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[CRÍTICA] Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald – O caos ameaça o Mundo Bruxo!

Por Gus Fiaux

Após dois anos de espera, o aguardado segundo capítulo da nova franquia do Mundo Bruxo finalmente está entre nós. Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald surge apresentando novos personagens, uma trama mais sombria e a ameaça de um dos maiores bruxos das trevas de todos os tempos. Mas será que o filme cumpre suas promessas?

Créditos: Warner Bros.

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Ficha Técnica

Título: Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald)

Ano: 2018

Data de lançamento: 15 de novembro

Direção: David Yates

Classificação: 12 anos

Duração: 134 minutos

Sinopse: O segundo capítulo da saga "Animais Fantásticos", situada no Mundo Bruxo de J.K. Rowling, onde vemos Newt Scamander formando novas alianças para deter a ascensão do maligno Gerardo Grindelwald.

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Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald - O caos ameaça o Mundo Bruxo!

Quando a franquia Animais Fantásticos foi anunciada, ela veio com uma tarefa perigosa: balancear uma nova era de personagens, liderada pelo magizoologista Newt Scamander, enquanto o pano de fundo da história girava em torno da ascensão de Gerardo Grindelwald e sua missão deturpada de trazer a supremacia bruxa para o mundo.

Se, em parte, o primeiro filme é uma aventura muito mais introdutória, para nos apresentar novos heróis e o vilão, Os Crimes de Grindelwald também serve como uma introdução, mas dessa vez para o grande arco da história, que vai ser desenvolvido ao longo de mais três filmes. Infelizmente, o filme acaba se prendendo muito a essa "transição".

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São tantos plots e subtramas que é difícil definir muito bem a história do filme. Sabemos, já no começo, que Grindelwald consegue fugir da MACUSA durante uma transferência, e sabemos também que Newt Scamander está em Londres. No entanto, logo começa um jogo de gato e rato em busca de Credence Barebone, que está vivo em Paris.

A partir daí, uma série de eventos mirabolantes começam a acontecer, e nós passamos a reencontrar rostos conhecidos, como Jacob Kowalski, Queenie e Tina Goldstein, além dos novatos na trama, como Leta Lestrange e Teseu Scamander, o irmão mais velho de Newt. E, por trás de toda essa jogada, também temos Alvo Dumbledore guiando as peças.

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Por mais encantamento que nós, fãs, tenhamos pelo universo de Harry Potter e de Animais Fantásticos, é notável que Os Crimes de Grindelwald é um filme confuso, sobretudo para quem não está muito familiarizado com o Mundo Bruxo. Mesmo para quem já é fã de carteirinha, algumas decisões parecem bem contraditórias.

O maior "culpado" por isso, se podemos citar desse jeito, é o roteiro de J.K. Rowling. A autora já mostrou sua habilidade para criar universos complexos e grandiosos nos livros, mas quando falamos de cinema, que é essencialmente outra mídia, esse perfeccionismo acaba dando lugar ao excesso. Os Crimes de Grindelwald é um filme extremamente inchado.

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Ao decorrer da história, surgem diversos núcleos - e alguns deles são bem interessantes, como o de Newt, Tina e Jacob, enquanto outros perdem a força pela falta de tempo. Queenie, que é uma das melhores personagens do primeiro longa, acaba perdendo desenvolvimento e seu arco dramático é, no mínimo, questionável.

Além disso, há um clima novelesco que cria vários problemas quando consideramos a trama como um todo. Temos dois grandes plot twists ao longo do terceiro ato - e os dois possuem premissas interessantes, mas são desastrosos em sua execução, por contradizerem elementos já estabelecidos no cânone ou pela simples falta de apego com os personagens.

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No entanto, o filme está longe de ser apenas ruim. Nós vemos as camadas de simbologia e significado que Rowling desenvolve - e o filme, como a própria escritora já havia prometido, se foca em um tema muito atual: a intolerância. Durante toda a história, vemos o perigo causado por um discurso excludente, autoritário e que se embasa no "nós-contra-eles".

Por causa disso, Gerardo Grindelwald é, como o próprio título sugere, a grande estrela do longa. Por mais que ele não seja tão bem aproveitado no miolo da história, sua presença é imponente e seu discurso é insidioso nos detalhes. Ele é um vilão que, se mantido nesse nível, pode se tornar ainda mais perigoso que o Lord Voldemort dos cinemas.

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Em termos de atuação, o elenco continua mandando muito bem. Eddie Redmayne realmente incorpora todos os trejeitos tímidos de Newt Scamander, criando um personagem sensível e que, ainda assim, possui uma bravura incomparável. Outro que rouba a cena é Jude Law, que sabe honrar a interpretação anterior de Dumbledore ao mesmo tempo que cria algo novo.

Dentre os coadjuvantes, Ezra Miller, Zoë Kravitz e Katherine Waterston são ótimos, mas acabam passando um sentimento de mal-aproveitamento pelo pouco tempo de tela. Se falamos de Waterston, é importante dizer que Tina Goldstein se tornou uma personagem muito melhor e mais complexa. Infelizmente, Dan Fogler e Alison Sudol estão apenas irritantes.

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A direção de David Yates, como nós conhecemos bem desde Harry Potter e a Ordem da Fênix, é pontuada por altos e baixos. Aqui, há um ritmo engajante e uma estética deslumbrante, mas há planos bizarros que, às vezes, beiram o experimental. Por outro lado, a trilha sonora de James Newton Howard é um dos pontos altos, delicada ou monumental nos momentos certos.

Figurino, criação de mundo, efeitos visuais - tudo continua no selo de qualidade do Mundo Bruxo, criando um universo que poderia estar muito bem escondido no nosso mundo, por trás de estátuas vivas. No entanto, recomendo que evite-se o 3D, pois ele deixa o filme carregado e escuro demais, além de não trazer nenhuma diferença positiva para a projeção.

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O filme pelo menos consegue trazer uma série de elementos que vão formar a curiosidade dos fãs para os próximos longas. Após a revelação final - que, acredite, será extremamente divisiva entre os fãs -, nós com certeza vamos querer "aparatar no tempo" para daqui a dois anos, onde finalmente poderemos encontrar mais pistas sobre a obra.

Mesmo com seus defeitos, é um filme que captura a atenção de quem já está imerso no Mundo Bruxo. Uma pena que ele deve fazer justamente o contrário para o fã leigo. Agora, J.K. Rowling precisa urgentemente melhorar sua objetividade para que os próximos filmes possuam histórias mais digeríveis e menos enroladas.

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Mesmo com seus defeitos, Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald apresenta uma trama interessante que pode gerar bons frutos no futuro. Contudo, por ora, J.K. Rowling precisa se atentar para as estruturas de seu próprio universo, para que possa criar de acordo com as regras estabelecidas, e não se tornar o George Lucas dessa geração.

Se fosse um pouco mais focado e desse mais destaque aos seus personagens mais fortes, o filme teria tudo para estar no mesmo nível dos longas de Harry Potter e até mesmo de Animais Fantásticos e Onde Habitam. No entanto, por ora, é apenas uma transição para uma história que vai ficar mais densa no futuro. Apenas mais um degrau em uma escada maior.

NOTA: 2,5/5

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux