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Era melhor ver o filme do Pelé? Descubra qual era o filme que o Chaves queria ver

Por Junno Sena

Existem alguns mistérios ao redor de Chaves. Qual o sabor do refresco que parece limão, mas é de groselha e tem gosto de tamarindo? Já chegou mesmo o disco voador? E, talvez a mais conhecida: Era melhor ir ver o filme do Pelé?

Ironias à parte, a curiosidade por trás de Chaves e o icônico episódio Un dia en el Cine (Vamos ao Cinema, na tradução), exibido pela primeira vez em 1979 no México ganhou uma adaptação diferente no Brasil. E ela fez com que várias crianças se perguntassem que filme do Pelé era esse que Chaves tanto queria ver no cinema.

Chaves não queria ver o filme do Pelé

Chaves, Sr. Barriga e Xiquinha sentados no cinema

Chaves em Un dia en el Cine

Mas, para chegarmos nessa resposta, é preciso dar alguns passos atrás. Na verdade, na versão original do episódio de El Chavo del Ocho. Nele, toda a vizinhança vai ao cinema, mas o que seria um passeio divertido para as crianças, se torna motivo de frustração. Principalmente para Chaves, que esperava ver o Pelé no telão.

Enquanto o filme escolhido por todos é exibido, Chaves repete exaustivamente: “Seria melhor ter ido ver o filme do Pelé”. O mistério dessa frase é que o garoto queria assistir outro filme: El Chanfle. No original, o personagem de Roberto Bolaños diz: “Mejor hubieramos ido a veral Chanfle”.

O que é El Chanfle?

Homem de camisa amarela e homem de camisa branca e preta no centro sob o sol, atrás, o resto do time de futebol está sentado no banco

Cena de El Chanfle

Enquanto no Brasil, a frase serviu como uma forma de fazer uma referência ao futebol brasileiro; No México, Bolaños viu uma oportunidade de divulgar o seu novo filme. El Chanfle reúne todo o elenco do seriado Chaves para contar a história de um homem de 30 e poucos anos, muito pobre e que trabalha como ajudante da equipe Club América.

Com o sonho de se tornar um jogador profissional, mas sem talento algum, Chanfle tenta se mostrar um elemento essencial do time enquanto passa por um drama familiar com sua esposa e um desejo de ter filhos.

Um verdadeiro clássico para os mexicanos, El Chanfle nunca chegou a ser lançado no Brasil. A clara referência ao seu longa acabou caindo em desuso e, com o enredo do longa percorrendo o mundo do futebol, acabaram encontrando na fama de Pelé no cinema, uma boa inspiração para a dublagem nacional.

Pelé, uma estrela do cinema?

Pelé em Os Trombadinhas

A escolha também se deu pelos filmes com Pelé e a exibição de Chaves no México coincidirem. Em 1979, por exemplo, ano de exibição do episódio, era lançado o longa Os Trombadinhas, protagonizado por Pelé e referenciado até hoje pelo meme “Não, eu sou o Jô Soares, sua piranha”.

Nesse caso, talvez não ter ido ver o filme do Pelé tenha sido melhor. Nele, um bem intencionado empresário decide mudar a situação de jovens abandonados que se voltam para o crime. É então que ele entra em contato com Pelé, uma ex-estrela de futebol e instrutor da equipe juvenil do Santos Futebol Clube, para ajudá-lo.

Porém, não é assim tão simples definir qual filme com o Pelé a dublagem brasileira estava se referindo. Isso porque, embora este capítulo de Chaves tenha sido exibido em 1979 e dublado em 1990, apenas chegou a ser exibido no SBT em 1992.

E, entre 1979 e 1992 foram lançados cerca de nove filmes com o jogador de futebol. A outra escolha lógica para a referência feita a Pelé é o longa Fuga para a Vitória, que tem Sylvester Stallone e Michael Caine no elenco.

Além dessas duas produções, outro filme marcante na filmografia de Pelé é Os Trapalhões e o Rei do Futebol, lançado em 1986. Nele, Pelé interpreta um repórter esportivo que tem uma coluna diária e é fã de futebol.

Seja qual filme tenha sido o pensado para a mudança, essa é mais uma prova de como o trabalho na dublagem nacional foi capaz de criar um momento icônico e referenciado até hoje. E Chaves é repleto de adaptações do tipo, desde diálogos envolvendo a história do México que deram lugar a história do Brasil até nomes de cidades do interior de São Paulo sendo citados.

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sobre o autor Junno Sena

Pós graduando em Antropologia com o raio problematizador ligado no 120. Assiste filme trash para relaxar e dorme cantarolando a trilha sonora de A Hora do Pesadelo. Blaxploitation na veia e cinema coreano no coração. Atualmente mora em Petrópolis, RJ.