Review: Metroid Prime Remaster é a melhor forma de experienciar um dos melhores jogos da saga

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Review: Metroid Prime Remaster é a melhor forma de experienciar um dos melhores jogos da saga

Por Ygor de Oliveira Ferreira

Metroid é uma das franquias mais importantes da Nintendo, sendo responsável, junto de Castlevania, à dar a luz ao gênero Metroidvania, muito focado na exploração. Mas mesmo sendo bem elogiada pela crítica, a empresa não dava a devida atenção a saga de Samus, já que suas outras produções são muito mais rentáveis.

Apesar disso, Metroid Prime 4, foi anunciado em 2017 e até o momento não foi lançado, mas para preparar para a nova adição, a Retro Studio responsável pelos jogos, lançou um remaster do primeiro jogo, lançado para o GameCube em 2002 e o resultado é uma das melhores remasterizações dos últimos anos.

Metroid Prime quando foi lançado era uma grande revolução da franquia que era conhecida por jogos em 2D e com ele podemos ver a personagem pela primeira vez em 3D, num jogo de tiro em primeira pessoa. 20 anos depois podemos nos deslumbrar novamente com Tallon IV, planeta onde a maior parte do jogo se passa, que está ainda mais bonito.

Ficha Técnica

Título: Metroid Prime Remastered

 

Desenvolvedora: Retro Studio

 

Distribuidora: Nintendo

 

Plataforma: Nintendo Switch

 

Lançamento: 8 de fevereiro

 

Gênero: Metroidvania, FPS

Um dos remasters mais bem feitos dos últimos anos

Metroid prime Remaster dá nova vida a Tallon IV

O trabalho da Retro Studio não foi somente de colocar as texturas em HD, como muitas dessas remasterizações funcionam, o jogo realmente parece atual e não só uma versão levemente atualizada. Alguns detalhes se destacam ainda mais, como o reflexo no visor de Samus quando se utiliza um míssil muito perto dela, ou então a chuva, que não só afeta seu visor, mas também é possível vê-los caindo em seu canhão, se movimentando de forma diferente caso ele esteja apontando para cima.

Apesar de tudo estar visualmente impecável, acredito que o estúdio tenha errado um pouco na iluminação, que funciona, dá o tom misterioso nos cenários, mas muitas vezes torna escuro demais áreas que não deveriam, tornando a locomoção terrível. Não estou dizendo em momentos que devem ser escuros, por exemplo, quando o jogador consegue a visão de calor e a energia do local acaba, mas em locais como um dos cenários de Tallon Overworld que você devia ter uma visão melhor.

Derrotar inimigos está tão desafiador quanto sempre foi. (C. Nintendo)

Mas a remasterização não ficou somente nos visuais, os controles passaram por mudanças, já que a versão original não utilizava o segundo analógico do GameCube para mirar. Na nova versão de Metroid Prime o jogador tem 4 modelos de controle para utilizar. O que já vem habilitado de início, utilize o analógico esquerdo para controlar o movimento de Samus e o direito para mirar, assim como qualquer outro FPS.

Esse esquema de controle é a escolha perfeita para Metroid Prime, tornando ele extremamente fluido e gostoso de controlar. Os comandos são responsivos e principalmente atirar se torna fácil e prático, principalmente quando você aprende como lidar com os tiros normais junto do foguete, para ter a efetividade máxima nos confrontos.

Mas caso você queira reviver sua experiência de vários anos atrás o jogo ainda apresenta os comandos que eram utilizados no GameCube, onde um botão irá travar Samus no chão para assim utilizar o analógico esquerdo para mirar e o outro serve somente para mudar de arma. Além disso, ainda existe a possibilidade de ativar os controles de movimento para mirar, assim como a versão de Wii, mas um pouco menos precisa que o console. O último modo, combina o movimento com os botões do GameCube, que também não é muito interessante.

Outras mudanças que valem a pena citar é a possibilidade de ativar um narrador, que estava presente na versão europeia e japonesa do jogo e narra os textos que Samus encontra, uma assistência de cores caso o jogador tenha dificuldade em distinguir algumas delas.

Uma experiência fiel ao jogo original, para bem ou para mal

Chefes clássicos retornam no remaster (C. Nintendo).

Fora os comandos, o jogo mantém a experiência impecável de Metroid Prime, o que traz os mesmos pontos positivos e negativos da versão de 2002. O jogo se passa entre o primeiro e o segundo Metroid originais e se inicia com Samus adentrando uma nave e encontra Ridley que de alguma forma voltou a vida com implantes cibernéticos. O local explode e a criatura segue para o planeta Tallon IV e a heroína segue junto.

E então o jogo finalmente começa, com Samus explorando esse mundo desconhecido, descobrindo segredos dos Chozos, Metroids e também dos piratas espaciais. A premissa é bem simples e na maior parte do tempo não é importante para o jogo. Caso o jogador queira ir atrás de mais história, a todo momento podemos encontrar textos antigos ou outros objetos que contam mais sobre o que acontece naquele mundo para ele estar em seu estado atual, mas caso não tenha interesse, ela não entra na frente da exploração que é o seu principal detalhe.

Assim como todo Metroidvania, seu objetivo é explorar o local e encontrar qualquer nova habilidade que irá permitir que a personagem avance ainda mais para cada lugar. E isso Metroid Prime faz com primor. O design dos locais são marcantes deixando fácil que o jogador entenda exatamente onde ele tem que voltar após ganhar uma nova habilidade.

Melhoria gráfica nos ambientes impressionam de um jeito absurdo (C. Nintendo)

Junto disso, as habilidades são interessantes e variadas, seja as mais simples como novos visores, ou o pulo duplo, presente nos jogos deste estilo, até variedades do canhão, dano novas ferramentes de combate e até mesmo poder ficar grudado em algumas estruturas enquanto estiver na Morph Ball. Essas habilidades além de ajudar a viajar pelo mundo, altera visualmente a personagem, seja com o canhão mudando levemente a forma ao alterar para outros tipos, ou então sua armadura sendo aprimorada.

Samus poderá explorar 5 áreas principais e outras duas momentâneas, cada uma com seu próprio visual e desafios. Seja as ruínas de uma antiga civilização, ou uma mina que esconde um laboratório perigoso, que junto da trilha sonora passam a sensação de entrar em um local perigoso e desconhecido.

Encontrar segredos nos locais é recompensador, Metroid sempre soube criar situações onde o jogador pense “Acho que eu não devia ter chegado aqui dessa forma”, mas era sim algo pensando e em Prime não é diferente. Caso o jogador tenha experiência ele pode acessar áreas de formas diferentes, ou até mesmo desbloquear algumas habilidades antes do esperado, mudando totalmente a jornada por Tallon.

A extensão e variedade dos locais são um ponto positivo, mas também é a sina de Metroid Prime em sua reta final, principalmente na parte que o jogador precisa coletar 12 artefatos Chozo pelo planeta. Esses objetos estão escondidos pelo cenário e alguns desses são bem difíceis de se encontrar, fazendo com que o jogador tenha que passar inúmeras vezes pelos 5 mapas tentando avançar. Com isso, a travessia começa a se tornar longa, tediosa e até mesmo frustrante devido a grande quantidade de combate na sua área final.

Outra coisa que começa a incomodar na reta final é o tempo que leva para alterar algumas das funções de Samus, principalmente os visores e os canhões. Em certas partes do jogo é preciso constantemente alterar as habilidades para avançar, seja para atirar em uma porta ou ver algo na visão de calor. Com todas desbloqueadas, começa a se tornar burocrático já que a alteração é lenta, mas é constantemente necessária. Apesar disso, a hora final de Metroid Prime é espetacular, utilizando tudo que foi aprendido pelo jogador nas três batalhas de chefes finais épicos, concluindo a jornada de Samus naquele local.

Nota: 8,5/10

Metroid Prime Remaster atualiza os visuais e controles, sem tirar o que o tornou único na época, seja no estilo artístico ou em design dos cenários. Com isso, problemas na sua estrutura vindo de um jogo de 2002, pode incomodar alguns jogadores atualmente. Apesar disso, é uma experiência espetacular para quem é fã de jogos desse gênero ou quem tem interesse em conhecer a franquia Metroid.

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