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Paul Verhoeven, diretor de RoboCop, critica falta de sexo em filmes da Marvel e 007

Por Arthur Eloi

Paul Verhoeven é lembrado por dirigir clássicos de ação como RoboCop (1987) e O Vingador do Futuro (1990), mas o cineasta holandês também fez seu nome com obras de forte apelo erótico, como Instinto Selvagem (1992), Showgirls (1995) e Benedetta (2021). A sensualidade é algo tão importante para o diretor que a falta disso é seu maior problema com as obras da Marvel Studios e da franquia 007.

Em entrevista ao jornal britânico The Times, Verhoeven criticou os filmes de herói da Marvel e as recentes aventuras de James Bond pela ausência de sexo, apontando as duas franquias blockbuster como sintomáticas de um puritanismo em Hollywood (via CBR):

Sexo é a essência da existência! Sem isso, nossa espécie deixa de existir. Então por que tratar como um segredo? Há uma nova onda de puritanismo. […] Às vezes, filmes sobre explosões são divertidos, mas as narrativas não falam nada sobre a sociedade no momento. Não vejo nenhuma reflexão em um filme da Marvel ou de James Bond. 007 sempre teve sexo! Não era explícito, mas estava lá.

Segundo o diretor, o fato dessas obras liderarem as bilheterias mostram que já não há mais espaço nos grandes circuitos para filmes eróticos – ou mesmo para filmes que reconhecem a existência de sexo como algo comum:

A sensualidade foi tirada dos filmes. Na década de 70 até dava para falar sobre mas agora, décadas depois, filmes eróticos já não são mais possíveis. Seria muito complicado fazer algo como Showgirls ou Instinto Selvagem hoje em dia.

Paul Verhoeven acredita que, pelo puritanismo em Hollywood, não conseguiria fazer um filme como Instinto Selvagem em 2022

Os argumentos de Paul Verhoeven dificilmente são únicos. Em fevereiro de 2021, a repórter RS Benedict manifestou a mesma preocupação com o puritanismo de Hollywood em uma popular dissertação batizada de “Everyone is Beautiful and No One is Horny” (ou “Todos São Lindos Mas Ninguém Têm Tesão” em tradução livre).

No artigo, a jornalista narra como o sexo deixou de ser um elemento recorrente nos blockbusters dos anos 80 para cá, mas que as grandes produções – mesmo as da Marvel Studios – seguem sexualizando corpos ao mesmo tempo que se afastam de qualquer noção de intimidade.

Paul Verhoeven não é o único cineasta a reclamar da falta de sexo nos blockbusters modernos

Os comentários de Verhoeven apenas ecoam opiniões amplamente discutidas entre os realizadores e o público. O cineasta Steven Soderbergh (Magic Mike) também reclamou da ausência de sexo em filmes de herói, afirmando que não saberia como contar histórias em um mundo sem sensualidade.

A Marvel Studios está ciente dessas críticas. Tanto é que, recentemente, houve grande comoção pelo fato de que Eternos seria o primeiro filme do Universo Cinematográfico da Marvel com uma cena de sexo. A notícia despertou animação em lado do público, preocupação no outro, mas no fim das contas passou batida quando o longa foi lançado.

Seja como for, o debate com certeza continuará pelos próximos anos. Para quem se interessa por obras eróticas, o filme mais recente de Paul Verhoeven, Benedetta, já está disponível para aluguel digital, e acompanha uma freira que descobre sentimentos lésbicos em um convento italiano no século 17.

Qual a sua opinião sobre a polêmica? Deixe nos comentários abaixo, e aproveite para conferir:

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sobre o autor Arthur Eloi

Repórter entusiasta de filmes ruins, jogos de tiro e de horror em todas as suas formas. Dá notas duvidosas para obras questionáveis • @ArthurEloi117