Capa da Publicação

Sailor Moon: Como e onde assistir ao anime

Por Junno Sena

Sailor Moon R, S, Super S, Sailor Stars, Crystal. É nessa sopa de letrinhas e termos que encontramos a poderosa guerreira vestida de marinheiro. Criada por Naoko Takeuchi, o mangá de Sailor Moon chegou ao seu fim em 1997, mas até hoje dá muito o que falar. 

Mas, entre filmes, animes, remasterizações e conteúdo oficial ou original, às vezes é confuso saber por onde começar Sailor Moon. E o que antes era uma dúvida, agora se torna uma necessidade com a adição de algumas produções da franquia na Netflix. Por isso, separamos algumas formas para consumir um dos maiores mahou shoujo do gênero.

Mangá

Usagi no mangá escrito e ilustrado por Naoko Takeuchi

Começando pelo o que pode parecer repetitivo, mas ainda é válido como um pontapé inicial para responder a famosa pergunta: “Por onde começar Sailor Moon?” Com o intuito de fazer uma história similar ao tokusatsu Himitsu Sentai Gorenger, mas com cinco guerreiras, Takeuchi e seus editores tinham previsto apenas um arco para a história.

O intuito da mangaká criou o final confuso inserido no final da primeira temporada do anime. Nele, as garotas mágicas morrem e acordam no mundo normal, sem lembranças de suas vidas como garotas mágicas. A realidade é que a intenção de Takeuchi era que todas as personagens principais da série morressem. Impedida pelo seu editor que disse que se tratava de “um mangá shoujo”, a ideia acabou sendo descartada. 

Pelo menos, em parte. Ressuscitar as garotas e deixá-las com amnésia foi desenvolvida pelo anime, como uma forma de inserir um gancho para o futuro. Vale lembrar que Sailor Moon foi um sucesso instantâneo e, por isso, uma continuação não foi apenas cogitada, mas encomendada pela editora do mangá e o estúdio responsável, a Toei Animation.

Isso acabou estendendo o mangá para dezoito volumes, publicados entre 1991 e 1997. No Brasil, é difícil colocar as mãos em todos os volumes, mas a editora JBC pretende relançar uma edição especial com 10 volumes, intitulada Sailor Moon Eternal Edition em 2022.

Ordem Clássica

Anime clássico de Sailor Moon

Porém, entre idealização e realidade, Sailor Moon acabou passando por alguns problemas de produção. E é aí que tudo passa a ficar complicado. Com cinco temporadas, 200 episódios e três filmes, o anime clássico de Sailor Moon foi exibido entre 1992 e 1997. Sua exibição não apenas coincidiu com a publicação do mangá, como também criou diversos enredos para manter o público enquanto Takeuchi desenvolvia o restante de sua obra.

A situação ocasionou em diversos enredos originais no anime que podem tornar uma maratona da série cansativa. Por exemplo, o arco inicial da segunda temporada de Sailor Moon, em que os irmãos Ail e An chegam à Terra, fazendo com que Luna precise despertar Usagi de sua amnésia não está presente no mangá.

Logo, existem cerca de treze episódios entre o fim da primeira temporada e o retorno ao enredo canônico de Takeuchi. Para alguns, isso torna a produção cansativa e repetitiva, enquanto para outros é motivo de nostalgia.

Imagem de Sailor Moon R

Para uma experiência completa, é recomendável que se assista todos os 200 episódios, seguindo a ordem: Sailor Moon, Sailor Moon R, Sailor Moon S, Sailor Moon SuperS e Sailor Moon Sailor Stars.

Já os filmes, Sailor Moon R: A Promessa da Rosa, Sailor Moon S: Corações de Gelo e Sailor Moon SuperS: O Buraco Negro dos Sonhos, não são considerados canônicos, nem para o desenvolvimento do mangá, nem para o anime. O saudosismo e o visual clássico da animação é o que faz com que essas produções se mantenham na lista de queridinhos.

Por enquanto, apenas o filme de Sailor Moon R pode ser encontrado no Brasil, através da Crunchyroll. A série principal não tem previsão de estreia, a não ser pela temporada Sailor Moon S que chegará na Netflix junto dos filmes clássicos.

Ordem Crystal

Imagem de Sailor Moon Crystal

Após dezessete anos do fim do anime clássico, com a onda de remasterizações de produções clássicas japonesas, surgiu a oportunidade de colocar Sailor Moon, mais uma vez, no mercado. Deixando os fillers de lado, a Toei Animation decidiu se basear apenas nos 18 volumes escritos por Takeuchi.

Porém, houve outra mudança que deixou os fãs desconfortáveis: o visual do anime. Entre diversas características da versão clássica de Sailor Moon está o seu design de personagem, a animação presente em suas transformações e o visual que transborda os anos 90.

Mudanças no visual de Sailor Moon Crystal

Enquanto isso, no mangá, os fãs puderam seguir de perto a evolução no traço de Naoko, a forma como seu estilo foi ganhando cada vez mais personalidade. Mas Crystal decidiu optar por uma arte mais próxima de uma animação 3D, além de ter modificado características que traziam a marca de Takeuchi.

As críticas ocasionaram em diversas alterações visuais durante as três temporadas. Mesmo assim, é considerada a melhor forma de se consumir Sailor Moon de forma rápida e oficial. Mas, nem todos os arcos do mangá foram adaptados para Crystal e ainda não há previsão para lançamento de uma nova temporada. 

Desta forma, seguir este caminho consiste em assistir trinta e nove episódios e um filme dividido em duas partes. Crystal está disponível na Crunchyroll, mas chegará na Netflix futuramente. Não há anúncio sobre sua dublagem, mas se espera essa atualização por conta do filme que estreou no streaming em 2021, Sailor Moon Eternal. Diferente dos filmes antigos, esse é canônico para Crystal.

Ordem Chibi

Ainda assim, mesmo com as mudanças de Crystal, consumir o original parece mais proveitoso para alguns, entre os motivos relatados está que as guerreiras parecem ter mais personalidade. Por isso, existem algumas listas que tentam separar o que há de filler no anime clássico e o que é canônico, como a do Anime Filler List. A partir dela, a fase clássica de Sailor Moon passa de 200 episódios para 101, tornando a jornada menos cansativa.

Ordem Sailor

Naoko Takeuchi, criadora de Sailor Moon

Mas, para todo bom fã de mahou shoujo, consumir tudo de Sailor Moon é compreender a evolução desse gênero através dos anos. Naoko Takeuchi  revolucionou o gênero de mangá shoujo, criando uma mistura dos famosos tokusatsu com personagens femininas complexas.

Enquanto isso, o anime trazia uma versão mercadológica do trabalho de Takeuchi. Seguindo os aspectos de outras séries de sucesso como Dragon Ball e Cavaleiro dos Zodíaco, o aumento dos enredos era uma forma de humanizar as personagens, torná-las cativantes e, assim, criar o desejo de consumir seus materiais promocionais.

E Crystal surge em um momento completamente oposto, em que a revitalização do gênero prioriza enredo em uma época onde há uma quantidade extensa de animes no mercado. Sem contar que Sailor Moon passou, até mesmo, por um live action. Mesmo se tratando de uma jornada mais extensa, consumir todo o material de Sailor Moon, de forma cronológica, é compreender um aspecto importante da história do Japão.

Aproveite e leia também:

Imagem de perfil
sobre o autor Junno Sena

Pós graduando em Antropologia com o raio problematizador ligado no 120. Assiste filme trash para relaxar e dorme cantarolando a trilha sonora de A Hora do Pesadelo. Blaxploitation na veia e cinema coreano no coração. Atualmente mora em Petrópolis, RJ.