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10 motivos pelos quais os fãs estão desanimados com o Universo dos X-Men nos cinemas!

Por Gus Fiaux

Embora tenha sido uma das franquias pioneiras no despertar dos filmes de super-heróis contemporâneos, Universo dos X-Men está cada dia menos em questão entre os fãs, que aguardam ansiosamente o acordo entre Fox Disney para poderem ver os mutantes nos filmes do Universo Cinematográfico da Marvel.

Mas afinal, o que causou essa decadência? O que torna o universo mutante da 20th Century Fox menos interessante para o público fidelizado por grandes aventuras de quadrinhos nos cinemas? E, nessa altura do campeonato, há um retorno? Confira aqui alguns motivos que deixam os fãs bem desanimados com os filmes dos Mutantes.

 

Créditos: Divulgação
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O medo de se assumir como uma adaptação de histórias em quadrinhos

Quando os filmes dos heróis mutantes surgiram pela primeira vez, na virada do milênio, o mundo ainda não estava acostumado com a ideia de que os cinemas poderiam representar bem toda a breguice e o estilo de uma história em quadrinhos. Porém, mesmo após provas de que isso não era verdade, como Os Vingadores ou Mulher-Maravilha, os X-Men continuam vivendo como se ainda fosse 2001.

Todos os filmes dos X-Men parecem ter medo de assumir sua origem nas HQs, sempre apelando para um viés mais "realista". Até mesmo X-Men: Apocalipse, que é o mais quadrinesco de todos, ainda parece não saber como aproveitar todo seu potencial, sempre deixando o lado mais "fabuloso" da equipe mutante apenas como gancho pra continuações.

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Eu já vi isso antes, não vi?

Sejamos sinceros: se pararmos para analisar friamente o conjunto de toda obra do Universo dos X-Men, veremos que todos os filmes da franquia principal têm a mesma trama e um desenvolvimento de personagens que não sai da superfície. E isso é frustrante, porque parece que estamos vendo o mesmo filme de novo e de novo, apenas com uma roupagem diferente.

Me diga: quantas vezes você já viu uma trama onde os X-Men precisam enfrentar um vilão colossal; Magneto se "alia" a eles em algum momento, mas por boa parte da história, acaba voltando a fazer maldades; temos novos personagens que sumirão no próximo filme e, em algum momento, Jean Grey como Fênix será um elemento importante? Parece familiar para você?

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A rica mitologia esquecida no churrasco

Aliás, por conta dessa incessante repetição de tramas e temas, os filmes parecem nunca ir para frente - mas principalmente, muito material importante e interessante dos quadrinhos, que nunca foi adaptado antes, nunca vai sair do papel. E isso é um ultraje quando falamos de uma mitologia tão rica e poderosa quanto a dos X-Men.

Pegue, por exemplo, arcos excepcionais dos quadrinhos, como Inferno, Programa de Extermínio, Atração Fatal, Trilogia do Messias ou mesmo O Cisma. Essas histórias não devem ser adaptadas nessa franquia nem hoje e nem nunca, e a única chance que temos de vê-las nos cinemas é quando os herói mutantes passarem para as mãos da Marvel Studios.

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Universo compartilhado de Taubaté

Outro fator importante a ser lembrado aqui diz respeito justamente à forma como esse universo cinematográfico se "estabeleceu": de maneira desorganizada e sem planejamento. Isso torna muito difícil, por exemplo, a realização de um crossover como Os Vingadores ou Liga da Justiça, sendo o único exemplo bem-sucedido disso na franquia X-Men: Dias de um Futuro Esquecido.

A verdade é que não há uma integração entre histórias e personagens, nem mesmo de um filme para o outro. É difícil ficarmos animados com retornos de personagens importantes, quando essa presença não é trabalhada de forma a extrair o melhor dos heróis, e sim para torná-los apenas uma conveniência de roteiro para um momento específico, como X-Men: Apocalipse demonstra ao longo de suas mais de duas horas.

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O que há de melhor da franquia nem é valorizado

Por outro lado, o Universo dos X-Men tem pontos positivos surpreendentes: as franquias que não são relacionadas diretamente aos X-Men! Exatamente, Deadpool, Logan e possivelmente Novos Mutantes, apesar de tocarem na história dos Filhos do Átomo apenas tangencialmente, geram muito mais interesse e repercussão para o universo como um todo.

O problema é que essas franquias sequer são reconhecidas pela saga principal dos mutantes. Nunca tivemos um indício do futuro do terceiro filme do Wolverine, ou até mesmo da existência do Mercenário Tagarela. O mesmo pode ser dito sobre Legion e The Gifted, que por passarem na TV, são ainda mais esquecidos no rolê.

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Cronologia? Não conheço

Falar da cronologia do Universo dos X-Men é chutar cachorro morto. E ainda assim, eles nunca escutam. Os filmes, analisados como parte de uma franquia maior, simplesmente não fazem o menor sentido - e por questões que realmente não conseguimos entender, como personagens rejuvenescendo magicamente e acontecimentos sendo ignorados nos longas seguintes.

Eles até tentaram corrigir tudo com Dias de um Futuro Esquecido, mas o resultado final acabou confundindo ainda mais o público. O ideal mesmo seria continuar apenas com os spin-offs e franquias paralelas, já que eles não exigem nenhum senso real de cronologia e conseguem representar os X-Men de uma forma muito melhor.

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Personagens tão profundos quanto uma poça d'água

Ciclope, Jean Grey, Homem de Gelo, Tempestade, Colossus... esses são apenas alguns dos nomes que já passaram pela franquia mutante nos cinemas. Sem contar com inúmeros vilões e coadjuvantes que sempre compuseram a mitologia ao redor deles, de forma grandiosa e importante. E ainda assim, ao longo de seis filmes até agora, nenhum deles sequer teve algum aprofundamento.

Os personagens vivem sendo superficiais e rasos. Mesmo a trama inserida para os jovens mutantes em X-Men: Apocalipse não passa de pano de fundo para a trama principal, que envolve um vilão megalomaníaco e que também não é desenvolvido. É até triste perceber que até a série animada da década de 90 fazia mais jus a esses personagens que toda uma franquia cinematográfica.

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Super-heróis? Não, super-celebridades!

Aliás, boa parte disso mencionado no item anterior acontece por um fator desgastante e degradante: a franquia está pouco interessada em seus personagens, mas sim em atores famosos. Os exemplos são muitos, mas o mais óbvio deles é a Mística de Jennifer Lawrence, que logo foi toda desvirtuada e descontextualizada para poder se encaixar no "porte" (e no Oscar) da atriz.

Isso é frustrante, porque não há um respeito claro pelos personagens aqui. O que importa são as pessoas ligadas a ele, e isso significa que eles não precisam traçar um mínimo de fidelidade ou respeito ao material original. É um universo onde ser uma celebridade é o maior super-poder que um herói pode ter.

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Esses dois

Bryan Singer e Simon Kinberg podem ter sido muito importantes para estabelecer a franquia dos X-Men nos cinemas, e sem eles, realmente não teríamos alguns momentos brilhantes que compuseram essa saga até aqui. Mas a verdade é que os dois também estão envenenando os Filhos do Átomo nos cinemas.

A Fox precisa aprender que eles não são os únicos dignos de trabalhar com esses heróis. Inclusive, é só notar que, nos últimos cinco anos, os melhores filmes dos X-Men foram justamente os que não contaram com o envolvimento deles. Após as acusações de abuso, Singer já parece ter sido deixado de fora da série, mas Kinberg, mesmo tendo dirigido as horríveis refilmagens de Quarteto Fantástico, está lá pleníssimo na direção de X-Men: Fênix Negra.

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Na boca da raposa

Por fim, voltamos a uma tecla que já está sendo batida há quase vinte anos: o maior problema por trás do Universo dos X-Men nos cinemas e o que tem feito a franquia ficar parada no tempo é justamente a interferência do estúdio. Desde o início, foi justamente essa inserção forçada da Fox que provocou problemas para os Filhos do Átomo.

Tome como exemplo recente Novos Mutantes. De acordo com os rumores, o diretor Josh Boone sempre quis fazer um filme de terror. O estúdio não deixou, mas mesmo quando já estava pronto, divulgou como se fosse um terror. Os fãs amaram a ideia, e junto do sucesso de IT: A Coisa, eles adiaram o filme por mais de um ano para que, só assim, fosse feito um longa de terror. Se eles prestassem atenção aos desejos dos cineastas - e dos fãs - desde o início, nada disso precisaria acontecer dessa forma.

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux