Comic Sans: Como a DC inspirou a fonte mais odiada do mundo

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Comic Sans: Como a DC inspirou a fonte mais odiada do mundo

Por Arthur Eloi

Fontes de computador não são um dos assuntos mais interessantes para se discutir, e é isso que torna tão curioso o fato de que todo mundo tem uma opinião sobre a polêmica Comic Sans. Não é comum ver pessoas com posicionamentos fortes sobre Arial ou Times New Roman, mas a fonte despojada é amada por poucos e odiada por muitos.

Seu nome já dá uma pista disso, mas você sabia que a fonte é inspirada nos quadrinhos da DC Comics? A gente explica essa relação inusitada aqui!

Como surgiu a Comic Sans?

A controversa Comic Sans surgiu para quebrar a formalidade das fontes de PC no início dos anos 90 (Créditos: Great Big Story/Reprodução).

A polêmica fonte é criação de Vincent Connare, que era funcionário da Microsoft durante o início dos anos 90. Naquela época, o Windows só crescia em popularidade, mas Connare sentia que o sistema operacional não tinha muito apelo com públicos mais jovens. Por muito tempo, computadores não eram nada descolados, e mais pareciam equipamento de escritório do que centrais de mídia para ver filmes, ouvir músicas ou jogar jogos.

Para o funcionário, muito desse problema era estético. Connare trabalhava diretamente com uma ferramenta chamada Microsoft Bob, que traduzia as várias funções do computador em uma interface que simulava uma mesa de trabalho. O visual da ferramenta era despojado, colorido e cheio de balões de diálogo – só que escritos em Times New Roman, um contraste entre o sério e o descontraído que incomodava Connare.

Ele então decidiu criar uma nova fonte que fosse mais leve e menos formal. Afinal, se um sistema operacional precisasse ir além das funções do trabalho, seria preciso comunicar esse momento de lazer e descontração ao público através da interface.

Como a DC Comics inspirou a criação da Comic Sans?

Fã de quadrinhos, Connare se inspirou no estilo das letras de HQs, especialmente daquelas vistas nos balõezinhos de diálogos – e é aí que a DC Comics entra em jogo. O funcionário se virou com o que tinha por perto em seu escritório, o que calhou de ser uma edição de Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, e Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller.

Em entrevista ao Great Big Story em 2017, o próprio Vincent Connare explica a criação da Comic Sans:

Eu usei Batman e Watchmen como inspiração, e tentei desenhar as letras no computador de forma que ficasse parecido, mas sem copiar diretamente, apenas prestando atenção em HQs e personagens. Meu chefe, Robert Norton, realmente não curtiu a fonte, e me dizia que deveria ser mais ajeitada. Eu argumentei que não, ela deveria ser estranha. A fonte deveria se destacar ao invés de ser a tediosa fonte de um livro escolar.

Comic Sans nasceu em outubro de 1994, mas só foi ganhar o mundo quando se tornou uma das fontes padrões do Windows 95. Connare conquistou seu objetivo de criar algo leve e descontraído, que se tornou altamente popular na década de 1990. Talvez popular até demais.

O objetivo da Comic Sans era replicar o ar descontraído de HQs como Watchmen e Batman, mas sem ser uma cópia idêntica

Do final dos anos 90 em diante, muita gente começou a se incomodar com a presença de Comic Sans em todos os lugares. O avanço da internet – e, em especial, dos primeiros memes – também deu um ar de breguice para a fonte, que ganhou a reputação de ser feia ou de algo mal feito. Na verdade, isso só reforça a ideia de seu criador de que as fontes precisam bater com o contexto em que são utilizadas, caso contrário passam uma impressão errada.

A DC Comics nunca se manifestou sobre seu papel indireto na criação da fonte mais controversa da história, seja por falta de interesse ou mesmo vergonha de se associar com isso. Mesmo assim, Vincent Connare parece nunca ter se deixado levar pela reputação: “Comic Sans não é uma das melhores obras de arte, mas conceitualmente é uma das melhores coisas que eu já fiz – provavelmente é a melhor coisa que eu já fiz”, afirmou o criador.

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sobre o autor Arthur Eloi

Repórter entusiasta de filmes ruins, jogos de tiro e de horror em todas as suas formas. Dá notas duvidosas para obras questionáveis • @ArthurEloi117