[CRÍTICA] Agentes da S.H.I.E.L.D. (6ª Temporada) – Segundas chances!

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[CRÍTICA] Agentes da S.H.I.E.L.D. (6ª Temporada) – Segundas chances!

Por Gus Fiaux

Após uma longa espera, a sexta temporada de Agentes da S.H.I.E.L.D. finalmente veio para os fãs, com uma quantidade de episódios menor em comparação aos cinco anos anteriores. E apesar da diminuição, a qualidade da série só aumenta!

Com uma trama instigante e vilões surpreendentes, a saga de Daisy Johnson, Melinda May Phil Coulson cresce um pouco mais, trazendo grandes reviravoltas e aproximando-se cada vez mais do fim. Na nossa crítica, confira o que achamos do sexto ano da série!

Créditos: ABC

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Agentes da S.H.I.E.L.D. (6ª Temporada) - Segundas chances!

Agentes da S.H.I.E.L.D. não é para qualquer um. A série pode ter começado "fraca", mas aos poucos foi se solidificando e construindo personagens maravilhosos, enquanto desovava uma série de "fãs" que não conseguiu passar de sua primeira temporada. A cada ano, S.H.I.E.L.D. conquistava sua independência e passava a ideia de que veio para ficar.

Agora, o ano é 2019 e a série acaba de lançar toda sua sexta temporada - a penúltima da série, antes do fim derradeiro que se dará no ano que vem. E por incrível que pareça, agora temos uma nova série. Das cinzas da quinta temporada, Agentes da S.H.I.E.L.D. se ergue para nos mostrar a primeira parte do que será um encerramento glorioso.

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A trama começa exatamente um ano após o fim da temporada passada. A S.H.I.E.L.D. está dividida - de um lado, Daisy e Simmons viajam pelo espaço, em busca de Fitz; do outro, vemos Mack liderando um esquadrão na Terra, ao lado de Melinda May e Yo-Yo, entre outros novos agentes.

No entanto, as dinâmicas da equipe estão bem diferentes do que nos lembrávamos. Phil Coulson está morto, após o pacto feito na temporada anterior, e a equipe ainda tenta lidar com o pesar, enquanto busca formas de se estabelecer em um novo mundo - ainda cheio de ameaças e inimigos misteriosos.

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Antes de mais nada, é preciso deixar uma coisa bem clara: agora, mais do que nunca, fica comprovado que Agentes da S.H.I.E.L.D. não faz mais parte do Universo Cinematográfico da Marvel. Se a quinta temporada já havia ignorado profundamente o final de Guerra Infinita, a série age como se o filme inteiro sequer tivesse existido.

Mesmo se passando um ano após a batalha de Wakanda, o longa não faz uma referência sequer aos bilhões de mortos, decorrentes da conquista de Thanos sobre as Joias do Infinito. E quanto antes você colocar isso na cabeça, mais rápido vai se acostumar com o novo status quo. Agentes da S.H.I.E.L.D., mais do que nunca, é uma saga independente.

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Ainda assim, o que falta em conexões com o restante do UCM - que parece ter cortado de vez qualquer traço de ligações com as séries da Marvel TV - sobra em uma história sólida e encabeçada pelos personagens mais cativantes do núcleo televisivo da Casa das Ideias. Os grandes destaques aqui são justamente as relações entre essas figuras.

Além disso, a diminuição de episódios conta como um fator bem positivo. Se a quinta temporada decepcionou em seu primeiro núcleo, que parecia mais uma grande encheção de linguiça, aqui a série volta ao ritmo frenético de seu terceiro e quarto ano, o que instiga novamente o público - embora a história seja um pouco mais confusa que o necessário.

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Nessa temporada, somos apresentados a Sarge, um caçador vindo de uma outra dimensão, que surge na Terra com objetivos não muito claros, além de possuir asseclas igualmente misteriosos. O grande problema é que esse inimigo possui o rosto e os trejeitos de Phil Coulson, o que embaralha completamente a cabeça da equipe.

Ao longo da temporada vamos descobrindo um pouco mais sobre sua origem e porque ele possui os traços de Coulson - e tudo está diretamente relacionado à grande vilã da temporada, a misteriosa Izel. No entanto, quando as coisas se revelam, tudo parece um pouco embaralhado demais, de forma que a história acaba tropeçando algumas vezes sobre si própria.

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No entanto, isso talvez seja um dos únicos pontos negativos da temporada - junto com seus dois primeiros episódios, que não são lá muito animadores, especialmente após a ressaca deixada pelo quinto ano da série. De resto, Agentes da S.H.I.E.L.D. está de volta à forma, nos apresentando mais uma trama inovadora e inesperada.

O núcleo espacial, que é focado no resgate de Leo Fitz, é definitivamente um dos melhores da temporada. É aqui também que surgem os dois melhores episódios desse ano - o terceiro, onde vemos Daisy e Simmons um tanto quanto... drogadas - e o sexto, que é um episódio especial focado na relação de FitzSimmons.

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Ainda assim, o núcleo terrestre também não perde a forma, embora sua dinâmica seja mais contornada pelo drama. Melinda May possui alguns dilemas morais bem interessantes, e a relação entre Alphonso Mack e Elena "Yo-Yo" Rodriguez é dissecada de um modo bonito, sem soar melodramático em momento algum.

Já a participação de Deke é um dos pontos altos da temporada. Além de trazer um ótimo humor para os temas mais "densos", ele também cresce como parte da equipe, ajudando o grupo a realizar tarefas realmente importantes. É um crescendo positivo, ainda mais levando em conta como o personagem caiu na graça do fãs.

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E não é apenas os personagens que recebem uma melhora em seu arco. A diminuição do episódio trouxe impactos positivos para os recursos da série. O uso de efeitos visuais está melhor do que nunca, com algumas cenas realmente memoráveis e muito bem arquitetadas. Todo o núcleo de histórias que se passa no espaço comprova isso dignamente.

Além disso, os outros aspectos técnicos também estão a altura, seja a fotografia, ou o trabalho de som. Talvez, o único departamento prático que tenha deslizado um pouco aqui seja o figurino - as roupas de Sarge e sua equipe são genéricas, mas não são tão risíveis quanto a peruca de Izel, que remete ao programa infantil LazyTown.

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De qualquer forma, Agentes da S.H.I.E.L.D. está de volta à forma e traz algumas consequências bem positivas para o futuro. O episódio final talvez seja uma das melhores conclusões da série, pavimentando o caminho para uma sétima temporada que promete ser uma carta de amor não apenas aos fãs, mas à própria história da S.H.I.E.L.D.

No fim, o sexto ano da série é uma história sobre segundas chances, e sobre como devemos agradecer pela oportunidade de reencontrar pessoas que amamos, mesmo sob circunstâncias diferentes. E isso soa muito metafórico dentro do próprio contexto dessa temporada, já que todos os fãs acreditavam que a série morreria em seu quinto ano.

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Em suma, Agentes da S.H.I.E.L.D. está de volta e vai agradar bastante sua parcela pequena - mas fiel - de fãs. É uma prova clara de como a série sempre conseguiu se reinventar, criando seis temporadas que parecem programas diferentes entre si - mas todos com um alto nível de qualidade e coragem narrativa.

Aqui, vemos a equipe reunida enfrentando grandes males e salvando o mundo novamente - e nos relembramos de como May, Daisy, FitzSimmons, Yo-Yo e Mack são uma família. Uma família com novos adendos, como Deke e Enoch. E uma família que jamais vai esquecer seu patriarca, Phil Coulson.

NOTA: 4/5

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux