Review: God of War chega ao PC com versão digna de sua grandeza

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Review: God of War chega ao PC com versão digna de sua grandeza

Por Arthur Eloi

A guerra entre consoles já acabou, ainda que muitos jogadores teimem a perceber isso. Geração atrás de geração seguiu os moldes da rivalidade noventista entre Sega e Nintendo, em uma disputa que passou a incluir o Xbox e o PlayStation – até, eventualmente, esses dois se tornarem os principais combatentes. Hoje, as máquinas são praticamente idênticas em capacidade, em uma indústria que se sustenta em títulos para todas as plataformas.

Um último suspiro dessa intriga diz: mas e os exclusivos? Bom, até esses deixam de ter o peso que antes tinham quando as empresas entenderam o PC como território neutro, capaz de requentar e preservar títulos muito além dos confins de uma caixa de plástico. A Microsoft, dado seu papel como criadora do Windows, assimilou isso com rapidez, mas a Sony — cujo console é guiado pela exclusividade — dá sinais de que quer seguir no mesmo caminho. A chegada de God of War aos computadores não é só um passo da companhia nessa direção: é um verdadeiro salto.

Ficha técnica

Requisitos mínimos:

Processador: Intel i5-2500k ou AMD Ryzen 3 1200
Memória RAM: 8 GB
Sistema Operacional: Windows 10 64-bit
Placa de Vídeo: Nvidia GTX 960 (4 GB) ou AMD R9 290X (4 GB)
Espaço no HD: 70 GB

Configuração usada para a review:

Processador: AMD Ryzen 5 4600H
Memória: 16 GB
Sistema Operacional: Windows 10 64-bit
Placa de Vídeo: Nvidia GTX 1650 (4 GB)
500GB SSD

Longa Jornada até o Topo

God of War acompanha os vários atritos no amadurecimento de Kratos e Atreus

God of War é, discutivelmente, a franquia mais importante da Sony. Por mais que The Last of Us ou Uncharted tenham mais atenção hoje em dia, Kratos é presença recorrente no PlayStation desde 2005, atravessando gerações de consoles e portáteis. Até então, nenhum título da franquia havia sido oficialmente lançado para nada além do PlayStation. No caso, a versão que chega ao PC é especificamente o reboot de 2018, vencedor do prêmio de Jogo do Ano (e mais umas categorias) no The Game Awards daquele ano.

O game abre mão do estilo mais arcade dos originais, que eram hack and slash frenéticos onde o jogador canalizava toda a ira do guerreiro semideus Kratos. O reboot puxe de volta muitos dos elementos, mas reconhece a passagem de tempo e pede por uma modernização — tanto na jogabilidade quanto no texto. Assim, todo o sangue derramado, e os deuses da mitologia grega assassinados por Kratos, seguem como parte do cânone, e assombram o protagonista mesmo em uma nova fase de sua vida.

Dessa vez, ele aparece um pouco mais velho, escondido em uma outra dimensão dentre os deuses e criaturas da mitologia nórdica. Do primeiro momento que somos introduzidos à Kratos, sua figura destoa do guerreiro espartano cheio de fúria que dominou a era do PlayStation 2: aqui, ele é tomado pelo luto da morte de sua esposa, e se vê na função de criar sozinho seu filho, Atreus. Em questão de segundos, o jogo já deixa claro que não é o mesmo God of War de sempre, e que tem ambições narrativas muito mais elevadas.

Kratos talvez não seja o melhor pai que existe

Muito já foi dito sobre a grandeza do jogo, que segue sendo um dos títulos mais elogiados desde seu lançamento, e isso se mantém presente mesmo depois de alguns anos. Seja para os fãs ou para os céticos, é verdadeiramente especial acompanhar a aventura de Kratos e Atreus, que parte do simples objetivo de despejar cinzas no topo de uma montanha, até um verdadeiro embate contra grandes figuras da mitologia nórdica.

É um raro caso de jogo que consegue agradar diferentes sensibilidades. Há grandes lutas bombásticas para quem gosta da escala absurda dos originais, um combate mais cadenciado porém não menos violento, e uma trama de amadurecimento — tanto de Kratos como de Atreus — com surpreendente nuance e sensibilidade que não são facilmente encontrados em blockbusters.

A prova de que Kratos mudou é que agora ele faz perguntas antes de sair na porrada

O game conquista pelo seu híbrido de drama e ação em que ambos os gêneros são bem servidos, além de se misturarem de forma orgânica. Ao longo da jornada, é curioso como as conquistas e atritos da relação entre pai e filho se manifestam na jogabilidade. Quando Kratos passa a exaltar (do seu jeito meio brucutu) os acertos de Atreus, o rapaz se torna mais confiante, ao ponto de começar brigas e atacar inimigos sem os seus comandos. Já quando as coisas ficam tensas entre os dois, o garoto simplesmente se recusa a seguir qualquer ordem do pai.

Exaltar a qualidade de God of War é algo que toda a crítica e o público já fazem incansavelmente desde 2018, seja pela trama tocante, pelos cenários de tirar o fôlego, pela excelente trilha sonora de Bear McCreary (The Walking Dead) ou pelas performances marcantes de Christopher Judge (Kratos) e Sunny Suljic (Atreus) no idioma original. A versão de PC só é uma nova oportunidade para descobrir que esse auê todo é bastante merecido.

Um Mar de Possibilidades

Versão de PC de God of War conquista pelas variedade de opções

Um jogo grandioso merece um port digno. God of War não é o primeiro experimento da Sony na plataforma, que anteriormente quebrou a exclusividade de Horizon: Zero Dawn, Days Gone e Death Stranding. Em todos os três casos, as versões de PC foram criticadas por falta de opções e inúmeros problemas de performance, algo que marcou em especial o lançamento de Horizon, que até hoje segue recebendo atualizações.

Felizmente, God of War não vai precisar passar pelo mesmo tratamento, visto que o port é excelente. Diferente dos consoles, em que a experiência é padronizada, a marca de uma boa versão de PC é sua flexibilidade e números de opções. Afinal, cada pessoa tem uma combinação diferente de peças em casa, além de padrões de qualidade e preferências próprias. Logo, é preciso que o jogo esteja pronto para se adaptar a cada jogador.

As configurações padrão são moldadas de acordo com a versão de PlayStation 4. Logo, se você tiver um computador que esteja próximo dos requisitos mínimos, poderá curtir a jornada da mesma forma que quem jogou no console original. Se você tiver uma máquina um pouco mais potente, poderá desbloquear alguns novos níveis de detalhes e efeitos que apenas enriquecem o visual, como sombras mais afinadas, reflexões mais precisas, texturas mais realistas, e efeitos de névoa, fogo e fumaça mais complexos.

Caso você não entenda muito de como configurar um jogo de PC, há explicações sobre o que cada item altera na experiência, além de imagens para mostrar as mudanças na prática, o que ajuda a dar aquela esclarecida em o que raios é um anti-aliasing para os não-iniciados. E novamente: para quem quiser apostar no seguro, o preset médio já entrega algo a par da versão de PS4, portanto não há muito problema em brincar com outras opções para ir mapeando suas preferências.

Seu PC não aguenta sair do Low? Fique tranquilo! God of War impressiona até com configurações mínimas

É possível, por exemplo, abaixar algumas das configurações para tentar buscar uma taxa de quadros de 60fps, que deixa tanto as cutscenes quanto os combates muito mais fluidos e naturais. Ou então instaurar uma trava de 30fps, diminuir a resolução de renderização para uns 80% da resolução da sua tela e subir todas as texturas e efeitos para o Ultra, para se deliciar com o visual de ponta ao custo da fluidez. Com versões de PC bem otimizadas assim, a graça é cutucar todas as opções mesmo!

Mas é preciso ser realista, né? Não só o país passa por uma crise financeira, como também peças de computador se tornaram verdadeiras relíquias em um mundo de escassez. São poucos os privilegiados que podem se importar com ray tracing, 4K e outras firulas. A maioria de nós parte mesmo do princípio de que se o jogo abrir em nossas máquinas já é uma vitória das grandes. Portanto, urge a questão: como fica God of War com tudo no mínimo?

A resposta é surpreendente: o jogo continua visualmente impressionante mesmo no Low. Na verdade, talvez não surpreenda quem acompanha tecnologia barata e acessível, mas a indústria de games atingiu um patamar em que mesmo as configurações mais baixas ainda entregam visuais de peso, daqueles que você esperaria encontrar nos primeiros anos do PS4 ou do Xbox One.

No Low você até pode perder em efeitos e texturas, mas o visual ainda segura as pontas

Claro, o visual fica um pouco mais bruto sem tantos efeitos e detalhes, mas a experiência continua muito boa e satisfatória até para quem só tem um PC modesto. Pelo foco da jornada na narrativa, e pelo bom espaçamento entre os combates, é completamente possível curtir o jogo com tudo no mínimo – mas recomendamos fortemente explorar a lista de opções para ver se dá para ativar um ou outro enfeite, ou pelo menos dar um gás na taxa de quadros.

God of War no PC é surpreendente. Não pelo jogo ser excelente, como é dito há bons anos, mas sim por enfim ter deixado sua casa original, pela primeira vez fora de um console PlayStation e ainda com uma versão de ótima qualidade, repleta de opções para se adaptar à sua máquina.

Há quem ainda reclame em toda quebra de exclusividade, como se “os fãs” perdessem algo quando uma obra quer alcançar novos públicos, mas está claro que não se trata mais de uma tendência passageira. Quando até as empresas japonesas como Sony, Square Enix e Capcom, que historicamente ignoravam a existência do PC ou então só serviam ports medíocres, passam a dar a devida atenção para a plataforma, é um sinal de que os tempos realmente estão mudando.

Nota: 9.5/10

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sobre o autor Arthur Eloi

Repórter entusiasta de filmes ruins, jogos de tiro e de horror em todas as suas formas. Dá notas duvidosas para obras questionáveis • @ArthurEloi117