Capa da Publicação

[Crítica] Apóstolo – Um dos Melhores filmes da Netflix?

Por Lucas Rafael

Novo filme da Netflix traz Dan Stevens (Legion) em uma aventura macabra repleta de tensão, mistério e ação visceral dirigida por Gareth Evans (Operação Invasão 1 e 2).

Imagem de capa do item

Ficha Técnica

Título: Apóstolo (Apostle)

Ano: 2018

Data de lançamento: 12 de outubro (Netflix)

Direção: Gareth Evans

Classificação: Não recomendado para menores de 18 anos.

Duração: 2h09min

Sinopse: Um homem tenta libertar sua irmã das garras de um culto pagão que vive em uma ilha remota.

Imagem de capa do item

Macabro, empolgante e original

Imaginem uma mistura de O Homem de Palha (1973) com a franquia de jogos Silent Hill e um pouco de ação desenfreada da franquia Operação Invasão (2011). O resultado seria algo parecido com Apóstolo, novo longa orginal da Netflix assinado por Gareth Evans. Uma mistura intensa de horror pagão, ação e drama.

Imagem de capa do item

A trama do filme segue Thomas (Dan Stevens), que parte para uma ilha remota habitada por um culto pagão que sequestrou sua irmã.

Tendo de resgatá-la, Thomas precisa se infiltrar nos costumes e rotina da ilha, que abarcam um segredo macabro.

Imagem de capa do item

Apóstolo possui diversos méritos a seu favor. Para iniciar, a direção de Gareth Evans é afiadíssima. A câmera espreme o máximo da beleza presente nos cenários remotos e idílicos que cercam o vilarejo.

O diretor já se mostrou exímio na hora de capturar ação e intensidade física em seus longas passados, e aqui não é diferente.

Imagem de capa do item

As cenas de tortura e sacrifício são secas e viscerais, colocando boa parte da franquia Jogos Mortais no chinelo.

Evans exprime a intensidade mecânica opressiva que os instrumentos de tortura exercem sob o físico frágil dos personagens, gerando diversas cenas genuinamente angustiantes. As cenas de ação, por sua vez, são mais breves e contidas do que as presentes em projetos anteriores do diretor, mas cumprem sua função de maneira primorosa.

Imagem de capa do item

O roteiro é intrincado, e embora o filme sofra alguns deslizes em seu terceiro ato, quando a trama começa a se atropelar para chegar em uma conclusão, o resultado final é algo original e bem executado o suficiente para que você não esqueça tão cedo do que viu.

Imagem de capa do item

A composição estética de diversas cenas parece ter sido fortemente influenciada por Silent Hill, mostrando criaturas ominosas disformes e cultistas em longos mantos pontudos e enegrecidos. Apóstolo não fraqueja na hora de projetar uma atmosfera densa de horrores pagãos que assombram não só o protagonista, como também a audiência.

Imagem de capa do item

O elenco é primoroso, embora alguns diálogos possam soar demasiadamente forçados em certas partes, os atores se empenham em entregar o melhor e conseguem: Dan Stevens convence como um protagonista carrancudo, determinado em encontrar sua irmã custe o que custar.

Lucy Boynton conta com um visual limpo que distingue sua personagem dos demais habitantes da vila, ilustrando-a como um porto-seguro para nosso protagonista.

Outras performances dignas de destaque são o garoto interpretado por Bill Millner e um dos fundadores da ilha, o violento Quinn (Mark Lewis Jones).

Imagem de capa do item

Por trás de seus belos visuais, cenas intensas e violência desenfreada, Apóstolo tenta comunicar uma mensagem sobre os sistemas de fé, seu propósito manipulativo e existencial para aqueles que a exercem e praticam. A mensagem fica diluída entre o excesso de gêneros que a trama abarca, mas está ali para quem quiser absorver.

Imagem de capa do item

Além do terceiro ato atropelado, alguns efeitos de computação gráfica presentes em Apóstolo podem parecer artificiais demais, ainda mais em contraste com os efeitos práticos, que por sua vez impactam graças a sua visceralidade incisiva.

Imagem de capa do item

Nota

Por fim, Apóstolo se mostra como uma das apostas mais malucas e certeiras da Netflix, apresentando um filme único, original e muito bem executado enquanto diverte na mesma medida que repulsa. É um forte candidato a melhor longa original da rede de streaming, merecendo 4 cruzes e meia de cinco.

Imagem de perfil
Lucas Rafael

Redator. Entusiasta de coisas demais