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10 Coisas que você precisa saber sobre a franquia Hellraiser!

Por Gus Fiaux

Esqueça Freddy Krueger ou Jason Voorhees. O nome do horror que você precisa temer é Pinhead, o líder dos Cenobitas! Criada por Clive Barker, a franquia Hellraiser já é famosa nos cinemas, mas também possui uma grande expansão nos livros e até mesmo nos quadrinhos.

Então, se você tiver a coragem de abrir a Caixa de Lemarchand e embarcar em uma jornada pelos confins do prazer e do sofrimento eterno, esta lista é para você, já que aqui você pode conferir 10 coisas que precisa saber sobre Hellraiser e a mitologia infernal de Clive Barker!

Créditos: Divulgação

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Criador e criatura

Hellraiser foi uma franquia criada em 1986. Antes de chegar aos cinemas, os Cenobitas já atacavam os livros. A primeira vez que o mundo teve contato com essa mitologia obscena foi através de The Hellbound Heart, o pequeno livro escrito por Clive Barker. Enjoado de ver adaptações ruins de suas obras, ele pôs a mão na massa e dirigiu o filme.

Se você ler o livro e compará-lo com a adaptação, lançada apenas um ano depois da publicação impressa, verá que a fidelidade é respeitada quase ao extremo. Contudo, Barker teve que fazer algumas mudanças para que o filme se adequasse à classificação indicativa desejada, e também ao limitado orçamento de 1 milhão de dólares.

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Os Cenobitas

O foco principal da saga Hellraiser está nos Cenobitas, uma raça interdimensional que vêm à Terra quando convocada por seres humanos. Eles vêm com a promessa de trazer prazer, mas o que para eles se configura nesse espectro, para nós é pura tortura e sofrimento. Dessa forma, eles se "alimentam" do suplício humano.

Como foi revelado pelos livros e até mesmo pelos filmes, os Cenobitas na verdade são demônios, pertencentes a um círculo muito particular do Inferno. Eles são servos da Ordem de Gash, e variam em aparência, devido às diversas mutilações e modificações que apresentam em seus corpos. Além disso, suas motivações são discordantes e variáveis.

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Configuração do Lamento

Para chamar os Cenobitas para nosso mundo, o invocador precisa estar em posse da Caixa de Lemarchand, também conhecida como Configuração do Lamento. Trata-se de uma espécie de cubo mágico, criada originalmente pelo artesão Philip Lemarchand, que após anos produzindo maravilhas mecânicas, passou a se debruçar sobre o ocultismo.

A caixa serve como um portal e uma chave para o inferno. Para abri-la, basta resolver o enigma, e logo o usuário começa a escutar um badalar, que provém do Monastério dos Cenobitas no inferno. Com isso, eles vêm à Terra, geralmente acompanhados, e partem para realizar o desejo de seus convocadores - embora, nem sempre da maneira que eles pensam.

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O Sacerdote do Inferno

Ainda que os Cenobitas variem tanto em forma e identidade, nenhum se destacou tanto quanto o Sacerdote do Inferno, a famosa figura que age como uma espécie de líder. Ele possui o rosto cheio de cortes verticais e horizontais, e sua cabeça é cravejada com pregos, enterrados até o cérebro. Contudo, há uma série de mistérios não-revelados sobre o personagem.

Até hoje, não se sabe se ele é um ser imortal e único, ou se é uma consciência passada através de vários corpos - já que costumeiramente, ele é visto sendo completamente mutilado, além de qualquer possibilidade de restauração. A fama do personagem veio principalmente graças à atuação de Doug Bradley, que de início, sequer queria interpretá-lo.

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Origens emblemáticas... e um apelido odiado

O Sacerdote do Inferno se tornou um dos personagens mais icônicos do horror moderno... mas ele é bem diferente do que foi planejado originalmente por Clive Barker. O personagem, inspirado pelo Conde Drácula, aparece em The Hellbound Heart com uma forma feminina. Contudo, o sucesso nos cinemas o transformou em um homem ao longo da franquia.

