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10 filmes brasileiros de horror e suspense que você precisa assistir!

Por Gus Fiaux

Por mais que o terror não seja lá o gênero mais comercial da produção de filmes nacionais, isso não significa que o Brasil não investiu nesse tipo de cinema. Com ícones como Zé do Caixão, nossa filmografia para o horror, o medo e a morte é até bem interessante.

Pensando nisso, selecionamos dez filmes de terror e suspense genuinamente brasileiros, com momentos de arrepiar a espinha ou embrulhar o estômago. Então, se você gosta desse tipo de filme, prepara a pipoca – mas deixa a Bíblia e o terço do seu lado… talvez você precise!

Créditos: Divulgação

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Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (1967)

Como já mencionamos no item introdutório, Zé do Caixão é um dos maiores ícones do horror nacional. Com pouco orçamento e enfrentando a censura da ditadura militar, José Mojica Marins conseguiu produzir um personagem inconfundível em produções que abraçam o trash da melhor maneira possível.

Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver é o segundo filme da trilogia do Zé do Caixão, mas é também o filme mais completo da saga, já que é quase um "reboot" dos eventos do primeiro. Além disso, há uma sequência que mostra um inferno colorido, em contraste com o preto-e-branco do resto do longa, e que facilmente é um dos momentos mais geniais da carreira do cineasta.

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Gêmeas (1999)

Qualquer filme que adapte a obra de Nelson Rodrigues deve conter um pouco de estranheza e de lascívia, e Gêmeas não é diferente. O suspense sensual protagonizado por Fernanda Torres - atuando brilhantemente em dois papéis distintos - conta a história de duas irmãs batalhado pelo mesmo homem.

O interessante aqui é como a relação das duas - de cumplicidade - aos poucos vai se deteriorando, transformando-se em uma obsessão doentia. Para melhorar, o elenco do longa ainda é repleto de nomes consagrados do cinema nacional, como Matheus Nachtergaele, Francisco Cuoco e a própria mãe de Fernanda Torres, nosso ídolo Fernanda Montenegro.

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O Lobo Atrás da Porta (2013)

Falando em suspenses, em 2013 fomos premiados com O Lobo Atrás da Porta, um dos longas nacionais mais sufocantes dos últimos anos. A história não possui fantasmas, demônios ou criaturas do além, mas acaba abordando algo ainda mais assustador: a frieza do ser humano diante de situações macabras e revoltantes.

A história, que é baseada no caso da Fera da Penha (um acontecimento real da década de 60), segue uma mulher chamada Rosa, que é investigada pelo desaparecimento de uma criança, filha de Bernardo e Sylvia. Aos poucos, a trama vai se revelando como uma boneca russa, mostrando contornos assustadores e diabólicos.

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Quando Eu Era Vivo (2014)

Dirigido por Marco Dutra, que posteriormente realizou longas como o elogiado As Boas Maneiras - ao qual aliás, cabe uma menção honrosa na lista - Quando Eu Era Vivo é um filme estranho, mas não de uma maneira ruim. O filme conta com um elenco surpreendente, desde Antônio Fagundes a Sandy - ela mesma, a cantora.

No filme, um homem retorna para a casa de seu pai após terminar seu casamento. Ao chegar lá, no entanto, ele percebe que as coisas estão bem diferentes e começa a desenvolver uma obsessão sinistra pela história de sua família. Uma das roteiristas do filme é Gabriela Amaral, que dirigiu um dos próximos longas desta lista.

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As Fábulas Negras (2015)

O folclore brasileiro é recheado de lendas impressionantes e, ao mesmo tempo, assustadoras. Dito isso, é incrível pensar que demorou até As Fábulas Negras para que alguém transformasse alguns dos nossos mitos mais clássicos em histórias de horror. E aqui, temos uma antologia dirigida por ícones do horror nacional, como Rodrigo Aragão e Zé do Caixão.

O filme se desdobra em cinco curta-metragens, cada um dirigido por um cineasta diferente. Nas histórias, vemos algumas peças folclóricas clássicas, como o Saci, o Lobisomem e a Iara - mas também há espaço para algumas lendas urbanas de arrepiar a espinha, como é o caso da Loira do Banheiro.

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O Rastro (2017)

Se você gosta de thrillers psicológicos como Ilha do Medo e Fragmentado, talvez esse seja o filme ideal para você: O Rastro é sobre um médico que coordena a transferência de pacientes de uma clínica psiquiátrica. Sua vida se complica quando Julia, uma das pacientes internadas, desaparece sem deixar rastros.

O filme apela para um suspense mais psicológico, e isso acabou o prejudicando na época de seu lançamento, já que o marketing o vendeu como um terror pesado - o que ele definitivamente não é. É um longa interessante, que vale a conferida por se enquadrar num mercado mais mainstream.

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O Nó do Diabo (2018)

De muitas formas, a escravidão pode ser narrada como uma história de terror. E é justamente isso que O Nó do Diabo faz. O filme antológico traz cinco contos, cada qual ambientado em uma época diferente ao longo de duzentos anos, mostrando como a herança cultural do período colonial ainda é devastadora e perigosa.

Nas cinco histórias, acompanhamos pessoas negras sofrendo seus piores pesadelos nas mãos de um único Senhor do Engenho, enquanto somos acometidos em uma viagem pelas lavouras, senzalas e quilombos. É um longa devastador, que mescla bem aspectos históricos com alguns elementos sobrenaturais, revelando o horror por trás do racismo.

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O Animal Cordial (2018)

Longa de estreia da cineasta Gabriela Amaral, o thriller O Animal Cordial transita sem parar entre o suspense e o horror, gerando uma perspectiva única. Na trama, acompanhamos uma noite em um restaurante, que logo se torna o inferno quando bandidos o invadem, fazendo clientes e trabalhadores de reféns.

Porém, engana-se quem pensa que eles são o maior perigo - e o filme é uma abordagem clara disso, mostrando que em momentos de urgência, qualquer humano abraça seu lado bestial. O destaque vai para as impressionantes atuações de Murilo Benício, Luciana Paes e Irandhir Santos. Bom filme para quem adora gore e sangue escorrendo solto.

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O Segredo de Davi (2018)

Quem acompanha o galã Nicolas Prattes por sua carreira em novelas nem sequer imagina que ele interpretou um assassino em série em O Segredo de Davi, longa lançado no ano passado. Com direção de Diego Freitas, o longa segue a história de Davi, um estudante de cinema com um passado bem obscuro.

O longa mergulha profundamente na psiquê do serial killer, mostrando sua relação disfuncional com seus vizinhos e com colegas da faculdade. Além disso, temos também algumas sequências mais oníricas, que deixam difícil distinguir o que é realidade e o que é apenas loucura da cabeça de Davi, enquanto ele parte para matar.

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A Mata Negra (2018)

Nada mais justo do que começar uma lista com Zé do Caixão e terminá-la com Rodrigo Aragão, o grande "sucessor" do mestre do horror brasileiro. Após anos produzindo filmes mais independentes e quase caseiros, o cineasta conseguiu lançar sua produção mais profissional: A Mata Negra, um longa sobre uma menina que acaba em posse de um livro demoníaco.

Em vez de se prender a um único arco de história, o longa deriva de uma série de acontecimentos soturnos que a jovem Clara precisa enfrentar, sempre com a Morte à sua espreita. É o trash em sua mais pura forma - e o longa ainda termina com um gancho maravilhoso para uma sequência, que ainda esperamos que seja produzida.

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux