Capa da Publicação

Review The Boys 3×05: A Última Oportunidade para Olhar para esse Mundo de Mentiras

Por Junno Sena

“Dê poder ao homem, e descobrirá quem ele realmente é”, Maquiavel. É clichê começar o texto assim, mas, às vezes, o clichê é necessário. E, queira ou não, a base do episódio cinco da terceira temporada de The Boys, A Última Oportunidade para Olhar para esse Mundo de Mentiras, é essa.

Assim como diz o título do episódio, esse parece ser o limiar entre o que foi construído nos quatro episódios anteriores e uma verdadeira catástrofe que promete ocorrer na próxima semana com a adaptação do Herogasm. Isso porque A Última Oportunidade para Olhar para esse Mundo de Mentiras é uma extensão de seu episódio anterior em grau, número e gênero.

O quinto episódio é uma extensão direta do que vimos na semana passada

Ao mostrarem as consequências das escolhas de Hughie e Butcher, de Capitão Pátria tomando o controle da Vought, Deep se deixando controlar pela esposa e Trem-Bala enfrentando o racismo da empresa e de seu colega, não temos nada de novo nesse episódio. Mas seu final, com a aliança improvável entre Hughie, Butcher e Soldier Boy, as mentiras contadas pela Vought prometem ser jogadas no ventilador

Com grandes poderes, vem grande possibilidade de fazer m*rda

E esse ato espontâneo de liberdade tem tido início desde o episódio passado, com Capitão Pátria se soltando das amarras da Vought e tomando o controle que, nos quadrinhos, ele já teria em mãos há um bom tempo.

Característica que se estende para os demais personagens. Como vemos no decorrer do episódio, o tema é “poderes apenas realçam o que há de ruim na humanidade”. Em outras palavras, seja o Composto V ou o V-24, o controle da Vought ou a liderança dos “Garotos”, essas micro e macro políticas que constituem essas relações de poder apenas abrem portas para que esses personagens sejam autênticos. 

Curioso pensar nesse paralelo, já que os “heróis” da série vivem sob uma lente em que os mostra como íntegros, bondosos e conservadores. Mas, por baixo, há apenas o desejo carnal e imediato, a vontade de enriquecer e ser famoso. Olhar para Os Sete, ou qualquer outro grupo de super-heróis de The Boys, é como investigar a mitologia grega e, encontrar nela, os podres de cada deus. Ver cada um dos deslizes cometidos por esses indivíduos divinos.

Sem grandes novidades, o destaque desse quinto episódio fica para as atuações

E o Herogasm promete ser a epítome disso. Não por ser um evento que ronda o sexo e o prazer, mas por evidenciar que os “supes” são apenas pessoas comuns com poderes extraordinários. Para Hughie, por exemplo, o V24 e a possibilidade de ser um “supe” apenas por 24 horas aflora a sensação de impotência que tem de seu relacionamento. Já em Blue Hawk, ressalta seu racismo, ou melhor, lhe dá a permissão de dizer que ele “não vê cor, vê apenas crime”, cometer atrocidades e seguir com a vida, como se não fosse nada. 

Enquanto eles são obrigados a olhar para o reflexo retorcido deles mesmos, observamos entretidos, esperando para que a bomba relógio que é Capitão Pátria e Butcher explodam de uma vez. Sem contar o Hughie, que está engasgado há quatro episódios, querendo dizer sobre como se sente pequeno ao lado de Luz Estrela, mas prefere engolir o orgulho e se entupir de V-24.

Jensen Ackles vive o papel do “Soldado Invernal” da série, o Soldier Boy

O que podemos esperar é que no próximo episódio, não tirem apenas as roupas, mas deem espaço para que se dispam de pudor e comecem a verbalizar o que há de errado. Investir no tom visceral e satírico que temos visto com a atuação de Antony Starr como Capitão Pátria. Ironicamente, o personagem mais odioso da série no momento é o que parece estar mais próximo dos quadrinhos e de gerar alguma mudança.

Trazendo outro exemplo, já vimos cenas demais do Profundo sendo um subalterno para a esposa, agora está na hora de vermos o que ele pensa disso, o que há por debaixo dos panos.

Olhando por outra perspectiva, o que parece estar se revelando em relação a Vought e aos Estados Unidos é Soldier Boy. Jensen Ackles ainda parece estar preso ao personagem de Dean Winchester, mas como o “herói” de The Boys, suas atitudes condizem com essa versão do personagem. Sem contar que, mesmo assim, sua ameaça iminente é mais um pavio sendo acesso em meio a uma situação delicada como a desta terceira temporada. Mas, será que essa bomba irá explodir daqui há sete dias ou só no final da temporada?

Aproveite e continue lendo:

Imagem de perfil
Junno Sena

Pós graduando em Antropologia com o raio problematizador ligado no 120. Assiste filme trash para relaxar e dorme cantarolando a trilha sonora de A Hora do Pesadelo. Blaxploitation na veia e cinema coreano no coração. Atualmente mora em Petrópolis, RJ. Ele | Elu