Yara Flor: Todas as referências ao folclore brasileiro na primeira revista da nova Mulher-Maravilha

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Yara Flor: Todas as referências ao folclore brasileiro na primeira revista da nova Mulher-Maravilha

Por Márcio Jangarélli

Finalmente Yara Flor está entre nós! Depois de muita antecipação, a Mulher-Maravilha brasileira fez sua estreia na primeira edição de Future State: Wonder Woman, com arte e roteiro de Joelle Jones. E, como já tinha sido divulgado em algumas prévias, a aventura introduz o folclore brasileiro no Universo DC – em uma pequena mistura com a mitologia grega, original do manto da heroína.

Com algumas citações e participações bem legais, o quadrinho trata as lendas nativas brasileiras com muito carinho e vale à pena a leitura só para sentir aquele calorzinho por ver nossas raízes sendo exportadas para o mundo. Mas se você não se lembra tão bem dessas histórias, não tem problema: preparei esse texto para explicar todas a referências ao folclore brasileiro na HQ. Deixe um pouco de fumo para a Caipora, cuidado com o Boitatá e vem comigo!

Tupã, o Deus do Trovão

O primeiro nome vindo dos mitos brasileiros que aparece no quadrinho é de ninguém menos que Tupã. Na narração, ele é colocado junto de Zeus como um “Deus do Trovão”, mas há algum debate sobre essa afirmação – ainda que seja bem bacana igualar dessa forma uma divindade tupi-guarani ao Rei dos Deuses grego.

A história de Tupã é um pouco complicada. Ainda que seja comumente conhecido como Deus do Trovão tupi-guarani, estudiosos apontam que este é apenas o conhecimento difundido pelos jesuíta e a realidade não é bem essa. Estudos apontam que Tupã não seria exatamente um deus, mas a entidade do som do trovão, também cultuada pelos indígenas.

Tupã ocuparia o cargo de mensageiro de Nhanderuvuçu, ou Yamandú, a divindade criadora nesta religião. No entanto, como crença e religião são assuntos tão complexos por conta da difusão e sincretismo, dá para afirmar, sempre aberto a outras interpretações, que Tupã é tanto o Deus do Trovão, como a entidade do som do trovão e o mensageiro divino. Interessante notar que dependendo da crença, seu paralelo muda com o panteão grego, podendo ser equiparado a Hermes, por exemplo.

No quadrinho, a versão de Tupã utilizada é a de Deus do Trovão. Vale lembrar que até mesmo os deuses gregos possuem diferentes interpretações, algo natural para religiões tão antigas e que não possuem tantos registros históricos escritos.

Caipora, protetora da floresta e trapaceira

Já a segunda entidade vinda das nossas lendas terá uma boa participação na história da Yara Flor. Diferente de Tupã, a Caipora aparece na aventura e acompanha a heroína em sua jornada para o Submundo.

Provavelmente você já ouviu a lenda da Caipora, seja pelos seus pais, avós ou na escola. No mito, dependendo de quem conta, Caipora pode ser representado como um menino ou menina indígena encarregado de proteger os animais, enganar caçadores e pregar peças em viajantes das florestas.

Na lenda, Caipora é uma entidade que sempre está acompanhada de um porco-do-mato e usa de diversos truques para afugentar caçadores. Se fizermos uma comparação, ele meio que está entre o Saci e o Curupira, quando é um espírito protetor, mas também é trapaceiro. Aliás, o Curupira e ele seriam “primos”.

O quadrinho mostra exatamente essa personalidade em sua Caipora. Ela aparece depois que a Yara derrota uma Hidra na floresta, para tentar impedir que ela leve uma parte preciosa da carcaça. Assim, ela tenta assustar a heroína com seu assovio clássico e alguns truques, mas, como dito, a Caipora não é exatamente uma guerreira e perde para a Yara Flor.

Durante a conversa entre as duas, outras partes da lenda são abordadas. Yara cita como a Caipora a fez ficar perdida na floresta por meses, manipulando o lugar – um dos truques característicos da entidade. Ela também fala que um Boitatá foi colocado em seu caminho, mostrando o controle da Caipora sobre as criaturas da floresta. 

A Caipora também aparece montada em um porco-do-mato e fala que em certo momento estava tentando “parar de fumar”; é dito na lenda que, para acalmar o Caipora, os viajantes deviam ofertar fumo para a entidade, algo que ele aprecia muito. É daí que vem aquele ditado que talvez você tenha ouvido dos seus avós de “fumar igual uma Caipora”.

Boitatá, a Cobra de Fogo

Por fim, outra lenda famosa do nosso folclore é citada na HQ – e espero que vejamos ela em ação no futuro: o Boitatá.

Como dito, Yara reclama que a Caipora enviou um Boitatá para atacá-la em certo momento do passado. Muita gente acreditou que a serpente que a Yara apareceu enfrentando em algumas prévias e no início do quadrinho fosse essa criatura, mas na verdade era uma Hidra.

O Boitatá é uma criatura do folclore brasileiro que protege as florestas de incêndios. É dito que ele é uma cobra-de-fogo gigante que vive nos rios e ataca aqueles que ameaçam a mata. Possivelmente você já deve ter ouvido essa lenda em algum lugar.

A explicação científica para a história do Boitatá vem do fogo-fátuo, fenômeno que ocorre nas matas por conta da decomposição de matéria orgânica. Quando animais mortos e plantas se decompõem, eles liberam gases inflamáveis que podem entrar em combustão naturalmente devido a fatores climáticos e de terreno. Assim, esse fogo “espontâneo” pode ter gerado a lenda do Boitatá.

O que você achou da primeira HQ da Yara? Não esqueça de comentar!

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sobre o autor Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.