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Asilo Arkham: Tudo sobre um dos locais mais emblemáticos das histórias do Batman

Por Chris Rantin

De todos os locais mais famosos dos quadrinhos, o Asilo Arkham é um dos lugares mais memoráveis da DC Comics. Conhecido por abrigar vários dos vilões do Batman, a instituição possui uma história complexa e trágica, sendo o principal antro de loucura e tragédia das histórias do Morcego. Bora saber mais sobre Arkham?

Criação e primeira aparição 

Uma das versões de Arkham nos quadrinhos

A primeira aparição de Arkham, na época chamado de Hospital Arkham, foi em outubro de 1974, na edição #258 do primeiro volume de Batman. A história foi escrita por Dennis O’Neil e contou com as artes de Irv Novick. 

Na trama, Duas-Caras acaba recebendo alta de Arkham por conta de um general que tinha planos vilanescos de utilizar uma Bomba Atômica em Washington. Por sorte, os dois vilões começaram a brigar e o general acabou confessando seus planos para as autoridades antes de cometer suicídio. E é assim que Batman e Robin iniciam uma caçada ao Duas-Caras e conseguem impedi-lo. 

O local só foi chamado de Asilo Arkham em Batman #326, publicada em agosto de 1980, com a história escrita por Len Wein e artes de Irv Novick. A partir disso ele ficou oficialmente conhecido por este nome.

O infame nome Arkham é inspirado em Arkham, Massachussetts, cidade fictícia criada por H.P. Lovecraft, autor conhecido por seu passado racista e por ser um dos mestres do horror. Em suas histórias, Lovecraft normalmente trabalha conceitos como loucura e corrupção da mente humana, o que combina com a maneira que o sanatório é trabalhado nas histórias da DC Comics.

Passado Sobrenatural

Etrigan está envolvido com Arkham

Em Arkham Asylum: Living Hell, publicada em março de 2004 e escrita por Jim Royal, Lee Loughridge e com as artes de Ryan Sook, um novo capítulo da sombria história de Arkham foi revelado. Na HQ é dito que, antes de Elizabeth e Amadeus, ali já havia uma instituição de tratamento psicológico. 

A história conta que, no começo dos anos 1900, ali funcionava a Gotham House of Madness and Ill Humors (Casa Gotham de Loucura e Humores Doentios), cujo dono era ninguém menos que Jason Blood — mais conhecido pelo nome do demônio Etrigan que fazia exorcismos nas pessoas pobres e doentes que acabam ali, uma vez que, na época, a loucura e distúrbios psicológicos eram vistos como perturbações demoníacas. 

Seu método de tratamento era bastante violento, uma vez que ele prendia os pacientes em jaulas, fazendo com que passassem fome ou sofressem outros tipos de violência. Ele chegava até mesmo a assassinar as pessoas, na esperança de que isso mataria os espíritos malignos que as atormentavam. 

Depois de algum tempo, Blood acabou selando os espíritos malignos no porão da construção e, posteriormente, o terreno acabou sendo vendido para os Arkhams. Ou seja, é bem provável que a loucura que emana do local tenha relação com o sobrenatural.

A fundação do Asilo Arkham 

Batman: Asilo Arkham explora o passado deste lugar infame

Em Batman: Asilo Arkham, HQ de outubro de 1989, escrita por Grant Morrison e com a arte de Dave McKean, conhecemos um pouco mais sobre o passado e fundação desta instituição. Na HQ é dito que, no começo do século XX, ali era uma casa da família Arkham antes de ser transformada em um lar para os insanos. 

A história conta que Amadeus Arkham, que se tornaria o fundador do Asilo, era filho único de Elizabeth Arkham, uma mulher que sofria com distúrbios mentais. A doença de sua mãe o estimulou a seguir na área da psiquiatria, e ele investiu nisso até que conseguiu um emprego no hospital psiquiátrico de Metrópolis. Ao retornar para casa, na época chamada de Mercey Mansion, ele encontrou sua mãe ainda pior e, por isso, a ajudou a cometer suicídio, o que fez com que ele se tornasse o único herdeiro da mansão em que ela vivia. 

Lembrando de sua mãe, ele transformou a residência no The Elizabeth Arkham Asylum for the Criminally Insane (O Asilo Elizabeth Arkham para os Criminalmente Insanos), uma instituição capaz de cuidar daqueles que sofriam de transtornos psicológicos. Infelizmente, enquanto o local ainda estava sendo remodelado, Martin Hawkins, um serial killer conhecido como Cachorro Louco de Metropolis, escapou da prisão e invadiu Arkham, onde violentou e matou a esposa e filha de Amadeus.

Quando o Asilo Arkham finalmente foi inaugurado, Cachorro Louco foi um dos seus primeiros pacientes e Amadeus começou a tratá-lo como paciente. Entretanto, ao ver que ele não apresentava nenhuma melhora, o psiquiatra acabou matando o vilão durante a terapia de eletrochoque. Este foi apenas um dos muitos crimes que Amadeus cometeu, uma vez que ele foi ficando cada vez mais insano e violento, até que acabou morrendo como um dos pacientes de Arkham. 

Investimento na Segurança 

Coringa é um dos pacientes mais infames de Arkham

Os fãs dos jogos já estão acostumados com a estrutura caótica do Asilo Arkham, mas quem não conhece muito bem a instituição pode ficar na dúvida sobre como ela é por dentro. Atrás da fachada clássica e gótica, há muita tecnologia moderna, criada na tentativa de impedir as constantes fugas e aumentar a segurança dos próprios funcionários e pacientes.

Quando Jeremiah Arkham assumiu o lugar, vários anos após a morte do seu tio Amadeus, Arkham estava envolvida em várias polêmicas das administrações anteriores. Por isso, ele assumiu uma postura bem rígida e decidiu mudar tudo. Começando pela demolição das estruturas internas de Arkham e as reconstruindo reforçando a segurança e tecnologia.

Durante a reforma, Jeremiah acabou queimando todos os arquivos e registros antigos, incluindo os diários do seu ancestral, como uma forma de exorcizar simbolicamente a suposta maldição Arkham. 

Em sua atualização de Arkham, a parte interna da instituição foi construída com uma estrutura circular bastante complexa, lembrando um labirinto, o que em teoria deveria dificultar a fuga dos pacientes. As paredes das celas também foram modificadas, agora tendo mais vidros blindados para permitir que fosse possível ver o que cada criminoso estava fazendo. Além disso, outros equipamentos de seguranças foram instalados em Arkham. 

Infelizmente, essas medidas de segurança se provaram pouco eficientes, uma vez que Victor Zsasz conseguia escapar de sua cela com frequência — tendo chantageado os construtores — e que, pouco tempo depois, Bane destruiu boa parte de Arkham e libertou todos os seus pacientes. 

E esta foi apenas uma das muitas vezes que Arkham seria destruída, alvo de rebeliões ou simplesmente dominada pelos vilões. 

Uma instituição falida 

O vilão Doutor Destino, em Sandman #6, foi deixado para definhar nú em uma das celas de Arkham

Como pudemos ver, apesar de ser a principal opção para o aprisionamento e o tratamento de criminosos com distúrbios psicológicos na cidade, Arkham acumula uma série de polêmicas e escândalos desde antes da sua criação. São várias as histórias que provaram que é muito fácil escapar de lá, tanto fugindo quanto através de agentes corruptos ou de problemas administrativos. 

Além disso, há uma grande taxa de pacientes reincidentes que, mesmo recebendo o atestado de uma suposta cura, não demoram e acabam retornando para Arkham após algum grande crime. Isso, na prática, prova que a instituição simplesmente não funciona em dar algum tipo de tratamento para seus pacientes.

Mais do que simplesmente problemas estruturais, Arkham é conhecido por torturar seus pacientes, utilizando métodos ultrapassados e desumanos de tratamento. Várias HQs já mostraram que o asilo deixa alguns pacientes nus, sendo vítimas da brusca mudança de temperatura; em um longo confinamento na solitária; alvos do tratamento de choque; ou ainda presos em camisa de força por longos períodos. 

Para complicar as coisas, até mesmo os psiquiatras e responsáveis pelo local — ou aqueles que já trabalharam no sanatório — acabaram se provando mais insanos do que muitos pacientes. É o caso da Doutora Harleen Quinzel, a Arlequina; do próprio Doutor Jeremiah Arkham, que assumiu o título de Máscara Negra após a morte do vilão em uma HQ; de Achilles Milo, mais conhecido como o psicótico Professor Milo; e o brilhante e maligno Professor Hugo Strange

Ou seja, na prática Arkham é uma instituição falida, corrupta e que simplesmente não funciona, agindo mais como uma prisão que tortura seus presos do que algo que poderia ajudá-los a reintegrá-los na sociedade. 

Quem é preso no Asilo Arkham? 

Batman na cela do Charada no jogo Arkham Asylum.

Nem todo vilão do Batman acaba em Arkham. O sanatório é destinado apenas aos criminosos que são declarados como insanos. Aqueles que não possuem nenhum tipo de distúrbio psicológico acabam indo para a Penitenciária Blackgate ou transferido para alguma outra prisão dos quadrinhos da DC Comics. 

Contudo, praticamente todos os vilões da galeria do Batman já acabaram passando por Arkham em algum momento, ou tendo o local como destinação fixa quando eles são apreendidos. Entre a lista de pacientes mais famosos temos Duas-Caras, Coringa, Homem-Calendário, Máscara Negra, Cara de Barro, Arlequina, J. J. Gordon, Crocodilo, Chapeleiro Maluco, Sussurro, Homem-Pipa, Sr. Frio, Charada, Hera Venenosa, Espantalho, Victor Zsaz e Homem-Morcego

Em outras mídias 

Arlequina e Coringa em Arkham no filme Esquadrão Suicida

Além dos quadrinhos, o Asilo Arkham já apareceu em várias produções. Em Batman Para Sempre, o Charada, é visto preso em uma das celas de Arkham e, originalmente, mostraria o Duas-Caras escapando. Já em Batman & Robin, temos Hera Venenosa e Bane invadindo a instituição para resgatar o Sr. Frio.

Na trilogia de Nolan, vemos Arkham em Batman Begins, Jonathan Crane — posteriormente conhecido como Espantalho — é um dos responsáveis pelo sanatório, conduzindo experimentos cruéis em seus pacientes. Em Batman: O Cavaleiro das Trevas, é dito que Zsazs e Carmine Falcone são alguns dos presos em Arkham. 

Na série Gotham, Arkham é um local muito conhecido, mostrando principalmente a corrupção e tortura que existe lá dentro. 

No DCEU, Esquadrão Suicida vemos o passado de Arlequina e como ela conheceu o Coringa em Arkham. Em Batman vs Superman: A Origem da Justiça, vemos que Lex Luthor acabou preso lá no final do filme. Em Liga da Justiça o local volta a ser mencionado.

O local também é visto em vários desenhos como Batman: A Série Animada, Liga da Justiça, Batman: Bravos e Destemidos e Harley Quinn. Nos jogos, esteve presente em Lego Batman: O Jogo, Batman: Arkham Series e nos jogos Injustice.

E, mais recentemente, vimos o local em Titãs e, com uma versão que ainda não se chama Asilo Arkham, em The Batman

Qual a relação dos Arkhams com os Waynes? 

Atenção: Este trecho contém spoilers leves de The Batman. 

Asilo Arkham voltou a ganhar destaque em The Batman

Na cronologia oficial dos quadrinhos da DC Comics, não há nenhuma relação entre os Wayne e os Arkhams. Diferente do que vimos em The Batman, as HQs deixam claro que, antes de se tornar uma Wayne, ela era Martha Kane — que também tem uma história complexa envolvendo loucura e magia, como vemos nas histórias de Kate Kane, a Batwoman

No entanto, em Batman: Terra Um, uma das histórias que serve de inspiração para The Batman, descobrimos que Martha Wayne, a mãe de Bruce, era, na verdade, Martha Arkham.

Nesta HQ, a história conta que quando ainda era pequena, Martha viu sua mãe assassinar seu pai e, logo em seguida, cometer suicídio. O trauma foi imenso e fez com que Martha acabasse frequentando instituições psiquiátricas várias vezes, tentando esconder o seu passado por acreditar que a linhagem Arkham era geneticamente pré-disposta à loucura. 

Essa ideia da insanidade ser um legado dos Arkhams volta a ser explorada no terceiro volume de Batman: Terra Um, indicando que Bruce pode ter decidido se transformar no Batman por conta desse distúrbio latente. 

No filme dirigido por Matt Reeves, a história segue essa ideia e Bruce descobre que sua mãe era uma Arkham e possuía problemas psicológicos, algo que se torna importante na trama.

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Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"