Review: Mesmo com seus problemas, Chrono Cross: The Radical Dreamers Edition é um bom jeito de conhecer a franquia

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Review: Mesmo com seus problemas, Chrono Cross: The Radical Dreamers Edition é um bom jeito de conhecer a franquia

Por Junno Sena

Existe uma linha tênue entre clássico ou uma franquia que se instaurou na cabeça de seus fãs por saudosismo. E Chrono Cross parece ser uma daquelas produções que conseguiu alcançar esses dois graus de importância. Ainda no imaginário do público como um jogo complexo e longo, mas também com a fama de ter surgido no mercado como uma produção experimental e revolucionária, Chrono Cross é o tipo de produto que não importa em que época é jogado, sempre irá surpreender.

E isso não é diferente quando falamos de Chrono Cross: The Radical Dreamers Edition. Mesmo com aquele gosto amargo de que a Square Enix poderia ter feito mais sobre o remaster do jogo, esta nova edição é uma ótima porta de entrada para quem nunca teve contato com a série. 

O mesmo jogo, uma nova embalagem

Serge, protagonista de Chrono Cross

Nessa sequência de Chrono Trigger, conhecemos Serge, um adolescente que se encontra no meio de uma trama complicada com realidades alternativas, mundos paralelos e o plano maligno de Lynx. É então que ele conhece Kid, uma carismática ladra, e inicia uma aventura carregada de monstros e combates de turno.

Mas, para explicar melhor essa edição, é necessário compreendê-la como um presente antigo em uma embalagem nova. Então, se imagine abrindo a porta de sua casa para receber uma encomenda. Você encontra uma caixa vermelha com um belo laço amarrado ao seu redor e dentro, uma embalagem em perfeito estado de um Playstation.

Dentro, tem o mesmo aparelho de sua infância. O mesmo cheiro, o mesmo som ao ligá-lo. Tudo é igual, menos você e a TV que está utilizando. É essa a sensação que entrar no mundo de Chrono Cross, vinte e dois anos após o seu lançamento, passa para o usuário.

Isto é, tudo está igual, menos você. O que significa que o jogo não será tão longo quanto parecia na sua infância, já que antigamente, não havia tantos tutoriais e conteúdos sobre ele disponíveis. Também lhe dá uma nova perspectiva sobre a história, pontos e diálogos chaves ganham uma interpretação mais madura.

Trata-se de uma nova experiência, uma embalagem nova, mas o mesmo produto. Porém, se isso é bom para alguém que nunca teve contato com o game anteriormente, pode ser frustrante para quem cresceu com a história.

Uma performance frustrante para a nova geração de consoles

Serge descobre um dos segredos do outro mundo

Isso porque sua performance não é das melhores. Fora as melhorias feitas nos personagens, pouco parece ter sido modificado para a edição Radical Dreamers. Outro ponto que passou por mudanças foram os seus cenários, mas, para olhos amadores, não são modificações tão perceptíveis.

Fora que, em seu lançamento, as animações pareciam engasgar, tornando o que poderia ser uma animação fluida, uma passagem mecânica e “dura”. Já foram lançados algumas atualizações que procuram resolver esses problemas, mas ainda sim é algo que incomoda para o público que estava animado para o lançamento. Porém, se o jogador não consumiu a primeira versão, essas características não passaram de um mero inconveniente.

O que realmente fará diferença na gameplay para qualquer jogador é poder aumentar a velocidade dos turnos, fazendo com que demonstrações de poder sejam encurtadas e caminhos longos sejam percorridos rapidamente.

Mas, o carro chefe dessa edição é o modo Radical Dreamers, que se trata de uma história paralela da série Chrono. Até o momento, esse jogo estava disponível apenas através de traduções feitas por fãs. Porém, vale lembrar que esse modo promete ser um agrado maior para as pessoas familiarizadas com a franquia, já que ele entrega mais história e menos jogatina.

Narrativa é o que torna a jornada cativante

Chrono Cross possui uma narrativa instigante

E seu investimento em história não é algo negativo. Pelo contrário, a narrativa experimental é o que se destaca em Chrono Cross. Com personagens cativantes e um leque de possibilidades de times e uso de poderes, o jogo passa a sensação de que não foi feito nos anos 2000.

Nele, mesmo com uma jogabilidade moldada por turnos, temos alguns aspectos que só foram consolidados anos depois no mercado dos games. Seus mapas mesclavam modelagem em 3D com renderização em 2D, o sistema de batalha buscava evitar que a mecânica se tornasse repetitiva, além de sua história ambiciosa que prometia trazer menos seriedade e se afastar de outras franquias como Final Fantasy.

Sem falar em sua trilha sonora. Composta por Yasunori Mitsuda, Chrono Cross tenta criar um ambiente do sudeste asiático, mas com tons de locais como a Grécia. Com influências tiradas do Fado, estilo musical português, temos um calor latino, como também uma crescente dramática em cada melodia.

Toda essa onda de sensações e experiências inunda as percepções do jogador, o colocando completamente na trama de Chrono Cross. Assim como Serge viaja entre mundos, o jogador faz um passeio através do tempo, entendendo o porquê de Chrono ter se tornado um clássico.

Mas esse caminho não é necessariamente fácil para os iniciantes. Os combates de turnos sempre parecem trazer alguma novidade e a curva de aprendizagem para entender o que está acontecendo é um pouco maior do que o usuário pode estar acostumado. A mecânica do campo de batalha e a influência dos elementos utilizados, assim como o acúmulo de ataques para se garantir o uso de poderes pode ser confuso a princípio. Porém, após algum tempo de gameplay e diversos plot twists, Chrono Cross consegue conquistar até os que não gostam tanto de jogos de turno.

Remasters são para jogadores antigos ou novos?

Kid, uma das personagens de Chrono Cross

Sendo assim, é difícil encontrar um veredito que seja justo em relação a Radical Dreamers. Inclusive, tratar desse remaster levanta novamente a questão sobre para qual público um relançamento é destinado: fãs ou novos jogadores?

Isso porque, infelizmente, para quem já revisitou o jogo de outras formas, pagar o valor cheio para ter uma experiência igual, mas com poucas mudanças, não é vantajoso. Mas, para quem nunca colocou as mãos em Chrono Cross, tem curiosidade e gostaria de se aventurar por este clássico, essa é uma boa oportunidade.

Mesmo não adicionando muito, Radical Dreamers Edition torna um título clássico acessível em hardwares modernos. Não da melhor forma, mas desempenhando um bom papel. Seja qual for o caso do jogador que decidir adquirir Chrono Cross, novo ou antigo, a verdade é que a escolha dele se resumirá no mesmo: manter as memórias saudosistas da lenda que se tornou essa franquia ou criar novas experiências com o jogo.

Nota: 8/10

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sobre o autor Junno Sena

Pós graduando em Antropologia com o raio problematizador ligado no 120. Assiste filme trash para relaxar e dorme cantarolando a trilha sonora de A Hora do Pesadelo. Blaxploitation na veia e cinema coreano no coração. Atualmente mora em Petrópolis, RJ.