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Vampire Academy: O que queremos ver na série?

Por Cristiano Rantin

Semana passada a Peacock anunciou que está desenvolvendo uma série live-action de Academia de Vampiros, também conhecida como Vampire Academy, série de livros jovem-adulto escrita por Richelle Mead. Julie Plec, a mente criativa responsável por The Vampire Diaries, The Originals e Legacies, está no comando desta empreitada, tendo a missão de adaptar uma das suas histórias favoritas para as telinhas.

Mas está não será a primeira vez que Vampire Academy tenta ser adaptado em live-action. Em 2014 um filme tentou cumprir essa missão, mas entre problemas de divulgação e falta de uma boa bilheteria, a produção foi considerada um fracasso. A expectativa é que, por ser uma série, a nova produção dê certo, justamente por ter mais tempo para desenvolver os personagens e criar esse mundo fantástico que vai muito além de Meninas Malvadas com vampiros — como o marketing do filme tentava vender. 

Mas para que a série funcione de uma forma excelente, algumas coisas precisam estar presentes. Por isso, separei tudo que queremos ver na série

O laço de Rose e Lissa 

Rose e Lissa no filme Vampire Academy

No centro de toda a história, mais do que o romance ou os vampiros, temos a relação de Rose Hathaway com a princesa Lissa Dragomir. É a amizade das duas movimentam a narrativa e elas estão ligadas por algo muito maior do que o mero companheirismo, um Laço de Espírito as conecta. 

Após um acidente de carro que matou toda a família Dragomir, Lissa utilizou seus poderes — sem que soubesse disso — para trazer sua melhor amiga de volta à vida. Com isso, Rose passou a ter uma conexão direta com Lissa, sentindo as emoções da princesa e até mesmo vendo através dos seus olhos.

A relação delas é tão forte que Rose deseja treinar intensamente para se tornar a guardiã de Lissa, não pensando duas vezes antes de sacrificar a própria vida por ela. Da mesma forma que Lissa não hesita em se colocar em perigo para garantir que Rose fique bem, independente de qual será o custo em sua própria vitalidade.

Esse vínculo entre as protagonistas precisa ser o foco da série, com Rose e Lissa sendo trabalhadas com destaque em seus próprios arcos, sem que uma apague a outra durante a série. Ainda que outros personagens surjam e que elas tenham personalidades completamente opostas, a adaptação precisa se sustentar no laço delas para que o público realmente se conecte com a história das personagens e compreenda os sacrifícios que elas estão dispostas a fazer em nome desta amizade.

O lado sombrio da história 

Strigois são os vampiros sanguinários e violentos de Vampire Academy

Talvez o maior problema do filme de Academia de Vampiros foi tentar transformar a história em um filme adolescente como Meninas Malvadas. Ainda que o primeiro livro realmente possua esse tom mais leve e adolescente, com a briga entre garotas sendo uma das tramas a ganhar destaque, Vampire Academy é bem mais sombrio do que isso. Seria um erro ignorar o lado mais obscuro da história para tentar criar uma espécie de nova Riverdale, ou seja, mais uma adaptação teen.

Em VA vemos tanto questões como saúde mental e automutilação — sendo trabalhada de uma forma muito interessante nos livros — como assassinatos e mortes trágicas ganham destaque. Fugir disso ou não trabalhar esses elementos com a seriedade que eles merecem seria desperdiçar todo o potencial que fez com que a saga se destacasse entre os livros de vampiros da época. 

Uma boa maneira de continuar trabalhando Rose e Lissa como protagonistas de suas próprias histórias seria foca na maneira que cada personagem enfrenta suas batalhas sombrias. Enquanto Lissa trava suas lutas em sua mente, suportando os efeitos negativos da sua magia e o impacto que isso tem no seu psicológico, aguentando intrigas da corte e uma pressão sem limites por conta do seu título de princesa, Rose passa por um arco bem mais físico e violento, lidando com monstros terríveis e mortes brutais que a impactam de uma maneira devastadora. 

A magia tendo destaque 

Rose, Lissa e Christian no filme

Outro erro do filme foi a maneira que trabalharam a magia de Academia de Vampiros. Ainda que questões orçamentárias tenham afetado isso, remover o destaque das habilidades dos vampiros é um erro, especialmente porque a história necessita deste componente para executar alguns dos seus arcos mais importantes e das reviravoltas mais marcantes.

Em VA, os vampiros Moroi são dotados de dons mágicos, capazes de controlar os elementos naturais (Terra, Ar, Fogo e Água) e o perigoso — e raro — Espírito. Ainda que todos tenham uma afinidade natural com todos os elementos, eles dominam apenas um deles, conseguindo criar efeitos variados que vão além do que vemos em Avatar, por exemplo, conseguindo encantar objetos, influenciar a mente de suas vítimas e enfeitiçar pessoas. 

Além de ser o que os distingue dos vampiros Strigoi, que não possuem relação com a vida e, portanto, são incapazes de usar magia, a dominação dos elementos e as consequências disso é o que move o arco de Lissa. Conforme a história progride a magia dos Moroi cria uma trama de extrema importância, afetando todo o universo da história. 

Dimitri e Christian além do par romântico

Lissa e Christian

Conquistando o coração de Rose — e de milhares de fãs — Dimitri Belikov é um guardião excelente e o treinador da jovem, sendo o responsável por prepará-la para combater Strigois e proteger Lissa. Carismático, misterioso e muito romântico, ele enfrenta muitos dilemas por ficar dividido entre o dever e os seus sentimentos, tendo um dos arcos mais dramáticos de toda a saga.

Christian Ozera é um Moroi com afinidade com o fogo, dotado de um senso de humor sarcástico e sombrio, ele é um pária na sociedade por conta da história dos seus pais — que escolheram se transformar em Strigoi quando ele era criança. Isolado e melancólico, ele consegue se conectar com Lissa de uma forma que nenhuma outra pessoa foi capaz, desenvolvendo um romance leal com a princesa e superando as dificuldades sociais e da nobreza em nome do seu sentimento. 

Tanto Dimitri quanto Christian possuem arcos importantes e que impactam a história de Academia de Vampiros de formas diferentes e, por isso, eles precisam ser desenvolvidos de uma forma apropriada para sejam mais do que apenas rapazes bonitos. Diminuir o arco deles para reduzir os personagens como apenas um par romântico das protagonistas seria um grande desperdício. 

Treinamento e lutas 

Rose e Dimitri em seu treinamento

Essencial no desenvolvimento de Rose e Dimitri, assim como uma parte extremamente importante para contextualizar este universo, os treinamentos e lutas são alguns dos aspectos de maior importância na trama de Academia de Vampiros. Caso a série tenha a pretensão de ser fiel aos livros, o treinamento dos Dampiros precisa ser trabalho.

Afinal, é graças a ele que compreendemos como essa sociedade vampírica funciona e temos o romance entre Rose e Dimitri se desenvolvendo. Precisamos que o treinamento seja bem explorado para que o romance entre Rose e Dimitri comece com dose correta de tensão, além de mostrar de forma realista a maneira que ela cresce para se tornar uma das maiores guardiãs (e caçadoras) da história. Não é algo que dá para acelerar ou fingir que isso simplesmente é um talento natural da protagonista. 

As intrigas da corte 

Rainha Tatiana Ivanshkov

Por mais que muitos fãs considerem Lissa uma personagem chata, por conta dos arcos mais emotivos e políticos da protagonista, algo que contrasta diretamente com a ação e o romance mais intenso de Rose, Academia de Vampiros se beneficiaria muito ao explorar as intrigas políticas da corte real deste universo. 

Entre personagens traiçoeiros, governantes peculiares e uma nobreza capaz de fazer qualquer coisa para perpetuar seu poder, temos Lissa como a última herdeira da poderosa linhagem Dragomir. Tendo que lidar com tudo isso, sofrendo as consequências do seu romance com Christian, o pária que herdou a reputação manchada dos Ozera, a protagonista também precisa encarar as descobertas terríveis que faz sobre sua própria família. 

Se tem algo que Game of Thrones provou que dá certo é explorar todo esse drama e intriga para construir algo intenso e cheio de reviravoltas, algo que encaixaria muito bem com o caminho que a personagem segue em sua jornada na história. Além disso, seria uma outra camada na história para fazer VA se destacar das outras produções destinadas ao público jovem. 

Dampiro, Moroi e Strigoi 

Entre os Moroi, a alimentação é feita através de voluntários.

Mais um diferencial de Academia de Vampiros está nos tipos de criaturas presentes na história. Diferente dos vampiros que conhecemos em outras produções, nos livros temos três tipos diferentes de criaturas, cada uma com sua peculiaridade e características próprias. Explorar isso é a garantia de que a série não será mais do mesmo, além de explorar toda a tensão e conflito entre as espécies — com os Strigoi sendo a principal força antagônica da história. 

Moroi

Os Moroi são vampiros “bonzinhos” que estão ligados à vida. Se organizando em uma sociedade monárquica onde os nobres ditam o rumo da sociedade, eles se orgulham de não matar para se alimentar, sobrevivendo através de voluntários. Por serem próximos à vida, eles são capazes de utilizar magia, dominando os elementos da natureza, ainda que não costumem utilizar isso de forma ofensiva ou para algo realmente relevante. Outra característica é que a luz do sol não os mata, causando apenas desconforto e fraqueza. Na história, Lissa Dragomir e Christian Ozera são Morois.  

Strigoi

Os Strigoi são os vampiros sanguinários que costumamos conhecer nas histórias clássicas. Livres de qualquer humanidade ou controle, eles não possuem magia, mas são extremamente fortes e rápidos, dotados de uma sede voraz que os faz conduzir grandes massacres. Mesmo que selvagens e cruéis, eles são capazes de se organizar em bandos, o que aumenta o potencial destrutivo dos seus ataques. Qualquer um — humano, Moroi ou Dampiro — pode ser transformado em Strigoi à força, ou, no caso dos Moroi, de forma voluntária, caso eles matem alguém durante a alimentação. 

Dampiros

Os Dampiros são meio-humanos e meio-vampiros. Por conta disso, eles são mais atléticos e resistentes, capazes de suportar a luz do sol e tendo um condicionamento físico que garante que eles sejam excelentes guardiões dos Morois. Treinados desde muito cedo para essa função, eles são mestres na arte de matar Strigoi, ainda que sejam considerados relativamente descartáveis pela nobreza vampírica. São eles os responsáveis pela principal força protetora da sociedade, os que partem em missões de resgate em caso de sequestros, e aqueles que protegem os mais fracos colocando fim ao terror de vampiros sanguinários. Na história, Rose Hathaway e Dimitri Belikov são dampiros. 

Potencial para Bloodlines

Bloodlines, a série de livros derivados de VA

Sim, eu sei que ainda é cedo para pensar em um spin-off, afinal devemos focar (e torcer) para que o seriado seja um sucesso e isso resulte em todos os livros sendo adaptados em temporadas incríveis. No entanto, seria interessante se a série construísse a base pra essa história derivada.

Mesmo que Sydney não seja o foco nas primeiras temporadas, a série poderia se beneficiar se já introduzisse (ou mencionasse) a presença de Alquimistas e Bruxas nesta sociedade de vampiros. Sabendo que Julie Plec adora colocar magia em suas tramas, essa seria uma forma interessante de explorar potenciais que vão além da dominação elemental dos Moroi. 

Além disso, sendo Adrian Ivashkov um dos personagens mais interessantes de VA (e que ganha o status de protagonista em Bloodlines), uma boa forma de preparar o terreno para a série derivada seria trabalhar bem a história de Adrian, para que ele se torne o fio condutor para os fãs da nova história — caso aconteça.

Uma história fiel 

Os livros de Vampire Academy

Ainda que tenha feito um sucesso estrondoso, The Vampire Diaries não ficou conhecida por sua fidelidade aos livros de L. J. Smith. Entre mudanças feitas para alongar a história e outras que simplesmente modificaram a história original, a série mudou drasticamente os personagens e os principais eventos. É claro que isso resultou no sucesso que rendeu muitas temporadas e duas séries derivadas, mas não deixou de ser algo frustrante para os fãs dos livros.

Depois de esperar mais de 14 anos para uma adaptação — ou 7 anos desde o filme que fracassou nas bilheterias — os fãs merecem que a obra seja adaptada com cuidado e respeito, ampliando a história sem mudar os principais conceitos trabalhados em Academia de Vampiros. É claro que, justamente por ser uma adaptação, algumas coisas podem mudar e trazer resultados bem positivos para a série (como aconteceu com TVD), mas a essência precisa continuar a mesma, com todo o romance, drama, ação e magia que Richelle Mead empregou neste universo incrível que conquistou uma geração.

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"