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10 Filmes que tinham tudo para dar errado, mas deram certo (ou quase)!

Por Raphael Martins

Já dizia a lei de Murphy, reconhecida e respeitada por todos: “Se uma coisa tiver a mínima probabilidade de dar errado, ela dará.” Mas às vezes, só às vezes, acaba dando tudo certo, apesar do caminho desastroso ou do fracasso inicial da empreitada.

Nessa lista, vamos relembrar de alguns filmes que, apesar dos pesares, acabaram dando certo mesmo com tudo dando errado, sendo lembrados pela posteridade e lotando salas de cinema a cada re-exibição. Simbora!

Star Wars

Parece impossível imaginar isso hoje em dia, mas o primeiro Star Wars prometia ser um fracasso monumental. A equipe de produção trabalhava sob efeito de entorpecentes, os atores não levavam o roteiro a sério, as pessoas faziam piada com Chewbacca e o penteado da princesa Leia depois de ver o trailer e o primeiro corte do filme teve que ser completamente reeditado, para o desespero de George Lucas.

Como se não bastasse, uma grande tempestade de areia, a maior da Tunísia em 20 anos, havia destruído completamente o set que representava Tatooine. George Lucas quase teve uma estafa com tudo isso, e tinha tanta certeza de que o filme fracassaria que viajou para o Caribe para não ter que ir na estreia.

Todos vocês sabem como essa história termina: Star Wars foi um sucesso colossal, que dura até hoje sem sinal de que vá parar tão cedo.

The Room (2003)

Escrito, produzido, dirigido, estrelado e financiado por Tommy Wiseau, The Room é um desastre em todos os sentidos. As atuações são dignas de uma peça escolar, os diálogos e situações são tão sem sentido que chegam a ser engraçados, e o pior (ou melhor) de tudo, é que esta é uma produção que se leva muito a sério.

O filme foi um fracasso nas bilheterias, mas tão logo o boca-a-boca sobre o quanto ele era ruim se espalhou, ganhou status de cult, milhões de fãs fervorosos e lançou Tommy Wiseau à fama... ou à infâmia. A história sobre a conturbada produção de The Room foi contada no premiado filme O Artista do Desastre, com James Franco.

The Room é reexibido até hoje em alguns cinemas espalhados pelos Estados Unidos, sempre com sessões lotadas de fãs, que assistem declamando todos os diálogos de cór e salteado.

As Branquelas (2004)

Dois policiais atrapalhados perdem um caso importante envolvendo o sequestro de duas patricinhas, mas decididos e resolvê-lo e mostrar do que são capazes, se disfarçam como elas e passam a viver suas vidas, saindo com suas amigas e se metendo em situações mega constrangedoras. Parece um desastre, certo? Mas não é.

As Branquelas se tornou um clássico da comédia pastelão e até hoje gera boas risadas, embora a crítica o tenha atacado impiedosamente e de ter uma nota de apenas 15% no Rotten Tomatoes. Parece bastante injusto para um filme onde você pode ver o Terry Crews performando "A Thousand Miles" da cantora Vanessa Carlton.

Anaconda (1997)

Imagine a temporada de verão americana, onde os filmes mais aguardados do ano são lançados. Só que todos eles são muito ruins. Assim eram os anos 90, onde todo verão era certeza irmos assistir aos melhores piores filmes do mundo.

Um desses filmes "tão ruim que é bom" é Anaconda, onde uma Jennifer Lopez da fama, acompanhada de Ice Cube, Owen Wilson, Danny Trejo e outras estrelas se perdem na selva amazônica e precisam encarar uma cobra brasileira gigante feita com uma mistura de boneco de cera e CG ruim.

Apesar das críticas da produção conturbada, com problemas com Jennifer Lopez e com o animatrônico da cobra, que se recusava a funcionar, o filme foi um grande sucesso, especialmente no Brasil, e gerou várias sequências.

Sharknado (2013)

A The Asylum é uma produtora de filmes americana conhecida por suas produções capengas, cópias de outros sucessos do cinema e enredos totalmente sem noção. Cada filme deles é uma pérola diferente, mas nenhum se compara a Sharknado, seu maior sucesso.

No filme, um tornado passa por cima do oceano pacifico e leva um monte de tubarões junto, resultando em um furacão feito de tubarões. Ele passa pela cidade de Los Angeles, fazendo chover tubarões sanguinários em cima da pobre população, que tenta sobreviver. Os atores ficaram tão constrangidos com o roteiro que por pouco não desistiram de atuar no filme.

Por mais incrível que pareça, a crítica amou Sharknado e o público mais ainda, levando a The Asylum a produzir várias sequências, uma mais viajada que a outra.

Godzilla (1954)

O rei dos monstros foi criado nos anos 50 por Ishiro Honda e Eiji Tsuburaya - que anos mais tarde criaria o herói Ultraman - para contar uma história de terror e ficção científica com fortes críticas ao armamento nuclear e à industria da guerra. E deu certo.

Mas poderia ter dado muito errado. Os produtores originalmente queriam que Godzilla fosse feito através de stop motion, mas isso demandar um tempo e um dinheiro que eles não tinham. Então, tiveram que construir vários sets das cidades em miniatura, que seriam destruídos por um dublê vestido como o monstro. Eles tinham apenas uma chance de fazer as cenas funcionassem, porque não tinha como construir outro modelo uma vez que ele fosse destruído.

Godzilla se tornou um clássico da ficção científica e ajudou a criar o tokusatsu como o conhecemos.

Breakdance (1984)

Feito pelo saudoso estúdio Cannon, até hoje lembrado por produções de baixo orçamento que se tornaram grandes clássicos, Breakdance era quase um musical, mas girava em torno do Hip Hop, que começava a conquistar as paradas americanas e se tornava cada vez mais popular. Mas foi uma produção que enfrentou problemas.

Ao saber que um outro estúdio também iria lançar um filme sobre Hip Hop naquele ano, os donos da Cannon Films, conhecidos por serem completamente loucos, pressionaram a equipe de produção a terminarem todo o filme num prazo de tempo apertadíssimo, para poder estrea-lo antes do filme rival. E o pior: a atriz Lucinda Dickey, que fazia a mocinha do filme, não conseguia fazer um único movimento de break sequer.

Mas o filme foi um enorme sucesso, ultrapassando até mesmo o clássico Gatinhas e Gatões, de John Hughes, nas bilheterias.

Falcão: O Campeão dos Campeões (1987)

Esse clássico absoluto da Sessão da Tarde quase não aconteceu, e mesmo depois de pronto, foi duramente massacrado pela crítica e fracassou nas bilheterias. Mas é lembrado com muito carinho por muita gente, que considera este filme uma pérola subestimada.

O drama do caminhoneiro Lincoln Hawk, que precisa reconquistar o amor do filho entre uma disputa de queda de braço e outra, quase não teve Sylvester Stallone no papel principal. Na época o ator estava no auge da popularidade da franquia Rocky, de modo que não foi fácil para a sempre sem grana Cannon Films contratá-lo.

Braddock: O Super Comando (1984)

Imortalizado pelo lendário Chuck Norris, o personagem Braddock protagonizou três filmes, todos produzidos pela Cannon Films. Mas em se tratando desse estúdio, é claro que tem um porém.

Os dois primeiros filmes foram gravados ao mesmo tempo, como um épico de guerra. Mas por algum motivo que só Menahem Golam e Yoram Globus, os donos do estúdio, podem explicar, eles lançaram o segundo filme como se fosse o primeiro e o primeiro como se fosse o segundo, estragando todos os planos iniciais do diretor Joseph Zito e frustrando Chuck Norris de uma maneira que seria perigosa demais para qualquer um de nós sequer cogitar.

O primeiro filme foi um dos maiores sucessos da história do estúdio, transformando-se num clássico do gênero "exército de um homem só".

Plano 9 do Espaço Sideral (1959)

Ed Wood é lembrado até hoje como o pior diretor que já existiu. E Plano 9 do Espaço Sideral é o pior filme de sua carreira. Sentiram o nível da coisa?

O negócio é tão zoado que em vários momentos do filme você vê os microfones aparecendo, os cenários de isopor se quebrando e até mesmo o quiroprático pessoal de Wood fazendo de conta que é o ator Bela Lugosi em seu papel, impedido de aparecer por ter morrido durante a produção.

Mas assim como The Room, este filme é amado de todo o coração por milhões de pessoas pelo mundo e lota qual quer que seja o lugar onde estiver sendo exibido. E isso é tão verdade que aqui estamos nós falando sobre ele, mais de 50 anos depois.

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Raphael Martins

Redator, apresentador e roteirista. Gosto de longas caminhadas na praia, Star Wars, tokusatsu, anime e filé com batata frita. Deixo as pessoas constrangidas. Você pode trocar uma ideia comigo no Twitter: @aqueleraphael