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10 clones brasileiros de vídeo games!

Por Raphael Martins

Muita gente reclama, com razão, do quão difícil é o acesso de muitas pessoas aos lançamentos mais atuais do mercado de games, sejam eles de consoles ou de jogos. Mas a coisa já foi pior.

Durante os últimos anos da ditadura militar, nos anos 80, o governo brasileiro instaurou a “lei de reserva de mercado”, que proibia a importação de produtos eletrônicos, como computadores e vídeo games. Essa lei impedia que consoles como o Atari ou o Nintendinho chegassem oficialmente por aqui, já que essas empresas não confiavam que o produto delas, feito com peças brasileiras e no Brasil, teria a mesma qualidade que tinha lá fora.

Mas o brasileiro sempre dá aquele jeitinho pra conseguir o que quer. Várias empresas de eletrônicos simplesmente clonaram esses consoles, fazendo o mercado ficar cheio de vídeo games de modelos diferentes, embora por dentro fossem todos a mesma coisa. Nessa lista, vamos relembrar alguns deles. Aperta start e vamo nessa!

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Supergame VG-2800 (CCE, 1984)

Esse foi um dos clones mais famosos a chegarem ao mercado brasileiro, ainda na época do Atari. O Supergame VG-2800 foi lançado pela CCE em 1984, mesmo ano em que a lei de reserva de mercado foi instaurada pelo governo vigente.

A carcaça é diferente da do Atari original, sem o acabamento de madeira e com as entradas para os joysticks na parte frontal, ao invés de na parte traseira, como no Atari. As chaves também ficavam em posições diferentes, em baixo, não em cima.

A CCE lançou ao todo 33 cartuchos para o sistema, todos de excelente qualidade, com os contatos de suas placas banhados a ouro, e ainda custava bem menos que o Atari original. Vinha com dois jogos: Mr.Postman e Bobby is Going Home.

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Dynavision (Dynacom, 1983)

Este clone de Atari foi a primeira tentativa da Dynacom de emplacar seu próprio vídeo game, já que a empresa até então fabricava apenas cartuchos para outros sistemas.

Tinha o visual bem distinto em relação ao Atari, muito mais compacto e sóbrio, com botões enormes. Tinha uma função interessante: seu circuito silenciava a TV na hora de trocar os cartuchos, evitando aquele chiado chato de estática. Seu controle, chamado Dynastick, era bastante resistente, o que o tornava ideal para jogos como Decathlon, famosos por quebrarem joysticks depois de pouco tempo de uso.

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Splice Vision (Splice, 1983)

Esse aqui é o único clone de ColecoVision do mundo, e é do Brasil. Ele não é lá muito bonito. É uma caixa branca bem simples, encontrada em qualquer loja de eletrônicos da época. Bem diferente do visual robusto e futurista do ColecoVision. De parecido, só mesmo o slot de expansão e o slot para cartuchos.

Era bastante caro e não conseguiu fazer frente aos clones de Atari muito mais baratos disponíveis no mercado, encerrando sua produção em pouquíssimo tempo. É extremamente raro.

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Megaboy (Dynacom, 1985)

Mais um clone do Atari 2600 feito pela Dynacom, mas este aqui é um portátil com entrada para cartuchos.

O que mais chama atenção nele é a ausência total de fios, transmitindo seus sinais de áudio e vídeo diretamente para a TV através de uma antena. Os controles também eram integrados direto no aparelho.

Anos depois, essa mesma tecnologia seria vista no Master System Super Compact, da Tec Toy.

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Phantom System (Gradiente, 1988)

Saindo do Atari e indo para o Nintendinho, o Phantom System foi um dos clones de NES mais populares do Brasil, contando com uma campanha de marketing massiva na TV e nas revistas.

Sua carcaça era quase idêntica a de um Atari 7800, fruto de um acordo com a empresa americana de comercializar esse modelo do Atari aqui, mas que acabou não rolando no fim das contas. Tinha entrada para cartuchos no padrão americano de 72 pinos, mas também podia receber cartuchos com o padrão japonês através de um adaptador.

A carcaça não foi a única coisa reaproveitada de outro console: os controles são igualzinhos aos do Mega Drive, e a pistola era praticamente a mesma do Master System, pelo menos visualmente.

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Bit System (Dismac, 1989)

Esse clone era visualmente muito parecido com o Nintendinho original, podendo até enganar algum jogador mais leigo numa primeira vista. E assim com o NES, só aceitava cartuchos de 72 pinos, mas com um adaptador, também poderiam entrar os de 60 pinos.

Vinha com 2 controles igualmente parecidos com os de NES, mas com uma peculiaridade: apenas um deles possuía os botões de Start e Select. Mas pra compensar, os dois vinham com a função Turbo.

Todos os acessórios do NES original pegavam nele, como a pistola Zapper, o tapete de corrida, o Laserscope, que funcionava por comando de voz, e outros.

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Top Game VG 9000 (CCE, 1990)

Versão melhorada do Top Game VG 8000, esse vinha com uma vantagem em relação a todos os outros clones de Nintendinho do mercado: foi o primeiro a vir com um sistema double system (ou *dual slot(), isto é, entrada para os dois padrões de cartuchos, 60 e 72 pinos.

Os controles eram um pouco finos e não muito resistentes, o que era uma pena. Em compensação, o dual slot presente no console deu tão certo que todos os clones de NES que vieram depois dele fizeram o mesmo.

Fez um enorme sucesso e é lembrado com muito carinho por muita gente até hoje.

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Handy Vision (Dynacom, 1993)

Mais um portátil, dessa vez de Nintendinho. Para jogar, bastava sintonizar no canal 3 com a antena que vinha no aparelho, colocar um cartucho de NES padrão japonês ou americano e curtir. Se você não confiasse na antena, não tinha problema, era só conectar o console à TV através de um cabo RF. Funcionava a base de pilhas.

É um dos clones nacionais mais raros que existem, com o preço sempre na faixa de alguns milhares de reais.

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Super Charger (IBCT, 1990)

Se o Bit System é o clone brasileiro mais parecido com o Nintendinho americano, o Super Charger é o que mais se assemelha ao modelo japonês. A carcaça é idêntica, salvo pelas cores, e controles são embutidos no console, assim como no Famicom.

Por só aceitar cartuchos de 60 pinos em uma época onde todos já começavam a vir com slots para os dois padrões, não fez muito sucesso. A IBTC chegou a lançar alguns cartuchos com a marca Super Charger, mas a maioria deles eram piratas trazidos da China mesmo.

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Megavision (Dynacom, 1994)

Esse daqui gerou muito mais polêmica que qualquer outro clone por um bom motivo: foi lançado em uma época onde tanto a Nintendo quanto a Sega tinham seus consoles e jogos de forma oficial no Brasil.

O Megavision rodava tanto jogos de Mega Drive quanto de Master System, o que acontecia via um adaptador que já vinha com o console, junto com dois controles de seis botões e um fone de ouvido. E não era só isso, ele também era compatível com Sega 32X e Sega CD, rodando tanto jogos americanos quanto japoneses.

A Tec Toy, é claro, processou a Dynacom, que até teve permissão da justiça para continuar vendendo seu console, mas desistiu depois de inúmeros problemas judiciais, retirando seu clone do mercado pouco tempo depois.

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Raphael Martins

Redator, apresentador e roteirista. Gosto de longas caminhadas na praia, Star Wars, tokusatsu, anime e filé com batata frita. Deixo as pessoas constrangidas. Você pode trocar uma ideia comigo no Twitter: @aqueleraphael