Review: Ruined King: Uma História de League of Legends une o melhor dos RPGs de turno a um universo interessante

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Review: Ruined King: Uma História de League of Legends une o melhor dos RPGs de turno a um universo interessante

Por Melissa de Viveiros

Ruined King: Uma História de League of Legends foi um dos títulos de estreia da Riot Forge, bem como seu primeiro grande anúncio. Desde o início, o game chamou a atenção por ser parte do selo da Riot Games que daria a oportunidade a outras desenvolvedoras de criar jogos diferentes em Runeterra – assim como por finalmente introduzir o titular Rei Destruído, personagem citado na lore há muitos anos.

Após alguns atrasos e mudanças no calendário que acabaram prejudicando o planejamento da Riot para o evento Sentinelas da Luz em League of Legends, o jogo finalmente estreou. E, tendo jogado pela Legião, posso afirmar que valeu toda a antecipação e espera.

Ficha Técnica

Título: Ruined King: A League of Legends Story

 

Desenvolvedora: Airship Syndicate

 

Distribuidora: Riot Forge

 

Plataformas: PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S, Windows, Nintendo Switch

 

Lançamento: 16 de novembro de 2021

 

Gênero: RPG de turno

 

Modo: Singleplayer

Seis campeões unidos pelo destino

A premissa de Ruined King é bem simples, e não requer conhecimento prévio sobre o universo de LoL. No jogo, somos apresentados a seis campeões: Ahri, Miss Fortune, Illaoi, Braum, Pyke e Yasuo, todos com origens e objetivos diferentes. Apesar disso, eles acabam unidos com um propósito em comum: proteger Águas de Sentina e o mundo da destruição.

O próprio game explica mais sobre o universo aos poucos, inicialmente apresentando Águas de Sentina, que utiliza a temática de cidade de piratas de modo bem tradicional. Com o tempo, o grupo descobre que a ameaça que os uniu é ainda maior que o esperado, o que os leva a explorar também as Ilhas das Sombras, local cheio de monstros e espíritos corrompidos pela Névoa Negra.

Logo fica claro que o game não se propõe a se afastar dos clichês de tramas de fantasia, algo refletido nos próprios personagens – mesmo que não se dividam claramente em bons e maus o tempo todo, nenhum deles é extremamente profundo ou passa por grandes desenvolvimentos. Ainda assim, a história é apresentada de modo convincente, e se mantém bem o bastante para instigar o jogador a querer saber como a trama termina.

Pontos de descanso contam com interações entre os personagens.

A jornada conta com elementos típicos de RPGs, como interações entre os personagens em determinados momentos. Isso ajuda a estabelecer a dinâmica do grupo, embora o tom divertido e leve do jogo o prejudique em alguns desses momentos. Com um grupo bastante heterogêneo, chega a ser incômodo ver todos eles tendo apenas interações positivas, com a exceção de um ou outro momento de desconfiança que logo é deixado de lado.

Ainda assim, o jogo cumpre o que se propõe, conseguindo entreter com personagens bastante carismáticos. A opinião de quem já os conhece pode ser bem diferente de quem será introduzido a esses personagens pela primeira vez, mas acredito que se alguns dos personagens de quem gosto menos, como Yasuo, conseguiram me convencer, há um mérito dos responsáveis pela narrativa nisso.

A história não conta com grandes reviravoltas, mas isso não é um ponto negativo. Sua simplicidade funciona, principalmente em um jogo que tinha a difícil tarefa de agradar a um público novo e a fãs antigos ao mesmo tempo.

E, quando se trata de agradar os fãs, quem sabe mais sobre o universo de Runeterra certamente vai aproveitar a construção de mundo ainda mais. É incrível ver os personagens principais em ação, mas existem diversas menções e referências a outros seres deste universo que são muito bem-vindos para quem queria ver este universo para além da escrita disponível nos quadrinhos e no site que apresenta a lore de LoL.

O ponto negativo para quem esperava grandes desenvolvimentos da trama relacionada ao Rei Destruído é que o game se passa antes do que aconteceu no evento Sentinelas da Luz. Assim, quem acompanhou o evento já tem uma boa ideia de como vários acontecimentos se desenvolveram. 

Combate à Ruína

É possível escolher três dos seis personagens para fazerem parte do grupo ativo, trocando nos pontos de descanso sempre que desejar.

Desde o princípio, o game foi apresentado como um RPG de turno – coisa que por si só é o bastante para afastar muitos jogadores. Ainda assim, não é preciso ser um grande conhecedor do gênero para aproveitar o game. 

Mantendo sua proposta de ser amigável aos novatos, as mecânicas e funcionamento de cada elemento são introduzidos aos poucos, com tutoriais sempre que necessário. A vantagem para quem já é familiar com este tipo de jogo é que, em geral, muitos tutoriais são opcionais.

Vale notar, porém, que há uma curva de dificuldade exagerada na reta final que pode prejudicar um pouco a experiência – enquanto tive muita facilidade no início, os chefes finais são o completo oposto, apresentando desafios muito superiores aos inimigos anteriores. Ao melhor estilo JRPG, o game se mostra longo e com grandes saltos entre o nível de dificuldade geral e o apresentado no fim.

Para tornar o combate em turno mais dinâmico e interessante, o jogo utiliza rotas, introduzindo três caminhos chamados de rota de velocidade, rota de equilíbrio e rota de poder. Isso influencia não só os efeitos de cada habilidade usada, como possibilita a inclusão de efeitos positivos e negativos especiais que ficam em parte determinada das rotas, sendo necessário que o jogador os leve em consideração ao realizar suas ações.

No início, combate é bem simples, seguindo o padrão dos jogos de turno. Com o passar do tempo, mais mecânicas são adicionadas, deixando o game mais interessante.

Essa adição é um grande acerto de Ruined King. Por meio disso, cada batalha é um pouquinho diferente, com adversários mais difíceis explorando este recurso ao máximo. Isso impede um jogo surpreendentemente longo de se tornar cansativo. 

Além disso, outros elementos, como os encantamentos, runas e pontos de habilidade possibilitam priorizar o que você desejar em cada personagem com amplo espaço para variedade. Testar combinações e possibilidades entretém, e mesmo que cada um tenha funções que pode ou não cumprir, é possível utilizar os campeões de modos bem diversos.

A exploração é simples, mas quebra-cabeças e belos cenários deixam tudo mais legal.

No geral, a jogabilidade é ótima, sendo facilmente o ponto mais alto do jogo. Tanto o combate quanto a exploração são divertidos, com mapas construídos de modo belo e que utilizam de perspectivas criativas para destacar o ponto central de cada cenário. O game também conta com alguns quebra-cabeças bem simples, mas que ajudam a quebrar a repetição de combate e exploração, estabelecendo um ritmo gostoso. 

Por causa disso, é fácil se perder em horas de jogatina. Apesar de ter gasto cerca de trinta horas para completar a história e alguns conteúdos secundários, o game nunca se tornou cansativo, sabendo exatamente como intercalar seus elementos para o máximo proveito. 

Os desvios da rota

Há muito o que se fazer em Ruined King além de salvar o mundo. Nenhuma das side quests são complexas, e poucas têm histórias com alguma substância. No geral, as missões secundárias não se destacam, sendo apenas conteúdo extra que não se mostra particularmente envolvente.

Também é possível caçar procurados ou passar o tempo com pescaria. Ainda que cada uma dessas coisas venha com recompensas específicas, como as moedas especiais pelas quais os peixes podem ser trocados, elas não adicionam muito à experiência, permanecendo no meio termo, sem se tornarem maçantes ao mesmo tempo em que não conseguem ir além do básico.

Uma grande aventura

No PlayStation 4, Ruined King apresenta poucos problemas. Seu maior problema não é a performance, e sim a interface. Enquanto grande detalhe e cuidado foi colocado tanto na jogabilidade quanto na construção de mundo, o mapa do game não foi tão bem trabalhado. Com legendas confusas, é fácil se perder por ele, principalmente por conta da mesma marcação ser utilizada para a missão principal e as secundárias.

Isso não acaba com a experiência, mas certamente torna o jogo menos divertido quando você acaba perdido em busca de um objetivo e acaba encontrando outro. 

São falhas pequenas, porém, quando se considera o jogo como um todo. Com muitas horas de entretenimento e diversas possibilidades, Ruined King atrai com sua história e universo, mas conquista de verdade com uma jogabilidade realmente bem feita, que consegue se manter interessante mesmo após dezenas de horas. 

O visual, música e personagens só acrescentam ainda mais a tudo isso, proporcionando ótima companhia e vistas muito belas por um game que trilha os já conhecidos caminhos das aventuras tradicionais, mas o faz da melhor maneira possível.

Nota: 9 de 10.

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sobre o autor Melissa de Viveiros

Editora. Graduanda em Letras na UFMG. Elfa noturna em Azeroth, Au'Ra em Eorzea, apoiadora da Casa Martell em Westeros, LoLzeira noxiana e grisha etherealki. Fã de coisas demais e sempre hiperfocada em algo diferente. || @windrunning_