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Review: Obi-Wan Kenobi – Parte IV

Por Jaqueline Sousa

Se tem uma coisa que Obi-Wan Kenobi sabe muito bem é que existem certos acontecimentos do passado que são extremamente difíceis de serem esquecidos. Difíceis, sim, mas não impossíveis. Com o lançamento do quarto episódio da série do Disney+, o fragilizado Jedi finalmente começou a caminhar, mesmo que a passos vagarosos, em direção à sua recuperação física e, possivelmente, psicológica. 

Após os dramáticos eventos finais da Parte III, o novo capítulo da produção tem como ponto de partida um Kenobi tentando se reerguer do explosivo duelo contra Darth Vader. Ancorada no já conhecido tanque de bacta, a sequência inicial faz um paralelo interessante entre a dupla, mostrando ambos imersos no recipiente de cura, cada um com sua especificidade. 

Obi-Wan Kenobi no tanque de bacta.

Obi-Wan entra no tanque de bacta para se recuperar do duelo contra Darth Vader.

É chover no molhado falar sobre o quão complexa é a relação entre Vader e Kenobi, mas a série do Disney+ vem conseguindo explorar isso de um jeito bastante competente. Aqui, o trabalho da montagem se faz imprescindível para adentrarmos nas entrelinhas do conturbado relacionamento entre mestre e aprendiz e, assim, entendermos um pouco mais sobre as nuances e o estado psicológico desses personagens.

Nesta Parte IV, ao saber que Leia foi raptada por Reva, Obi-Wan parece resgatar aquele resquício de coragem que ainda insiste em permanecer com ele, mesmo diante de todos os traumas e perdas que enfrentou. Determinado a não perder um único segundo sequer para resgatar a menina, ele convence o rebelde Rosken a ajudá-lo a encontrá-la e, juntamente com Tala, o Jedi parte em mais uma perigosa missão para se infiltrar em uma base do Império, no sistema de Mustafar.

Rosken, Obi-Wan e Tala reunidos para planejar o resgate de Leia.

No quarto episódio, Kenobi parte em mais uma missão perigosa para resgatar Leia.

Enquanto isso, recebemos mais uma dose da perversidade da Terceira Irmã, que tenta a todo custo arrancar informações da pequena Leia. Ali a garota segue esbanjando sua sagacidade e demonstrando indícios daquela que, futuramente, se tornará a líder que conhecemos na trilogia original.

Destemida, a jovem princesa consegue se impor mesmo em situações extremamente complicadas, como o interrogatório feito por Reva. Assim como sua mãe, Leia já é uma líder nata desde os primeiros passos. Mas ela ainda é uma criança e, ao contrário do que a Terceira Irmã tenta fazer com que a menina acredite, alguém definitivamente está indo salvá-la. 

Reva e Leia na base dos Inquisidores em Mustafar.

Reva tenta arrancar informações de Leia.

Embora as sequências na lua aquática pareçam muito simples e fáceis, levando em consideração a gravidade da situação e a dificuldade de se infiltrar em uma base inteiramente vigiada, foi muito divertido ver Ben exibindo suas habilidades com o sabre de luz novamente. Parece que ele realmente acatou os conselhos de Tala a respeito de seu passado e resolveu ao menos tentar resgatar o Obi-Wan Kenobi de antes.

Claro que o Jedi ainda está debilitado e certos traumas não são superados da noite para o dia, mas este quarto capítulo mostra que é possível iniciar esse processo de cura, tanto a física quanto a psicológica. Vivendo nessa fase de transição, e também motivado pelo resgate de Leia, Kenobi consegue um maior êxito como um Jedi propriamente dito.

É nítido que ele não encara mais aquilo como apenas uma missão designada por seu velho amigo Bail Organa: Ben se afeiçoou à princesa de Alderaan de tal maneira que isso foi capaz de fazer com que ele deixasse sua apatia de lado e, finalmente, agisse.  

Tumba em Mustafar com corpos mantidos em um recipiente com líquido alaranjado.

Enquanto tenta encontrar Leia, Kenobi se depara com uma espécie de tumba escondida na fortaleza do Império.

Parte desse processo de redenção vem também das cruéis ações do governo imperial. Pedindo licença para lançar mão de alguns leves spoilers, um momento marcante da Parte IV é justamente aquele que, enquanto está andando furtivamente pelos corredores da fortaleza inimiga, Obi-Wan encontra uma sala que, na verdade, parece mais ser uma tumba

Transtornado, Kenobi vai caminhando cautelosamente e se depara com corpos que parecem ser Jedis e pessoas sensíveis à Força, que estão sendo mantidos dentro de um recipiente com um líquido alaranjado. Lá, aqueles que não se uniram ao Império são exibidos como troféus, mostrando mais uma vez como aquele sistema político é capaz de cometer atrocidades para exterminar qualquer opositor. 

Voltando à ação, embora este episódio não seja tão grandioso quanto o antecessor, a diretora Deborah Chow conseguiu produzir cenas de ação empolgantes e ainda dar aquela sensação de que, mesmo que já saibamos que os heróis conseguirão se livrar da ameaça, ainda assim receamos que o pior aconteça.

Obi-Wan Kenobi com um sabre de luz azul após atacar um Stormtrooper.

Para conseguir salvar Leia, Obi-Wan confia em suas habilidades como Jedi novamente.

Além disso, é praticamente impossível não traçar paralelos entre este quarto capítulo e Uma Nova Esperança: enquanto no filme eram Luke, Han Solo, Chewie, C-3PO, R2-D2 e o velho Ben Kenobi que tentavam resgatar a Princesa Leia, na série temos Obi-Wan, Tala e alguns rebeldes unidos para fazer o mesmo. Sem contar que também há toda a estrutura narrativa que também flerta com a do longa de George Lucas

Ao final do episódio, Reva enfrenta as consequências de sua ousadia mais uma vez, desta vez, pelas mãos do próprio Darth Vader. Porém, ela não está preparada para abaixar a cabeça, e a carta escondida em sua manga provavelmente vai colocar os rebeldes, assim como Kenobi e Leia, na mira do Império mais uma vez. O que a Inquisidora talvez não leve em consideração é que, mesmo que a fagulha de esperança seja pequena, ainda assim ela é capaz de iniciar um incêndio. 

O quarto episódio de Obi-Wan Kenobi já está disponível no Disney+.

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Jaqueline Sousa

Jornalista. Apaixonada por cinema, música e literatura. | @jqlnsss