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Naomi: Conheça a heróina da DC que estreia nova série na HBO Max

Por Junno Sena

A última filha de um universo alternativo. Parece irônico pensar que foi necessária uma viagem pelo multiverso para que a primeira jovem heroína negra da DC Comics com uma revista solo fosse apresentada. Criada por Brian Michael Bendis junto de David F. Walker e com o artista Jamal Campbell para o selo Wonder Comics, Naomi foi lançada em março de 2019, trazendo uma narrativa dinâmica, visual e que não tinha nada a ver com heroísmos, mas sobre encontrar o que há de especial em si mesmo.

Uma origem curiosa

E se tudo que você acreditava sobre o mundo estivesse errado? Se abrirmos nossos olhos, o que veríamos?”, inicia Naomi no primeiro episódio de sua série da CW, com estreia prevista para dia 27 de janeiro na HBO Max.

Primeira capa de Naomi #1

E tal aspecto no quadrinho de Naomi não foi algo novo para a indústria dos quadrinhos. Desde o lançamento de heróis como Ms. Marvel, a Kamala Khan, e Miles Morales, as editoras têm, constantemente, aproximado o comum e o ordinário com uniformes heroicos. Foi com esse cheirinho de diversidade e inclusão, somado a uma pitada do aconchego de Super Choque que Naomi surgiu na DC.

Começando, ou terminando, pelo seu sobrenome: McDuffie. A garota adotada, vinda de outra dimensão, descobre, ao decorrer de sua primeira aventura, que o que há de mais especial nela é sua família e amigos. E com o leitor descobrindo seu sobrenome apenas na sexta e última edição do primeiro volume, vemos também uma referência a Dwayne McDuffie, co-criador do Super Choque, que trabalhou na série animada e morreu aos 49 anos, em 2011.

A honra de ter esse sobrenome não é aleatória. Dwayne foi um dos fundadores da Milestone Media nos anos 90 e, durante toda sua carreira, se dedicou à diversidade e à inclusão. E todas essas características se espelham na personalidade expansiva de Naomi. Principalmente no seu amor por quadrinhos e heróis, o estopim para a sua história.

Imagem de Naomi #1

Nela, em uma cidadezinha que nada acontece, há uma aparição do Superman lutando com um vilão aleatório. Para os cidadãos de Metrópoles, isso é apenas uma quarta-feira comum, mas para a dona do principal fórum sobre o Homem de Aço, é um grande furo. O problema é que Naomi nunca conseguiu chegar a tempo para ver o seu herói.

É então que o leitor se debruça numa história repleta de conspirações e viagens interdimensionais ao lado de Naomi. Curioso é pensar na importância do Superman para o início da jornada de Naomi, mas também na irrelevância dele para o decorrer da história. O herói serve apenas como um contraponto, um paralelo irreal da vida de Naomi. Mas, que possui uma semelhança: ambos são adotados.

A importância dos detalhes

Representando a narrativa dos sonhos de “qualquer pessoa adotada”, de acordo com Naomi, ele é tudo o que ela não é: homem, branco, herói. E ela, normal, mulher, negra. Mais uma na plateia de uma luta entre ele e algum vilão. De certa forma, Naomi representa o que seria um herói do mundo real. Que vai atrás de seus sonhos e desejos.

Dada essa pequena introdução, vamos conhecendo melhor o seu círculo de amigos e aos poucos, descobrimos que sua adoção não foi tão simples quanto preencher um maço de fichas e trambiques com o governo. Vinda de uma Terra alternativa, onde a degradação da camada de ozônio expôs 29 pessoas a um tipo de radiação que deu a eles poderes divinos, Naomi foi resgatada por um ex-soldado Raniano enviado para a terra durante uma guerra entre Ranns e Thanagars.

Naomi revela seus poderes para sua melhor amiga.

Com diversas simbologias que representam o envio de Kal-El para a nossa Terra, Naomi possui poderes e vilões que podem se igualar aos de um deus. Tendo uma enorme quantidade de energia em seu corpo, ela possui super força, resistência física e é capaz de atirar rajadas de energia com as mãos. Isso somado à capacidade de materializar uma armadura em seu corpo.

Todas essas características são apresentadas de forma orgânica no quadrinho. O pequeno universo criado por Bendis, nas seis primeiras edições, mostra uma garota determinada a descobrir quem é, mas também cercada de personagens complexos e carismáticos que prometem dar as caras na primeira temporada da heroína na televisão.

De quadrinhos para uma tela maior

Kaci Walfall como Naomi.

Para isso, Naomi está recebendo a ajuda de outro grande nome da cultura pop: Ava DuVernay. A diretora e roteirista, ganhadora do Oscar por 13º Emenda, retorna para um modelo serializado, mas com um tema bem mais leve. Com o intuito de ser uma “porta para a nova geração e um ponto de partida para os fãs dos quadrinhos”, Ava procura normalizar o normal. Trazer a possibilidade de ser mulher, negra e heroína, como comentou em sua conta no Twitter:

“Me perguntaram por que estou fazendo uma série na CW sobre uma garota negra descobrindo que ela é uma super heroína. É porque eu quero que exista uma série sobre uma garota negra descobrindo que é uma super-heroína. E então sendo ótima nisso.” 

Diferente de outras séries que possui um mesmo viés representativo, como Black Lightning, Naomi se debruça em uma história coming of age. Interpretada por Kaci Walfall, essa nova versão da personagem traz algumas diferenças da original dos quadrinhos, com uma delas sendo um maior desenvolvimento narrativo sobre ela ser negra.

“Minha vida toda foi sobre ser ‘diferente’”, ela diz no segundo episódio. A descoberta de sua raça alienígena é só mais um indício dessa diferença, pois na mesa de jantar com os pais, no colégio, na praça, na cidade no geral, sua cor já diz muito. 

Talvez, a maior dúvida se torne o que esperar de Naomi na série. Com o Arrowverse praticamente enterrado, parece pouco provável que veremos a força da heroína ao lado de outros personagens das séries da CW. Por outro lado, o potencial da garota pode se beneficiar, e muito, de uma narrativa que foque nela e nas descobertas que sua origem guarda.

Se veremos “Naomi” se tornar “Powerhouse”, nome dado pelo Aquaman nos quadrinhos, ainda não sabemos. Mas, aqui no Brasil falta pouco para sua chegada na HBO Max.

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sobre o autor Junno Sena

Pós graduando em Antropologia com o raio problematizador ligado no 120. Assiste filme trash para relaxar e dorme cantarolando a trilha sonora de A Hora do Pesadelo. Blaxploitation na veia e cinema coreano no coração. Atualmente mora em Petrópolis, RJ.