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O que significa o acordo de fusão entre WarnerMedia e Discovery?

Por Evandro Lira

Nos últimos dias, a indústria do entretenimento tem ficado de olho no acordo entre o grupo americano de telecomunicações AT&T e a Discovery. O primeiro é dono da WarnerMedia, um dos maiores conglomerados de mídia do mundo, enquanto o segundo também é uma marca forte no setor.

A AT&T anunciou, na segunda-feira (17), que sua subsidiária WarnerMedia não seria mais uma empresa do grupo, mas passaria a ser parte de um projeto de fusão da Discovery, a partir um acordo bilionário entre as duas companhias.

Para o consumidor e entusiasta da cultura pop, é importante entender de que forma esse grande projeto vai influenciar nos produtos que consumimos hoje.

A Warner foi vendida para a Discovery?

Mais ou menos. O acordo entre as duas empresas é mais complexo que isso. No comunicado divulgado pela AT&T, a mudança foi descrita como uma “fusão para criar um dos maiores players globais do streaming.” O acordo está previsto para ser concluído em 2022, e a ideia é que a AT&T foque apenas no mercado de telecomunicações, enquanto toda a parte de conteúdo fique sob o guarda-chuva da Discovery.

Porém, os planos é que essa fusão ganhe um novo nome “nos próximos dias ou na próxima semana”, de acordo com o atual presidente da Discovery, David Zaslav. Portanto, a nova empresa não se chamará nem WarnerMedia e nem Discovery e não será mais uma subsidiária da AT&T. O que não quer dizer que a gigante da telecomunicação não vá faturar com o negócio.

Uma vez que o acordo for oficialmente fechado, a AT&T receberá US$ 43 bilhões e seus acionistas deterão 71% da empresa, enquanto os acionistas da Discovery terão 29%.

Quais filmes e séries serão lançados a partir dessa nova empresa?

A empresa criada entre a fusão da WarnerMedia e Discovery contará com todas as propriedades pertencentes a WarnerMedia – que inclui DC Entertainment, New Line Cinema, HBO, The CW, Warner Bros., Cartoon Network, Boomerang, Adult Swim, CNN, Warner Independent Pictures, TNT, TNT Sports, Hanna-Barbera e outras.

Da mesma forma, as marcas sob o domínio da Discovery também farão parte do catálogo, entre elas Animal Planet, Food Network, Oprah Winfrey Network, Science Channel, American Heroes Channel, Discovery Life e Discovery Channel.

O acordo prevê o lançamento de um serviço de streaming que combine os conteúdos da HBO Max e do Discovery+ para bater de frente com Netflix, Disney+, Hulu, Amazon Prime, Apple TV+, Paramount+ e Peacock. O comunicado afirma que a empresa tem o interesse de “unir as forças dos estúdios robustos da WarnerMedia e seu portfólio de entretenimento, animação, notícias e esportes icônicos, com a liderança global do Discovery em entretenimento, esportes internacionais e produtos não roteirizados.”

O que vai acontecer com a HBO Max?

Ainda não ficou claro se a HBO Max vai se tornar um novo serviço de streaming, com outro nome, ou se apenas o conteúdo do Discovery, que recentemente lançou seu próprio serviço de streaming nos Estados Unidos, será incluindo no catálogo.

Não podemos descartar também a possibilidade dos dois serviços continuarem existindo de forma independentes, mas com seus assinantes podendo incluir um ou outro em seu pacote, como é o caso da Disney, que é dona do Disney+, Hulu, ESPN+ e Star+.

De qualquer forma, por enquanto, nos resta aguardar o lançamento da HBO Max no Brasil. O streaming está dando seus primeiros passos fora dos Estados Unidos pela primeira vez agora, chegando em mais de 38 países da América Latina em junho.

Franquias como DCEU, Game of Thrones, Harry Potter, MonsterVerse e outras podem ser afetadas com a novidade?

É improvável que o público sinta alguma diferença em relação a essas franquias, pelo menos por enquanto. Afinal, vários projetos destas marcas estão sendo desenvolvidos neste momento e dificilmente sofrerão alterações. A nova companhia parece estar focada muito mais em distribuição de conteúdo para streaming do que qualquer outra coisa.

É claro que com a gestão do atual presidente da Discovery, David Zaslav, algumas das propriedades da Warner podem ser ampliadas, se o aumento da quantidade por conteúdos premium for o foco da empresa. Além disso, não podemos ignorar que mudanças robustas como essa em grandes companhias podem resultar em trocas de cargos e isso geralmente apresenta variações na forma de conduzir certos projetos.

O fluxo de mudanças diante do crescimento do mercado de streaming está cada dia mais rápido e maior. Cabe a nós continuarmos atentos ao que todas essas novidades podem acarretar à indústria e na maneira como consumimos audiovisual!

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sobre o autor Evandro Lira

Editor, bacharel em Cinema e Audiovisual, bruxo nascido trouxa, filho dos filhos do átomo, mestre dos quatro elementos, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira