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[Indie+ #7] Nobody Saves The World, Trek to Yomi e games orgulhosos para Junho

Por Márcio Jangarélli

Entre as vantagens que os jogos indie possuem sobre os grandes blockbusters da indústria, a principal é a liberdade de criação. Títulos de grande orçamento tem muito a perder caso saiam demais da casinha e o público não compre a ideia. Por sua vez, jogos indie precisam apostar na inovação para gerar hype e chamar a atenção no mercado.

Nobody Saves The World, da Drinkbox Studios, e Trek to Yomi, da Devolver Digital, se encaixam perfeitamente nessa ideia. Ainda que não possuam as premissas mais originais de todos os tempos, a maneira como esses games aplicam seus conceitos e mecânicas os torna absolutamente divertidos, surpreendentes e indispensáveis em épocas de seca no universo gamer.

Para a Indie+ desse mês, testamos os dois games no PlayStation 5, além de montar uma seleção de jogos em celebração ao mês Orgulho LGBTQIA+.

NOBODY SAVES THE WORLD (PS5)

Vá preparado para momentos… peculiares em Nobody Saves The World

Imagine poder se transformar em uma variedade de seres fantásticos, cada um com habilidades e mecânicas de combate diferentes, para salvar o mundo de uma praga mágica misteriosa; essa é a ideia de Nobody Saves The World, um dos jogos indie mais interessantes do início de 2022.

O game foi lançado em Janeiro, para PC e Xbox, e meses depois recebeu port para PS e Switch. Criado pela Drinkbox Studios, responsável por Guacamelee!, o jogo é uma mistura de RPG de ação, dungeon crawler e bom humor. As inspirações nas franquias Zelda e Final Fantasy são claras, mas o título crava sua originalidade brincando com clichês de histórias fantásticas em geral.

Controlando “Ninguém”, você usa uma varinha mágica para se transformar, assumindo a forma de animais, como rato ou cavalo, combatentes clássicos, como guerreiro ou ladrão, e até seres mitológicos, como sereia ou fantasma. Cada transformação possui um gameplay diferente e o jogo te incentiva a misturar formas de maneira estratégica, gerando uma dinâmica muito divertida.

Essa é sua chance de encontrar seu garanhão dos sonhos!

Para avançar na jornada, é preciso encarar as masmorras espalhadas pelo mapa, coletando estrelas para abrir novas áreas. Ao entrar na masmorra, o estilo dungeon crawler passa a valer e você tem que completá-la sem morrer, ou voltará para o início. Existem masmorras com penalidades, exigências e armadilhas diferentes, então cuidado!

Os pontos altos de NSTW estão no sistema de transformações e no estilo artístico do game, vibrante e cômico. Você vai querer explorar e evoluir ao máximo para desbloquear as loucuras que o jogo ainda não te mostrou. O humor também é quase sempre bem sucedido, ainda que existam algumas piadas e momentos que não funcionam. Como é algo subjetivo, não dá para acertar todas, né?

Apenas história e progressão barram Nobody Saves The World do topo. Não que sejam ruins, mas são dois pontos fracos em comparação aos outros sistemas do game. A narrativa é muito simples e se sustenta demais nas piadas para prender o interesse, tornando a aventura maçante em certa altura. Não é por falta de desafios, novas áreas ou novos personagens, mas pelo fato de não ser uma jornada que engaja de verdade.

Nota: 7,5/10

Se você quer um game para se divertir, sem muitas pretensões e preocupações, apenas um tempinho gostoso na frente do videogame, Nobody Saves The World é a pedida. O combate do game é muito diverso, as diferentes transformações te mantém curioso e os designs de personagem e mundo são sensacionais.

 

É só não ir esperando algo muito profundo ou uma grande experiência imersiva. Dessa forma você vai encontrar um gameplay excelente, boas piadas e dungeons levemente desafiadoras. Às vezes é só isso que precisamos de um game.

 

Assim, Nobody Saves The World é um 7,5 para a Legião dos Heróis! 

TREK TO YOMI (PS5)

Trek to Yomi é um deleite visual

Dando um giro de 180º, o que Nobody Saves The World tem de colorido e engraçado, Trek to Yomi mergulha no drama e derramamento de sangue. Uma produção da Devolver, esse é um game cinematográfico de samurai que consegue ser original e épico mesmo em épocas onde esse tipo de história está sendo trabalhado à exaustão.

O ás do título é conseguir ser cinematográfico sem perder a essência do que um jogo é. Obviamente inspirado pela filmografia do lendário Akira Kurosawa, o game é todo feito em preto e branco, possui enquadramentos clássicos, se utiliza da trilha sonoro marcante, sonoplastia e silêncio das maneiras mais certeiras e até segue ritmo, roteiro e clichês próprios do gênero. Mas Ghost of Tsushima já fez tudo isso, certo?

O que diferencia Trek to Yomi do samurai da PlayStation é o gameplay e as intenções do jogo. É um título que importa essa assinatura do cinema, mas que não quer se distanciar das dinâmicas clássicas de um game. Ele não é contemplativo ou ambicioso além do limite; no fundo, ele é “apenas” um side scrolling de ação, com ataques simples e exploração dinâmica, embalado em um pacote artístico de primeira – e isso é ótimo!

Cinematográfico na medida certa

A direção sonora e de arte de Trek to Yomi é fantástica. Ele chega a ser até mais cinematográfico que seus rivais de alto orçamento nesse sentido, quando a câmera aberta, parada, dos cenários está constantemente evocando aquelas cenas épicas de combate. E é super interessante interagir com esse tipo de narrativa dessa maneira, especialmente quando existe profundidade de cenário e segredos espalhados por todo o canto.

Os elementos estéticos, junto do gameplay, criam uma experiência imersiva muito prazerosa. Você não está exatamente em um mundo fantástico de samurais, como acontece com Tsushima ou até Sekiro, mas em um filme. O game é mais direto ao guiar o jogador e o ritmo da história é o suficiente para te manter entretido sem perder o dinamismo que um jogo pede.

Talvez a única coisa que não atinge total excelência aqui seja o sistema de combate. Você possui ataque pesado, rápido, defesa, pose e skills e existe alguma variedade de movimentos e desafios, porém é quase simples demais. Não incomoda, pode até demorar um tantinho para você pegar o jeito, mas, depois de certo ponto, você sabe que o que te prende em Trek to Yomi é tudo menos as batalhas.

Nota: 9/10

Não se engane, no entanto: Trek to Yomi é uma aventura incrível e pode até estar entre os melhores lançamentos desse início de 2022 – não no topo, porque foi um semestre absurdo, mas top 10.

 

É uma mistura de cinema e game sem igual, com jogabilidade simples, muito drama e sangue em preto e branco. Definitivamente um título que você deve colocar na sua lista.

 

Assim, Trek to Yomi é um belíssimo 9 para a Legião dos Heróis.

JOGOS ORGULHOSOS PARA JUNHO

por Gabriel Mattos

Estamos em Junho, então a Indie+ não poderia passar sem comemorar o mês do Orgulho LGBTQIA+ com vocês. Ainda precisamos de muito, muito mais jogos para a comunidade e da comunidade, mas, nos últimos anos, vários títulos que nos contemplam (de alguma forma) foram lançados, um mais legal que outro.

Abaixo, separamos alguns games para você passar Junho 100% orgulhoso, junto da Legião. Vem com a gente?

Stardew Valley (PS/Xbox/Switch/PC/Mobile) – Chucklefish

Crie sua fazenda feliz em Stardew Valley

A primeira recomendação é o clássico Stardew Valley, o jogo em que você cuida de sua fazendinha de pixel art e xaveca toda população local. Nesta época de festas juninas, nada melhor para entrar no clima do que um game rural onde você pode ser quem você quiser e namorar quem você quiser. As opções de romance além de variadas para embarcar diferentes sexualidades, também são bastante profundas, porque cada fazendeiro tem algum segredo a ser revelado. Aproveite que este jogo está sempre baratinho em todas as plataformas e comece a sua jornada.

