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Demon Slayer: Por que o pássaro de Zenitsu é diferente dos outros caçadores de demônios?

Por Junno Sena

Um dos pontos altos de Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba é conseguir balancear momentos impactantes com boas situações cômicas. E, às vezes, ambas as características vivem sob o mesmo elemento. Esse é o caso do pássaro mensageiro de Zenitsu que, diferente dos outros membros da Tropa de Caçadores de Demônios, é um pardal ao invés de um corvo — com uma razão para isto (via CBR).

Por que utilizam corvos como mensageiros?

A entrega dos pássaros aos novos caçadores.

Além do bom alívio cômico, o motivo para o usuário da Respiração do Trovão ter recebido Chuntaro, um pardal, se encontra na mitologia japonesa, sendo uma alegoria para o potencial que Zenitsu pode atingir.

Mas, para isso, precisamos compreender primeiro o significado dos corvos para o anime. De acordo com uma lenda, um corvo de três pernas foi enviado pela deusa Amaterasu para o herói Jimmu. Cada uma das pernas representava uma característica dos deuses: sabedoria, bondade e coragem. O corvo, Yatagarasu, foi a Jimmu e o instruiu a partir para uma batalha, da qual ele sairia vitorioso.

Em Demon Slayer, o uso de corvos como mensageiros é uma homenagem a Yatagarasu. Servindo como um símbolo de proteção, a presença do pássaro é como a segurança do corvo de três pernas em apontar a luta na qual o caçador sairá vitorioso.

Zenitsu e o seu pardal

Zenitsu e Chuntaro.

Porém, quando falamos de Zenitsu, a presença de um corvo não conversa tão bem com a personalidade do rapaz. Pelo contrário, sabedoria, bondade e coragem são aspectos que o caçador vem construindo através da trama.

Diferente de Tanjiro que apresenta essas características no primeiro episódio do anime, Zenitsu inicia a história como alguém que sempre precisa ser salvo. Sabedoria não parece estar entre suas qualidades. Fazendo assim, bondade ser um destaque, já que, em seu primeiro encontro com Nezuko, ele se coloca em prontidão para protegê-la.

Por esses motivos e pelo folclore japonês “A história do pardal com a língua cortada” torna Chuntaro a escolha certa para Zenitsu. Nela, um cortador de madeira e sua esposa mesquinha encontram um pardal. O homem, percebendo que o pássaro estava ferido, lhe dá arroz. Rapidamente, surge uma afeição entre os dois, fazendo com que o pardal sempre retorne para o homem.

Mas, um dia, quando o homem estava na floresta, o pardal retorna para a casa. Mesmo sem a presença de seu protetor, ele come um pouco de arroz, porém a mulher o pega e corta sua língua. Quando o homem retorna, ele procura pelo pardal e encontra um ninho repleto dos pássaros.

Então, os pardais lhe oferecem três caixas. Uma pequena, uma média e outra grande. O homem, humilde, pega a menor e volta para casa. Nela, ele encontra diversas riquezas em seu conteúdo. A mulher, após ver o achado, vai até o ninho e pega a maior caixa. Mas, o seu conteúdo eram cobras. A mulher foge com o susto e cai de um precipício.

Mas, por que o pássaro de Zenitsu é um pardal?

O primeiro encontro entre a Kizuki Dako e Zenitsu.

A história pode parecer exagerada, mas representa muito da personalidade de Zenitsu. Principalmente quando pensamos nas caixas oferecidas pelos pardais. Zenitsu, em comparação aos seus aliados, é o menor e, aparentemente, mais fraco. Mas também é um dos com maior potencial evolutivo.

Sua personalidade caridosa é algo que se destaca depois de conhecê-lo melhor. Talvez, um dos momentos em que isso fica mais claro é quando ele se coloca entre a Kizuki Daki e uma garota que ele acabou de conhecer. Muito mais do que tentar proteger seu interesse romântico, Zenitsu estava se colocando em risco por outro indivíduo.

O pardal, assim como Zenitsu na trama, é o símbolo da comunidade, bondade e, em alguns casos, boa sorte. E, a presença constante de Chuntaro serve como uma lembrança que, agora, o caçador não está sozinho em sua jornada.

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Junno Sena

Pós graduando em Antropologia com o raio problematizador ligado no 120. Assiste filme trash para relaxar e dorme cantarolando a trilha sonora de A Hora do Pesadelo. Blaxploitation na veia e cinema coreano no coração. Atualmente mora em Petrópolis, RJ. Ele | Elu