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10 razões pelas quais você deve assistir a The Handmaid’s Tale!

Por Gus Fiaux

Prestes a retornar para sua segunda temporada, The Handmaid’s Tale foi um dos maiores sucessos do ano passado, contando uma história fria e intensa sobre um mundo distópico onde mulheres são tratadas de forma desumana e hedionda. Com comentários ferozes sobre o mundo atual, a série merece sua atenção.

E nesta lista, explicamos o porquê.

Aqui vão dez motivos para você assistir a The Handmaid’s Tale, e como a série é um retrato absurdo e poderoso sobre uma sociedade à beira do colapso, onde a razão e a humanidade perdem força para a religião e o poder corrompido do Estado.

Créditos: Divulgação

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Um clássico literário

Para começo de conversa, The Handmaid's Tale é uma obra inspirada em um dos maiores clássicos da literatura distópica de todos os tempos. Trata-se de O Conto da Aia, escrito por Margaret Atwood, uma autora celebrada que trouxe o feminismo em peso para a literatura de ficção. O título foi publicado recentemente no Brasil, pela editora Rocco.

Assim como outros clássicos tais quais 1984, Admirável Mundo Novo e Fahrenheit 451, o livro O Conto da Aia oferece uma perspectiva sombria e intensa sobre o futuro da humanidade, a partir de questionamentos que nos afligem no presente. Mas, diferente dos três outros títulos, aqui temos um ponto de vista feminino, pela forma como a mulher é tratada e representada na sociedade atual.

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Premissa assustadora

Mas afinal de contas, do que se trata a série?, você deve estar se perguntando. Pois bem, The Handmaid's Tale, assim como o livro que a inspirou, segue a história dos Estados Unidos após a instalação de um regime totalitário e teocrático, que vem após uma epidemia geral que deixa as mulheres inférteis.

Há quem tenha resistido à epidemia, e essas mulheres em questão são raptadas e levadas para campos de treinamento, onde se tornam Aias - que basicamente são escravas sexuais para famílias importantes que querem reproduzir. A história segue o ponto de vista de uma dessas mulheres, que foi tirada de sua família e obrigada a seguir essa nova ordem a custo de sua própria vida.

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Atuação à flor da pele

O elemento da série que mais merece aplauso, acima de tudo, é a qualidade da atuação. A protagonista June - renomeada Offred - é interpretada pela atriz Elisabeth Moss, que aqui mostra toda sua habilidade dramática em compor uma personagem complexa, densa e cheia de emoção reprimida devido às novas leis nas quais é forçada a se encaixar.

E ela definitivamente não é a única. Todos os outros atores e atrizes aqui presentes dão o melhor de si, compondo personagens únicos e ricos. Temos nomes como Yvonne Strahovski, Samira Wiley, Alexis Bledel, Ann Dowd, Joseph Fiennes e O.T. Fagbenle, todos conferindo uma vivacidade feroz para seus personagens. Não é à toa que a primeira temporada ganhou vários prêmios de atuação em cerimônias famosas, como o Emmy e o Globo de Ouro.

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Brilhantismo técnico

E a atuação definitivamente não é o único ponto favorável no que diz respeito aos quesitos técnicos. A série é brilhante do começo ao fim, com destaque na construção de mundo a partir do figurino, direção de arte e fotografia. A estética de The Handmaid's Tale é bem diferente de tudo que temos na televisão atualmente, o que a torna única.

E não pense que isso é tudo. Tanto a direção quanto a produção dos episódios é muito competente, tendo uma qualidade que não deve em nada às maiores super-produções da TV como Game of Thrones, Westworld e Stranger Things. É uma qualidade que mostra o potencial da narrativa contada de um ponto de vista visual, e não apenas de falas e ações.

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Construção de história

The Handmaid's Tale possui uma história única e densa, que se foca basicamente no presente de Offred, uma das Aias usadas como escrava de uma família rica, devido à sua fertilidade. Porém, o interessante aqui é como a série consegue fazer um uso bem consciente e apurado dos flashbacks para contar como o mundo se degradou até chegar nesse estado.

Diferente de boa parte das séries da atualidade, que usam flashbacks gratuitamente como um recurso genérico, The Handmaid's Tale consegue dar peso a esse tipo de cena, mostrando de fato as diferenças entre os Estados Unidos antes e depois do surgimento do Estado totalitário e teocrático.

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Claustrofobia compulsória

Aliás, justamente falando da densidade da série, precisamos mencionar o quanto ela é claustrofóbica e tensa, gerando um suspense muito profundo que só cresce a cada episódio, aliado ao intenso drama de Offred e as outras mulheres que são forçadas a trabalhar como Aias para famílias abastadas.

Tudo na série esboça a ideia de um regime opressivo e totalitário, algo que se comunica perfeitamente com alguns países do mundo atual. O exemplo mais marcante disso está no próprio uniforme das Aias, e na forma como a câmera as mostra para o público, sempre abaixo de um chapéu que esconde seu rosto e limita sua visão de mundo - como toda ditadura faz.

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Um universo ao redor

E ainda que seja muito focado na vida das Aias e seus dramas diários, a série também consegue mostrar lampejos do que está acontecendo no mundo ao redor, o que cria uma noção intensa de como os Estados Unidos acabaram se deteriorando de forma absoluta. Um episódio em especial da primeira temporada - o sétimo, intitulado The Other Side - ilustra isso com perfeição.

Somos apresentados à uma distopia profunda, mas há espaço para ver como o resto do mundo reage a essa decadência - já que, nesse tipo de ficção, nós normalmente só temos o lado de quem sofre com a situação vigente, e não necessariamente quem está de fora, observando à distância. Aqui, certamente não é o caso.

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Distopias e governos totalitários

Falando em distopias, a série é uma ótima pedida para quem gosta do gênero (sobretudo dos exemplos literários que apresentamos no primeiro item). É um estudo detalhado de outra forma de futuro opressivo e pessimista, onde a esperança, quando há, é mínima e está sempre sendo tirada das mãos das Aias.

Além disso, é um vislumbre crítico e intenso sobre regimes teocráticos e governos totalitários, com uma forte ênfase em como minorias políticas - nesse caso em específico, mulheres - acabam sofrendo em meio a esse tipo de governo. Por outro lado, a série também mostra um pouco das engrenagens manipuladas por quem está no poder.

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Uma série para te deixar na bad

Vamos a um item bem polêmico: The Handmaid's Tale é uma série que vai te destruir e vai te deixar muito, muito mal. E por que isso é bom? Porque nos faz experimentar e refletir sobre questões atuais, de forma muito intensa. É uma série que vai te chocar, e não tem medo de ser controversa, mas que vai entregar sua mensagem da forma mais clara possível.

Particularmente falando, minha experiência com a série foi bem difícil, mas muito proveitosa. Cada episódio era uma verdadeira aflição, e todos eles vinham com um doloroso soco no estômago. Ainda assim, é uma série que mostra, ainda que de forma exagerada, algo que já acontece atualmente, e que me fez mudar meu posicionamento sobre vários aspectos sociais - como toda boa ficção científica deveria fazer.

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A revolução começa já!

Outro motivo pelo qual você já deveria estar começando sua maratona de The Handmaid's Tale é justamente devido à segunda temporada da série, que está chegando nesta quarta-feira ao serviço de streaming da Hulu. No Brasil, a estreia deve demorar um pouco, já que a primeira temporada começou a ser exibida no mês passado no Paramount Channel.

Ainda assim, há motivos para se alegrar: a trama da segunda temporada vai se focar justamente na revolta contra a República de Gilead, com Offred e outras mulheres finalmente se rebelando. Já estamos preparados para um segundo ano arrasador e de partir o coração, mas que virá para mostrar a esperança florescendo nos lugares mais obscuros.

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux