história original, sem se prender a um mangá ou Light Novel, com personagens marcantes e muitos significados “secretos” ao longo da trama.

Foi comum ver muitas pessoas comparando “Darlifra”, como também foi chamado, a Evangelion. Seja pelo passado de pessoas que trabalham no Trigger (muitos ex-Gainax, o estúdio de EVA), ou pelas similaridades na história, bem como alguns de seus conceitos.

Mas será que é tudo isso mesmo?

Seis meses após sua estreia, tivemos a conclusão. Vamos entender e analisar Darling in the Franxx, até agora um dos animes mais polêmicos do ano.

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Darling in the Franxx se passa em uma realidade alternativa, onde os humanos vivem em redomas, os Latifúndios, para se protegerem dos Urrosauros, uma espécie de raça monstruosa, de origem misteriosa, que ataca de tempos em tempos, tentando romper as barreiras de cada Latifúndio.

Para se proteger, a humanidade criou os Franxx, robôs especiais, humanoides, e que só podem ser pilotados por uma dupla de pessoas – simulando uma relação romântica, ou algo próximo disso, mas sem deixar explícito o conceito.

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O grande detalhe desta história toda é que os pilotos em questão só podem ser crianças. Por conta da “pureza” presente em cada uma das crianças, elas possuem mais facilidade de sincronia com a interface dos robôs e, assim, podem participar das lutas.

O conceito pode parecer bem estranho, principalmente para quem não está acostumado com animes… Ér… pouco ortodoxos. Mas, apesar de termos poses bem sugestivas, não há sexo entre os pilotos durante sua função de combate. Mais adiante a trama até trata de algo neste sentido, mas sem entrar em méritos apelativos.

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Antes de tudo, devemos lembrar também que Darling in the Franxx se passa em uma realidade alternativa e cabe adicionar que as crianças foram criadas em laboratório e desenvolvidas em creches superlotadas com o único intuito de servir de Parasitas, o nome que é dado a cada piloto, seja homem ou mulher.

Por conta disso, o conceito de “sexo” ou “relação romântica” sequer existe neste universo, ao menos em seu princípio. Sim, algumas cenas são utilizadas para fanservice, principalmente pela presença da co-protagonista, Zero Two, mas nada que salte aos olhos de maneira drástica. Vamos elaborar, mais adiante.

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É neste cenário que temos a participação da já citada Zero Two e de Hiro, a dupla de protagonistas, que também forma a dupla romântica, mais adiante. Zero Two é uma figura vinda de fora, colocada para participar do grupo de Parasitas de Hiro, as outras crianças, de maneira forçada, o que cria conflitos interessantes.

Zero Two é mais adulta, madura, lida com os problemas no estilo “mulher forte”, enquanto as outras personagens, principalmente as femininas, fazem as vezes de crianças inocentes e pagam seu preço por isso.

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Mas a evolução de Zero Two é um dos destaques em Darling in the Franxx. De odiável, a garota passa a se tornar uma das mais queridas do grupo, conforme aprende a se tornar mais humana, mais sociável e mais prestativa a quem está a seu redor.

Ela desenvolve uma relação com Hiro, a quem chama apenas de Darling – “querido”, em inglês –, nunca pelo nome, que aos poucos faz mais e mais sentido, revelando detalhes do passado dos dois, que é importante para a trama de todos os personagens.

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Mas o maior inimigo de Darling in the Franxx parece ser o mesmo de produções passadas com o envolvimento do Trigger: o próprio estúdio. Foram 26 episódios, incluindo uma recapitulação e dois especiais com os dubladores. Desde que lançou Kill la Kill, que foi um enorme sucesso, o estúdio parece ter ficado mais pretensioso com alguns de seus lançamentos.

Ao lançar Darling in the Franxx no mercado, eles apostaram alto no fator “novidade”, quiseram fazer uma história com significados altíssimos e com lições extremamente intrincadas, mas, com o tempo, a impressão que passa é que foi tudo uma grande novela de horário nobre e nada mais.

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Muitos fãs categorizaram Darling in the Franxx como o novo Evangelion, e com razão. Há similaridades, como o fato de crianças pilotarem um robô e também termos, aqui, uma organização misteriosa, a APE, que faz as vezes da Nerv.

Todo o clima pós-apocalíptico e futurista segue o mesmo exemplo, mas as similaridades param quando Darlifra segue para um caminho mais dramático – no sentido bem “noveleiro” da palavra, digamos assim.

Contudo, o anime compensa bastante em outros quesitos. A qualidade da animação é boa, a maioria dos personagens é interessante e a trilha sonora é incrível, principalmente o tema de abertura, que é remixado na segunda metade da série.

Em termos de qualidade técnica Darling in the Franxx não decepciona, mas sabemos que não é apenas isso que cria um bom anime.

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Vale lembrar, ou avisar, que Darling in the Franxx também debate alguns temas sociais bem únicos em animes, como questões de gênero, compaixão, relacionamentos e liberdade ao viver em uma sociedade confinada.

Nestes quesitos o anime também faz um bom trabalho, até que compromete algumas evoluções e revelações na reta final – que é realmente fraca. O último episódio, em particular, chega a ser um pouco desnecessário, já que quase nada acontece nele e só reforça o conceito de “Novela”.

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Conclusão

Mas o saldo é positivo? Olha, Darling in the Franxx diverte bastante. Ele não é, nem de longe, um novo Kill la Kill. Muito menos um novo Evangelion. Porém, ele supera bastante algumas das produções mais recentes da Trigger, como Kiznaiver, que foi bem fraco – e também sofreu com o drama de ser pretensioso demais.

Porém, poderia ter sido uma série mais curta, enxuta, direto ao ponto e com menos enrolação apenas para tentar te fazer chorar. Ter durado meio ano para acabar apenas prejudicou a experiência. Mas, hey, ainda é acima da média em relação a maioria de novos animes que estreiam ao longo do ano.

Nota: 3 de 5

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Felipe Vinha

Já tentei salvar o mundo de uma invasão alienígena, mas hoje me contento em ser jornalista. Gosto de quadrinhos e suas adaptações na TV ou cinema, animes, tokusatsu, games (de luta principalmente) e tecnologia. Vamos trocar uma ideia no Twitter @felipevinha