Capa da Publicação

10 motivos pelos quais você deveria assistir Manto e Adaga!

Por Gus Fiaux

A mais recente aposta da Marvel para a televisão, Manto e Adaga está em uma crescente muito positiva, e já é tem das melhores temporadas de estréia na história das séries da franquia. A série conta a história de Tyrone Johnson Tandy Bowen, dois heróis com poderes muito… contrastantes.

Enquanto um domina a escuridão e pode se teletransportar através dela, a outra é capaz de produzir construtos de luz sólida. Mas a série vai muito além de poderes ou da dinâmica da dupla, e explora questões muito importantes do mundo real. Então, aqui vão 10 motivos pelos quais você precisa ver Manto e Adaga! 

Créditos: ABC

Imagem de capa do item

Qualidade técnica

Começamos essa lista já mencionando algo que sempre nos ressalta aos olhos quando começamos a ver uma nova série: o visual. Nesse caso específico, Manto e Adaga consegue ser diferente de tudo que já foi estabelecido no Universo Cinematográfico da Marvel, ainda que de uma forma familiar. A direção e a produção da série são sensacionais.

Embora (ainda) não tenhamos trajes heroicos extremamente fiéis aos quadrinhos ou vilões mirabolantes, a série não fica atrás de Agentes da S.H.I.E.L.D. ou Demolidor. Ela possui um estilo único e mais urbano e contemporâneo, que a torna bem interessante para quem gosta de uma fotografia bonita, por exemplo.

Imagem de capa do item

A música

Aliás, já que eu pude virar o Pernalonga de batom falando da fotografia da série, deixem-me apresentar outro elemento sensacional: a trilha sonora. Enquanto muitas séries usam músicas como pano de fundo, a trilha é incorporada a Manto e Adaga de uma maneira crucial, quase fazendo parte da história em si.

Curiosamente, as músicas não estão presentes na diegese da série, como em Luke Cage, por exemplo. Isso não significa que as canções não façam parte do desenvolvimento e construção dos personagens. E para quem curte um rap ouR&B mais contemporâneo, vai gostar de ouvir artistas como The Decemberists, Milck, Vonavi, Eve Nelson e The Phantoms

Imagem de capa do item

A cultura de Nova Orleans

Já vimos as aventuras de super-heróis se situando em locais icônicos, como Nova York, Los Angeles ou até mesmo Londres. Contudo, Manto e Adaga toma uma decisão bem diferente, e prefere explorar um local cheio de cultura, mas que normalmente é menosprezado pelo "gênero" dos super-heróis: Nova Orleans.

E não pense que a incorporação da cidade fica apenas na paisagem e no cenário. Pelo contrário, toda a cultura da Louisiana é bem explorada aqui, principalmente no cenário religioso. Note o contraste divino entre as igrejas católicas e os rituais de vodu. O mais interessante é que tudo isso é feito sem "vilanizar" e demonizar nenhum dos lados.

Imagem de capa do item

Temas socialmente relevantes

Assim como Luke Cage ou Jessica Jones, temos aqui uma série que não para sua trama apenas em torno de super-heróis e na utilização de seus poderes. Pelo contrário, Manto e Adaga é uma série que tem muita coisa a dizer sobre temas relevantes e impactantes, tanto do ponto de vista social quanto político.

A série discute uma miríade de temas, desde o racismo institucionalizado, que gera brutalidade policial a outros fatores não menos importantes, como a miséria nos Estados Unidos - que não é tão debatida em filmes e séries - e até mesmo o avanço predatório das corporações, que é algo que basicamente sustenta a premissa da primeira temporada.

Imagem de capa do item

Uma atualização em relação às HQs

Eu já devo deixar claro que, embora Manto e Adaga faça conexão com as HQs, não espere algo mega fiel e idêntico ao material fonte: e isso é ótimo! Embora as histórias dos personagens tenham sua legião fiel de fãs, não há como negar que elas vivem um ciclo e são muito presas ao saudosismo das décadas de 80 e 90.

A série sabe atualizá-los de maneira inteligente, incorporando-os na atualidade de uma forma orgânica e bem estruturada. Além disso, algumas das mudanças em relação à fonte ajudam a subverter os papéis dos personagens e também a quebrar alguns estereótipos prejudiciais das histórias originais, além de humanizar melhor os dois protagonistas.

Imagem de capa do item

Dando continuidade a uma história em aberto

O mais incrível sobre a trama de Manto e Adaga é que, apesar dela se estruturar de forma independente, não faltam ligações com outros filmes e séries do Universo Cinematográfico da Marvel. Se você parar para analisar de forma mais fria, a série é basicamente a consequência de uma trama em aberto de Agente Carter e Agentes da S.H.I.E.L.D..

Estou falando da Darkforce, a substância que foi apresentada na segunda temporada da série de Peggy Carter e que já se fez presente nas aventuras da turma de Phil Coulson. Esse é um elemento constante aqui - e que embora ainda não tenha sido muito bem explorado, terá um papel significativo para o futuro desses heróis.

Imagem de capa do item

Não é uma série isolada!

Puxando o gancho do item anterior, é importante ressaltar que Manto e Adaga é uma série que sabe se ligar ao restante do Universo Cinematográfico da Marvel, de uma forma bem orgânica e sem forçação de barra. Claro que você não deve esperar ver os Vingadores aparecendo, mas há conexões muito bem instaladas aqui e acolá.

Por exemplo, a Roxxon desenvolve um papel fundamental aqui, e é uma corporação que já dá as caras nesse universo desde Homem de Ferro 2. Além disso, há um easter-egg muito bem colocado que liga a série perfeitamente com a segunda temporada de Luke Cage, mostrando que outras séries podem sim se relacionar com a porção da franquia na Netflix.

Imagem de capa do item

Adolescente, mas nem tanto assim

Eu sei que muitos de vocês costumam achar que "teen" é um termo pejorativo e que qualquer série do tipo deve ser tratada com repulsa. Embora eu discorde, devo dizer que, apesar de ser uma "série teen", Manto e Adaga consegue ser muito mais adulta do que muitos produtos mais "maduros" por aí.

Com discussões sobre temas tão importantes, a série não segura a mão na hora de trazer alguns elementos bem pesados. Você vai ver personagens usando cocaína - e não só os vilões -, além de momentos bem sérios de violência e brutalidade. Mas nada disso é gratuito, e só serve para compor o cenário trágico onde vivem esses personagens.

Imagem de capa do item

Não há heróis e nem vilões

Embora faça parte do "gênero" dos super-heróis, como muitos de vocês gostam de definir, Manto e Adaga já estabelece sua própria individualidade por ser bem diferente de qualquer outro filme e série do tipo. E isso começa de um ponto básico: na série, não há um herói ou um vilão bem definido.

Todos os personagens são muito ambíguos e transitam em diferentes escalas de cinza, desde os "heróis" protagonistas aos "vilões". Isso acaba trazendo mais humanidade a eles, e nos proporciona uma visão bem menos unidimensional. Nesse sentido, destaque para Tandy Bowen, a Adaga, que é mais uma anti-heroína do que uma heroína propriamente dita.

Imagem de capa do item

Os protagonistas

Pode parecer simples e piegas, mas é a mais pura verdade: o maior charme e qualidade de Manto e Adaga reside eternamente em seus protagonistas, Tyrone Johnson e Tandy Bowen, vividos com maestria por Aubrey Joseph e Olivia Holt, respectivamente - o que, de forma alguma, significa que os demais atores não são bons ou a par da dupla principal.

Embora jovens, os dois atores possuem uma química inigualável, e são ótimos na atuação dramática, trazendo momentos realmente emocionantes para a série. Vale a pena conferir a série só pelo trabalho da dupla, que conduz a trama muito bem, e que - quem sabe? - pode dar a cara em projetos futuros, como a segunda temporada de Fugitivos, talvez?

Imagem de perfil
Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux