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Castlevania: Os melhores momentos da temporada 4

Por Melissa de Viveiros

Atenção: Alerta de Spoilers!

Castlevania foi uma das primeiras apostas da Netflix quando se trata de produções originais em animações adultas. Baseada no universo dos jogos de mesmo nome feitos pela Konami, a série criada por Warren Ellis teve um princípio tímido, com uma breve temporada com apenas quatro episódios. Ela logo se tornou um enorme sucesso, continuando a receber novos episódios até sua quarta e última temporada, que estreou na última semana.

Com uma finalização boa para a excelente série, a nova temporada trouxe muitos momentos marcantes. Entre batalhas incríveis e cenas emocionantes, aqui você encontrará aqueles que consideramos como os 10 melhores momentos da temporada 4 de Castlevania!

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A raiva depois da desilusão

A temporada começa com a trajetória de Sypha e Trevor após sua desilusão no fim da temporada anterior. Aqui, vemos os dois continuando a lutar sem descanso, seguindo as pistas deixadas por aqueles que pretendem trazer Drácula de volta à vida. Eventualmente, a dupla encontra um vampiro em uma igreja, pronto para realizar um feitiço na tentativa de ressuscitar seu mestre.

Em um momento cheio de humor, fica claro que Trevor simplesmente não aguenta mais a idiotice dessa ideia. Belmont questiona as pobres pessoas que seriam usadas como sacrifício, perguntando "Por que diabos alguém ia querer isso?". Completamente farto da situação, ele busca a confirmação de que ninguém teria motivo para fazer isso com os prisioneiros, resultando em uma cena que demonstra, por meio do humor. o quão tensa a situação estava se tornando para ele.

Mas o humor não acaba aí. Complementando Belmont de modo perfeito temos Sypha, que é igualmente afetada pela situação. Quando vemos mais da jornada dos dois, a dupla se encontra em uma plantação. Atacada por um monstro, a oradora perde a paciência e xinga, algo que Trevor questiona.

O casal então tem uma breve discussão sobre Sypha estar falando palavrões, quando ela não era o tipo de pessoa que fazia isso antes. Enquanto tenta culpar Trevor, a personagem é interrompida por mais monstros, mas já se mostra tão irritada que basicamente manda eles calarem a boca, gritando "Prra, eu estou falando aqui!*, e isso é só o começo de uma longa sequência de profanidades.

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Sua natureza é fluida

Isaac é um dos personagens com maior desenvolvimento ao longo de toda a história. Desde a temporada anterior, ele vinha ganhando momentos bastante filosóficos, que o levam a refletir não apenas sobre si mesmo, mas sobre o mundo ao seu redor. Aqui, temos um dos melhores diálogos do personagem quando ele conversa com uma de suas criações, debatendo suas ações e o que determina a natureza de algo.

A criatura noturna não entende a princípio. Ele argumenta que seres como ele são feitos para a destruição e a carnificina, não para reconstruir. Mas diante do argumento de que esta não é a natureza deles, Isaac apresenta outra perspectiva.

Sua natureza é fluida, diz o forjador, explicando que o fato de eles terem sido usados para destruição os faz pensar dessa forma, mas isso não é necessariamente um fato. Uma ferramenta pode ser usada para construir ou destruir, tudo depende da intenção de quem a utiliza. Com um diálogo profundo e importante para o desenvolvimento do personagem, este é um momento bastante significativo, e um dos melhores da temporada.

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Armadura diurna

Mas nem só de grandes diálogos e humor a série se faz. Como sempre, Castlevania conta com cenas de ação incríveis e cheias de violência. Uma delas acontece quando Striga, a guerreira entre o quarteto de governantes da Styria, reage ao ataque dos humanos em seu acampamento.

A armadura diurna da personagem não só é um toque muito interessante (pois faria todo sentido que uma general fosse tomar precauções quanto à sua fraqueza mais óbvia), como conta com um design incrível. A sequência de ação que ocorre daí em diante é bastante sangrenta. Mas é por finalmente vermos Striga em batalha que temos um dos melhores momentos da temporada.

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É hora de achar nosso próprio caminho

Outro grande momento protagonizado por Isaac é seu reencontro com Hector. A situação começa bastante tensa, visto que, desde quando se separaram, os dois estavam em lados opostos. Enquanto o primeiro permaneceu leal a Drácula, o segundo o traiu, ficando ao lado de Carmilla antes dela revelar seus planos para ele.

Aqui, o confronto parece inevitável. E, de fato, os dois precisam lidar com suas divergências, mas o fazem através de diálogo. Ambos demonstram o quanto cresceram em suas respectivas jornadas. Hector quer se entregar, considerando isso mais um passo para reparar o dano que causou anteriormente, mas o outro forjador demonstra, mais uma vez, toda a sabedoria que adquiriu ao longo do caminho.

Apesar de poderoso o suficiente para simplesmente acabar com aquele que vinha considerando como inimigo há tempos, Isaac escolhe seguir em frente. Isso é expandido em outro ótimo momento, que finaliza a trama do personagem. Além de uma excelente conclusão para este ponto da história, há uma grande mensagem sobre crescimento, perdão e a quebra do ciclo de violência no qual eles se encontravam há tanto tempo.

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Eu sou Carmilla da Styria e vão se f*der!

Carmilla protagoniza alguns ótimos momentos ao longo da temporada. Mesmo que brevemente, ela rouba a cena em sua conversa com Lenore, e sua presença é sentida em outros núcleos mesmo quando a vampira não está presente. Ainda assim, a cena que mais se destaca é a batalha que ela trava em seu próprio castelo, criando um rio de sangue com as criaturas noturnas que derrota.

Com uma ótima sequência de ação e uma trilha sonora que deixa tudo ainda melhor, o momento é bom do começo ao fim. Mesmo quando enfrenta Isaac, a vampira permanece imponente e mostra toda sua habilidade em batalha. O ponto principal que torna tudo ainda melhor, porém, é como a história da líder da Styria é terminada.

Ao invés de ser derrotada, refletir sobre seus erros ou se render, a antagonista permanece firme até o final, que é decidido por ela própria. Em uma temporada que dá tanta ênfase ao poder de escolha e ideais de cada um, Carmilla escolhe ser a responsável por como sua história termina. Uma conclusão mais que digna para a rainha da Styria.

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A reunião de Trevor, Sypha e Alucard

Um momento que todos estavam muito ansiosos para ver era a reunião do trio principal. Depois de trabalharem juntos ao longo da segunda temporada, a terceira mostrou Trevor e Sypha seguindo sua própria jornada enquanto Alucard permanecia atormentado (e solitário) no castelo de seu pai. Apesar do público esperar que eles se reunissem logo, isso só aconteceu no fim da quarta temporada.

Quando o momento chegou, no entanto, ele não deixou a desejar. Passando pelo portal que os leva diretamente para onde Alucard se encontra, o casal luta lado a lado com seu amigo mais uma vez.

É espetacular ver cada um deles em ação durante a batalha. Aqui, diversas habilidades que eles utilizam são referências aos jogos, e muitas apareceram poucas vezes ao longo da série. A animação é muito bem produzida, se destacando mesmo em comparação com outras grandes batalhas da temporada.

Mas há algo de ainda mais incrível em ver a dinâmica do trio por si só. Seu trabalho de equipe permanece sem igual, e os três lutam de maneira fluida e complementar. Apesar de separados por um tempo considerável, e de terem enfrentado situações bem terríveis nesse período, sua sintonia imediata é prova de quão forte o laço entre eles é.

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Batalha contra a Morte

Os fãs dos jogos de Castlevania vinham aguardando ansiosamente por uma participação da Morte na série animada. Na temporada passada, muitos especularam que este seria o real papel de Saint Germain, mas isso não aconteceu -- embora o personagem estivesse profundamente relacionado com trazer a Ceifadora para a trama.

Não é a revelação de que Varney, o vampiro londrino, na realidade é a Morte que realmente se destaca. O melhor momento do personagem é a batalha contra Trevor, com o castelo caindo em pedaços e deixando os dois isolados.

A cena é muito emocionante pelo que significa para Belmont, que está não apenas deixando as pessoas que ama a fim de protegê-las, como também assumindo seu lugar como parte de seu clã, levando sua história e nobreza adiante. É impactante vê-lo lutar dessa forma, principalmente sabendo de tudo que está em jogo. Pensar em seu princípio e testemunhar o resultado de sua jornada também torna tudo ainda mais significativo.

Mas o momento por si só é construído de modo incrível também em aspectos técnicos. A luta é feita de modo a evocar o sentimento dos videogames, colocando o personagem em frente a um inimigo sinistro e gigante que precisa ser derrotado pelos golpes certos. A separação de parte do castelo também constrói um visual de plataforma que torna essa sensação ainda mais forte. Como uma das melhores adaptações de jogos para filmes e séries, é ótimo ver essa homenagem à mídia original onde Castlevania surgiu.

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O nascer do sol

Muito das conclusões apresentadas pela série é sobre escolhas, e o que cada personagem decide para seu futuro. Isaac decide vivê-lo, construindo algo melhor sobre os erros do passado. Carmilla se recusa a ser derrotada, e promete aguardar no inferno por seus inimigos. E assim, mesmo as conclusões mais agridoces reforçam a importância de que a vida deve ser mais que apenas uma sequência de dias, e que nós que decidimos para onde seguir e como agir.

É o caso de Lenore e Hector. O forjador não tem os grandiosos planos de seu amigo, mas também demonstra seu desejo de viver. Ainda que busque um futuro pacífico após todo seu sofrimento, ele afirma que também pretende deixar um legado. Há beleza e valor nas coisas duradouras, como ele diz ter aprendido.

Para Lenore, no entanto, uma vida pacífica porém limitada como prisioneira não é o suficiente. Esse não é o futuro que ela escolheu, nem seria um com o qual ela estaria contente. E, diante disso, de todas as perdas que sofreu e de sua desilusão com o poder, a vampira decide dar um fim à sua longa vida.

O momento compartilhado pelos dois é emocionante. Apesar de triste, sua despedida é muito bonita, e merece seu lugar como um dos melhores momentos da temporada.

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Vila Belmont

Outra cena muito emocionante se dá após a grande batalha no castelo. Cerca de duas semanas depois, vemos os sobreviventes ainda ali, se estabelecendo de forma mais permanente ao invés de retornar à sua antiga vila. A tristeza causada por todas as perdas, no entanto, é sentida em peso quando Sypha entra em cena, pronta para seguir viagem sozinha.

Alucard vai falar com ela, o que rende uma conversa muito emocionante. O meio-vampiro tenta demonstrar seu apoio, mas a princípio Sypha insiste que precisa partir. A interação não é simplesmente um desabafo, nem conta com drama exagerado ou expositivo. O que funciona tão bem é que o diálogo parece real, com personagens relutantes ou tentando ser bem humorados e aliviar um pouco de toda a dor, mas também sinceros e emotivos quando deveriam ser.

Ver a amizade dos dois, o luto de Sypha, mas também a decisão de construir um futuro melhor para as próximas gerações é tocante. E é praticamente impossível não sentir pelos dois -- e não chorar -- quando eles decidem chamar a nova vila de Belmont.

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Lisa e Vlad Tepes

Por fim, não poderia faltar o retorno surpreendente de Drácula e Lisa. A série não explica exatamente o que aconteceu, já que anteriormente, no clímax da temporada, o que ocorre é uma tentativa de fundir ambas suas almas em um único corpo. Quando o plano é impedido, não vemos o casal desde então, até a revelação no final do último episódio, quando descobrimos que ambos retornaram do inferno.

A surpresa é muito bem-vinda. O pouco que vemos dos dois ao longo da série é excelente e dar ao casal mais oportunidades de desenvolvimento nas próximas produções que se passem no universo de Castlevania é uma boa escolha. Aqui, eles têm a chance de conversar sobre tudo o que aconteceu, mesmo que brevemente. Tudo que sofreram, o que fizeram, e até o sofrimento causado a Alucard claramente não deixa de afetá-los. Mas é seu papel no futuro que é realmente intrigante.

Drácula é um vampiro muito poderoso, e ficou claro que muitos desejam seu retorno. Ao mesmo tempo, Lisa é essencial em mantê-lo no eixo, mas já mostrou seu desejo de fazer a diferença para a humanidade. Seu retorno não parece despropositado e há muito que pode acontecer com os dois. Resta aguardar pela próxima série de Castlevania e ver o que o futuro trará para todos nós.

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Melissa de Viveiros

Editora. Graduanda em Letras na UFMG. Elfa noturna em Azeroth, Au'Ra em Eorzea, apoiadora da Casa Martell em Westeros, LoLzeira noxiana e grisha etherealki. Fã de coisas demais e sempre hiperfocada em algo diferente. || @windrunning_