E se você não está o reconhecendo por esse nome, vamos explicar melhor: Esse é o Pinhead. Contudo, o apelido é extremamente odiado pelo criador, que acha pouco digno da grandeza do vilão. Ele aproveitou esse desgosto e inseriu na própria franquia, já que o personagem também detesta ser chamado assim.

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Universo compartilhado

Para quem não sabe, o império diabólico desse universo se estende para muito além dos livros ou filmes de Hellraiser. A franquia é parte de um extenso universo compartilhado, concebido originalmente por Clive Barker na literatura. Após escrever The Hellbound Heart, ele mudou seu foco para The Books of Blood.

Trata-se de uma série antológica de contos de horror, que mencionam indiretamente a existência dos Cenobitas e da Configuração do Lamento. Posteriormente, a saga também foi transposta para os quadrinhos, através da Boom Comics, da Icon e de outras editoras independentes. Todos esses trabalhos possuem o aval de Barker.

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Um crossover demoníaco

Mais recentemente, Barker publicou a primeira continuação direta de The Hellbound Heart, trazendo já o crossover instigante com The Books of Blood. Ao longo do livro Evangelho de Sangue, publicado recentemente pela Darkside no Brasil, acompanhamos Pinhead conforme ele coleta conhecimento mágico para assumir o controle do Inferno.

Contra ele, temos um personagem bem peculiar: Harry D'Amour, criado originalmente para um dos contos no sexto volume de The Books of Blood. Ele é uma espécie de John Constantine - um detetive particular que precisa enfrentar ameaças demoníacas e a fúria de todo o reino infernal, para que possa finalmente deter o Cenobita revoltoso.

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A franquia nos cinemas

Como foi mencionado, a franquia teve início nos cinemas em 1987, com Hellraiser: Renascido do Inferno - o único filme escrito e dirigido por Clive Barker. Desde então, já foram dez filmes lançados, cada qual com a qualidade inferior ao anterior, o que realmente é uma pena. O último lançamento foi Hellraiser: Judgment, que estreou em fevereiro deste ano.

O grande ícone por trás da franquia foi Doug Bradley, que deu vida ao Pinhead do primeiro ao oitavo filme. Infelizmente, ele não retornou para o nono e o décimo, o que decepcionou bastante os fãs. Fato curioso: o último filme de Bradley também foi um dos primeiros filmes da carreira de Henry Cavill, o nosso querido Superman atual dos cinemas.

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O reboot que todos queríamos ver

Com tantas sequências terríveis para seu filme original, Clive Barker anunciou que iria produzir um reboot da série. Ele próprio seria o roteirista e diretor do novo longa, e já tinha fechado um acordo com a Dimension Films em 2013. Contudo, no ano passado, o autor afirmou que a última vez que o projeto teve algum andamento foi quando ele enviou o roteiro para o estúdio.

É triste pensar que, talvez, nunca vejamos outro filme de Hellraiser dirigido pelo autor, já que o melhor da franquia continua sendo o primeiro, que foi o único que ele assinou como diretor. Além disso, considerando a mitologia por trás da saga, seria muito interessante ver adaptações decentes da franquia, principalmente de Evangelho de Sangue.

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Clive Barker, mestre do horror

Um dos pontos interessantes a respeito de Hellraiser é que Barker sempre foi ávido pelo horror. Sua produção literária e cinematográfica é quase toda voltada para o gênero. Isso, no entanto, não é tudo. Assumido gay desde os 18 anos, ele teve interesse em trazer representatividade LGBT para sua obra, e isso pode ser visto muito em Evangelho de Sangue.

Para compor sua mitologia, Barker se inspirou em clubes de BDSM - sigla para bondage, dominação e sadomasoquismo. Isso explica a tênue linha que divide a percepção dos Cenobitas para a dor e o prazer. Desde que publicou o livro, em 1986, Barker manteve-se bem ligado à sua criatura sombria, e continua ativo na franquia até hoje.

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Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Demon to some... angel to others (ele/dele) || @gus_fiaux