Haven (PS/Xbox/Switch/PC) – The Game Bakers

Haven te permite viver um romance entre um homem e uma mulher, dois homens ou duas mulheres.

Haven é um caso raro de um jogo de um RPG de aventura que a história principal desenvolve o romance entre duas pessoas. Este casal largou tudo que conhecia para viverem como foragidos em um planeta distante. Cada interação é tão orgânica, fofa e leve que consegue traduzir bem as menores sutilezas da relação complexa deste casal. E o melhor, depois de uma atualização, é possível escolher o gênero de ambos os personagens, para contar a história do casal que melhor te representa.

Ikenfell (PS/Xbox/Switch/PC) – Humble Bundle

Ikenfell é um RPG de turnos clássico inspirado em Harry Potter, com combates táticos como Mega Man Battle Network. A história se passa em um castelo de magia em que o jogador controla uma aluna novata que apesar de ter uma irmã muito poderosa, não tem nenhuma aptidão para magia.

Enquanto ela desvenda o mistério do que aconteceu com sua irmã, vai aprendendo aos poucos como ser uma bruxa melhor e conhecendo amigos super interessantes. Cada um se especializa em um tipo de magia e acaba pertencendo a alguma letra da sigla LGBTQIA+. A trilha sonora conta com músicas das compositoras de Steven Universe e o game traz a mesma atmosfera acolhedora da animação.

Night in the Woods (PS/Xbox/Switch/PC) – Finji

Be gay, do crimes

Night in the Woods é um jogo de aventura macabro, que traz uma atmosfera entre Twin Peaks e Gravity Falls. A história acontece em um universo habitado por animais antropomórficos e o jogador controla uma grata jovem adulta que acabou de voltar para casa após largar a faculdade. Enquanto reencontra com seus amigos, que incluem um casal gay muito adorável, o grupo de amigos vai desvendando os mistérios medonhos desta cidade aparentemente pacata, mas secretamente assustadora.

Monster Prom 3: Monster Roadtrip (Demo) [PC] – Beautiful Glitch

Monstros sexys para todos os públicos, seja você LGBTQ+ ou hétero.

Monster Prom 3: Monster Roadtrip é o próximo capítulo desta franquia de jogos sobre namorar monstros. Este é um dating sim competitivo em que o jogador pode competir online ou presencialmente com seus amigos da vida real para conquistar diferentes monstros. O primeiro jogo se passa em um colegial, enquanto a sequência trazia um acampamento e o próximo título traz uma viagem cheia de hormônios. Crie seu personagem, escolha seus pronomes e se apaixone por estes monstros com personalidades absurdamente cativantes. A demo está disponível gratuitamente e o lançamento deve acontecer em breve.

Celeste (PS/Xbox/Switch/PC) – Extremely OK Games

Celeste é uma doce história de aceitação para pessoas neurodivergentes e LGBTQIA+.

Celeste é um premiado jogo de plataforma dificílimo, mas justo. O game foi criado por canadenses, com arte feita por brasileiros, e se tornou um sucesso absurdo por tratar temas delicados, como ansiedade, em um gênero que costuma focar apenas em jogabilidade. Durante o desenvolvimento do jogo, a game designer principal, Maddy Thorson, se descobriu uma mulher transgênero e passou um pouco da sua experiência para a protagonista do jogo, Madeline, que foi confirmada como trans em uma atualização.

Dream Daddy: A Daddy Dating Simulator (PS/Switch/PC/Mobile) – Game Grumps

Dream Daddy equilibra paternidade com romance gay.

Dream Daddy: A Daddy Dating Simulator (DDADDS) é um divertido simulador de namoro que permite que o jogador crie um pai solteiro, cis ou trans, que acabou de se mudar para um bairro cheio de outros pais gostosos. O mais divertido é que, diferente do que se espera para este gênero, cada relacionamento parece bastante verdadeiro, relevando as inseguranças e imperfeições de cada personagem. Além disso, a história também aborda famílias LGBTQ+ dando um foco na relação entre o protagonista e sua filha.

Gostou das recomendações? Tem algum jogo com temática LGBTQ+ para recomendar? Não deixe de comentar!

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Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.