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10 diretores para quem gosta de filmes estranhos!

Por Gus Fiaux

O cinema é muitas coisas. É um local para se emocionar, se divertir, se assustar e até mesmo sentir raiva. Contudo, existem alguns filmes que não se encaixam em nenhuma categoria, pelo simples fato de serem absolutamente bizarros.

E alguns diretores conquistaram fama e influência justamente por fazerem esse tipo de filme. Alguns dos cineastas mais aclamados se renderam ao surrealismo, ao absurdismo e ao abstratismo para realizarem suas obras. E aqui você encontra 10 diretores para quem gosta de filmes estranhos!

Créditos: Divulgação

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Yorgos Lanthimos

Dentre os diretores desta lista, Yorgos Lanthimos está se tornando um dos mais populares, por trazer suas obras em encontro ao cinema mainstream. O cineasta grego já produziu diversos longas-metragens e ganhou o reconhecimento do Oscar, com O Lagosta sendo indicado a Melhor Roteiro Original e A Favorita recebendo a indicação de Melhor Filme.

Nos longas de Lanthimos, temos uma crescente sensação de desconforto e estranhamento, como se algo estivesse fora do lugar que deveria. O exemplo mais gritante disso talvez seja O Sacrifício do Cervo Sagrado, filme que mostra o desmoronamento de uma família após entrar em contato com um menino misterioso.

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Spike Jonze

Por outro lado, Spike Jonze também é conhecido pela criatividade em seus filmes, sempre traçando histórias brilhantes e originais, mas sem perder um toque do surreal. Dono de obras icônicas como Onde Vivem os Monstros e Adaptação, ele é conhecido por seus personagens charmosos e, ao mesmo tempo, desatrelados da realidade.

Seu grande sucesso inicial veio com Quero Ser John Malkovich, um filme totalmente focado na mente do ator homônimo. No entanto, se pararmos para pensar em um grande marco de sua carreira, podemos falar de Ela, um romance agridoce sobre um homem solitário que se apaixona pela inteligência artificial de seu smartphone.

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Darren Aronofsky

Um diretor com uma forte veia dramática para o horror e para o teatral, Darren Aronofsky é um nome controverso, por conta de seus longas recheados de subtexto religioso e de análises detalhadas sobre o impacto da violência, do sexo e das drogas. Não é à toa que Réquiem Para um Sonho é lembrado até hoje.

Com o passar do tempo, ele produziu obras ainda mais complexas, como o aclamado Cisne Negro, que trata sobre a loucura de uma artista. O grande divisor de águas de sua filmografia é Mãe!, um filme cheio de alegorias que fala sobre a relação entre Deus, a mãe natureza e a Terra, e como o ser humano é um ser destrutivo.

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Ken Russell

Outro cineasta que adora uma polêmica religiosa é o britânico Ken Russell. Em sua carreira, ele causou controvérsias por seu estilo excêntrico e seus filmes que sempre desafiam a percepção do público. O mais famoso de sua carreira é Os Demônios, que fala sobre um convento sendo seduzido pelo Diabo - o que rendeu ao diretor uma censura da Igreja Católica.

Além disso, sua carreira é pontuada por outros filmes que também questionam crenças e limites éticos, como Lisztomania, Viagens Alucinantes e Gothic, filmes que tangenciam assuntos delicados como desejo sexual reprimido, consumo desordenado de drogas e medo do próprio medo.

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Terrence Malick

Se Russell costuma desafiar a percepção de seu público, isso sequer chega aos pés do que Terrence Malick faz com seus filmes, carregados de simbologia, alegorias filosóficas e divagações de pensamento. Claro que, com tudo isso, sua obra mais conhecida é A Árvore da Vida, que é um show de estranheza e abstração.

Mas outros de seus filmes também puxam nichos diferentes para criarem seus próprios contextos. Em De Canção em Canção, ele fala sobre os prazeres da música, enquanto Cavaleiro de Copas é uma análise um pouco mais impessoal a respeito do amor. Ainda assim, há quem diga que o experimentalismo de seus filmes não passa de pedantismo.

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David Cronenberg

Considerado um mestre do horror corporal, o gênio David Cronenberg pode até ter começado a produzir filmes mais "normais" nos últimos anos, mas sua carreira se fundou, na década de 80, ao produzir filmes de horror escatológicos que mergulham na loucura humana a partir da destruição, mutilação e degradação do corpo.

Cheio de uma imagética grotesca e sanguinária, os filmes de Cronenberg também trazem discussões sobre a tecnologia dentro do contexto social humano. Entre os grandes exemplos, temos Gêmeos: Mórbida Semelhança, Scanners: Sua Mente Pode Destruir, Videodrome: A Síndrome do Vídeo e o icônico A Mosca.

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John Waters

Conhecido por alguns como o "Papa do Trash", John Waters sempre se apropriou de uma linguagem brega e cafona, transformando-a em algo a mais. Seus filmes são recheados de camp (uma gíria inglesa para algo exagerado), transgressão e até mesmo escatologia. Não é à toa que sua musa era a subversiva drag queen Divine.

Seu longa mais famoso talvez seja Pink Flamingos, um filme bizarro sobre uma família ainda mais esquisita. Mesmo depois que fez uma transição para o cinema mais mainstream, com Hairspray: E Éramos Todos Jovens, ele ainda reteve alguns elementos muito distintos, tornando-se um diretor que pegava baixos orçamentos e transformava em grandes loucuras.

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Luis Buñuel

Famoso por sua parceria com o pintor surrealista Salvador Dalí, o cineasta espanhol Luis Buñuel revoltou a Europa com seus filmes - e olha que o continente sempre foi bem mais aberto ao cinema "de arte". Em suas obras, Buñuel sempre tangenciava o abstratismo, especialmente no seu filme mais conhecido, Um Cão Andaluz.

Nesse curta-metragem de 1929, temos uma das cenas mais chocantes da história do cinema, quando uma mulher tem seu olho "rasgado" por uma navalha. Posteriormente, Buñuel produziu filmes que tocariam em temas oníricos e na lógica do subconsciente, além de travar alguns embates sobre a opressão religiosa.

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Alejandro Jodorowsky

Em segundo lugar, um grande mestre não poderia ficar de fora. Nascido no Chile, Alejandro Jodorowsky possui uma arte que é um reflexo vivo de sua própria vida. Considerado um alquimista e estudioso em artes esotéricas, ele sempre produziu filmes com um teor mais vanguardista, sempre elaborando grandes epopeias surrealistas.

Entre seus longas mais aclamados, temos El Topo, uma espécie de faroeste da contracultura. Sua obra máxima não é outra se não A Montanha Sagrada, uma fantasia produzida por John Lennon e Yoko Ono. Por fim, vale lembrar que o cineasta quase produziu uma adaptação de Duna, um dos maiores clássicos da ficção científica.

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David Lynch

Em primeiro lugar, está o cineasta que mais conseguiu transformar o absurdo em pop. Desde o início de sua carreira, David Lynch produziu obras hipnotizantes e enigmáticas, como Eraserhead, uma ficção sobre o pavor da paternidade. Daí em diante, sua carreira só se tornou mais absurda, conforme o autor enveredava pelo misticismo em sua vida pessoal.

Tendo criado filmes memoráveis como Cidade dos Sonhos, O Homem Elefante e Veludo Azul. No entanto, sua criação mais icônica foi a série de TV Twin Peaks, que narrava a investigação por trás do misterioso assassinato de uma adolescente, resultando em revelações assustadoras e ainda mais desconcertantes.

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux