Miracleman: Estreia em nova HQ da Marvel é mais um capítulo da história do herói com problemas de direitos autorais

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Miracleman: Estreia em nova HQ da Marvel é mais um capítulo da história do herói com problemas de direitos autorais

Por Junno Sena

Por quase uma década, a Marvel Comics possui os direitos de publicação do Miracleman, mas apenas agora está pronta para colocá-lo nas histórias principais da editora. Sendo visto como uma versão problemática e alternativa do Superman, Micky Moran tem estado em volta de controvérsias legais desde a sua criação.

Marvelman ou Miracleman?

Imagem da capa de Marvelman

Criado em 1954 por Mick Anglo com o intuito de substituir o Capitão Marvel, Micky Moran, originalmente, seria capaz de canalizar os poderes de um mago ao dizer uma palavra mágica. Mas, foi apenas em 1982, que se tornou o que conhecemos hoje. Recuperando-se dos efeitos de uma bomba atômica que matou sua família, a jornada do personagem, repleta de críticas ao militarismo extremo e com seu tom mais adulto, acabou ficando prejudicada por conta de seus direitos autorais.

E isso tudo, no meio de uma briga de titãs. A primeira versão de Miracleman, Marvelman, foi lançado, como reimpressões do Capitão Marvel da Fawcett Comics. Os lançamentos foram interrompidos com um processo legal feito pela DC Comics por conta das similaridades com o Superman.

Assim como Capitão Marvel, o garoto Micky Moran entoava uma palavra para ganhar poderes de força, vôo e velocidade. “Kimota” — “atomic” ao contrário —, o rapaz, junto de sua família, usaria seus poderes para derrotar Gargunza e outros vilões.

Com os problemas de direitos autorais, Marvelman foi deixado de lado, como uma relíquia da Era de Prata, sendo revivido apenas mais tarde por Alan Moore. Sendo parte de um experimento do governo, a nova versão de Moore desconstruia toda a alcunha de super-herói, transformando-o em um personagem sombrio e amargurado.

Entre direitos autorais e tribunais

O retorno de Miracleman em Timeless #1

O material publicado na antologia Warrior acabou tendo outro problemas nas mãos. Mesmo que a Marvel fosse conhecida como Timely na época, não demorou para que a mudança do nome da editora se tornasse mais uma questão legal para o personagem. Foi então que o material, agora licenciado pela Eclipse Comics, mudou o nome do herói para Miracleman, buscando evitar qualquer problema com a Marvel.

Mas, este foi apenas o início da luta pelos direitos do Miracleman. Com o novo licenciamento do herói, os direitos foram divididos para o criador da nova versão, Alan Moore, e o atual roteirista, Neil Gaiman. Quando Todd McFarlane, criador de Spawn, comprou a Eclipse Comics, imaginou que os direitos de Miracleman estavam em sua posse.

E essa foi uma história que Neil Gaiman fez questão de ir atrás judicialmente. O plano de McFarlane de introduzir o personagem como Man of Miracles nos quadrinhos de Spawn foram por água abaixo e foi revelado, no tribunal, que os direitos recaíram sobre Mick Anglo, que originalmente criou a primeira versão do Miracleman.

Eventualmente, depois de tanta dor de cabeça, a Marvel Comics conseguiu comprar os direitos do personagem, limpando toda a sua história como “Marvelman”. A inserção dele no momento atual da editora é algo para se animar. Micky Moran parece finalmente ter encontrado um lar para dar prosseguimento ao seu quadrinho.

Com a forma como o enredo da editora está prosseguindo, é capaz que Miracleman se encontre com figuras como o Sentinela, que é visto como o atual Superman da Marvel.

Recentemente, no Twitter da editora anunciaram a sua participação na série Timeless, protagonizada por Kang, o Conquistador, outro personagem que tem ganhado grande destaque nos quadrinhos recentes.

Agora, a grande pergunta é: Como Miracleman irá afetar o futuro do Universo Marvel?

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sobre o autor Junno Sena

Pós graduando em Antropologia com o raio problematizador ligado no 120. Assiste filme trash para relaxar e dorme cantarolando a trilha sonora de A Hora do Pesadelo. Blaxploitation na veia e cinema coreano no coração. Atualmente mora em Petrópolis, RJ.