Review: Riders Republic engata em uma corrida radical que vai empolgar os fãs de esportes

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Review: Riders Republic engata em uma corrida radical que vai empolgar os fãs de esportes

Por Gabriel Mattos

Riders Republic, nova aposta da Ubisoft nos esportes, captura a experiência insana dos esportes radicais da melhor forma possível. O título chegou para a maioria dos consoles do mercado com a proposta de combinar desafio e liberdade em um único pacote, mas quando colocamos na balança, há claramente um único vencedor.

Passamos o último mês conferindo tudo que o jogo tem a oferecer no PlayStation 5, então prepara o coração para uma jornada cheia de adrenalina porque está começando a crítica de Riders Republic.

Ficha Técnica

Título: Riders Republic

 

Desenvolvedora: Ubisoft Annecy

 

Distribuidora: Ubisoft

 

Plataformas: Microsoft Windows, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X / S

 

Lançamento: 28 de outubro de 2021

 

Gênero: Mundo aberto, corrida

 

Modo: Multiplayer Massivo, Multiplayer (Minigames), Single-player (Contra Fantasmas de Jogadores)

Um desafio animal

Seguindo os passos de Steep, este novo jogo amplia ainda mais o leque de esportes radicais da desenvolvedora francesa — oferecendo acirradas corridas de bicicleta, descoladas competições de snowboard e empolgantes disputas áreas em um único pacote.

A experiência inicial com o expansivo mundo aberto, que bebe da mesma fonte de The Crew 2, traz a mesma empolgação que aprender a andar de bicicleta pela primeira vez — o tutorial detalhado constrói rapidamente uma sensação de segurança e te manda encarar suas primeiras provas “com rodinhas” para você não se estabacar no chão.

E logo nas primeiras corridas de bicicleta, descendo as tortuosas montanhas do game, fica claro que o game conseguiu capturar muito bem a essência desses desafios. Cada corrida é uma prova de resistência em que é preciso saber quando dar tudo de si, quando trocar velocidade por controle e tomar uma série de decisões que te colocam na pele de um verdadeiro atleta.

Corrida de bike é a atividade mais empolgante do game

Um grande acerto para evitar que as corridas se tornassem algo monótono e sem vida foi a decisão de substituir o controle dos adversários pela inteligência da máquina, como costuma acontecer em jogos single player, por fantasmas de outros jogadores ao redor do mundo. As corridas podem ter ficado mais difíceis, mas sem dúvida passam a experiência real de estar desafiando outros atletas como você.

Além de ajudar a manter uma dificuldade mais coesa, a decisão de usar fantasmas para a maioria dos eventos também trouxe estabilidade à experiência. Estabilidade esta que não vemos nas corridas online do título — além do caos que vem da colisão de centenas de jogadores, qualquer mínimo engasgo em esportes que cada centímetro de diferença pode determinar uma partida pode estragar toda a experiência.

Os vôos levam um tempo para se acostumar, mas são incríveis

Mas em geral, com níveis diferentes de sucesso, a Ubisoft soube adaptar as experiências de cada esporte para o mundo digital. O ciclismo é a grande estrela, sem dúvidas, mas descer as montanhas geladas e flutuar entre as montanhas americanas tem o seu charme. Enquanto as competições focam em corrida, a experiência é bastante agradável.

Agora, quando o assunto são as manobras — a base da segunda metade dos desafios — a situação não é tão prazerosa. O estúdio não conseguiu traduzir as complexas manobras que vemos ao vivo em algo intuitivo para os jogadores e o jeito é tentar decorar uma extensa lista de variações possíveis dos comandos principais. Há uma sensação de poder ilimitado de expressão devido a lista extensa, mas no final é mais simples apenas repetir os mesmos truques sempre que possível.

Esportes de neve podem ser um tanto frustrantes quando envolvem manobras

Mesmo que não exista muito controle de como as manobras acontecem, os minijogos que apostam nesta categoria são surpreendentemente divertidos. Ou seriam, se fossem fáceis de jogar. O problema é que o jogo não conseguiu oferecer motivos o suficiente para a adesão dos jogadores e, por consequência, não há muitas pessoas procurando estes modos. As filas de espera das partidas acabam se tornando muito longas, desestimulando ainda mais atividades que eram para ser uma relaxante opção casual para os jogadores.

O preço da liberdade

Falando em opções casuais, quem não é um grande aficionado dos esportes radicais pode acabar se sentindo abandonado após poucos dias com o jogo. Riders Republic chegou com a promessa de ser um jogo social, como Fortnite ou Fall Guys — permitindo que os jogadores se expressem com total liberdade. Entretanto, quando o assunto é liberdade, as coisas desandam um pouco.

Um mar de coletes laranjas em qualquer competição envolvendo snowboard

A começar pelos modos de customização, que orbitam principalmente a loja de itens. Para um jogo premium, que custa centenas de reais, era de se esperar que as moedas do próprio jogo fossem o suficiente para deixar o seu personagem a seu próprio gosto, mas não é bem o caso.

Além de trazer seleções muito limitadas na loja, que em sua maioria demoram para serem atualizadas, as melhores roupas do jogo só podem ser adquiridas com dinheiro de verdade. Conseguir grana no jogo por si só já não é uma atividade trivial e a consequência vemos nos poucos modos verdadeiramente online: dezenas de jogadores utilizando os mesmos visuais padrões que o jogo provém.

Não há passes de objetivos extras por temporadas, mas sim um sistema de conquistas anuais que custam o preço equivalente a metade de um jogo, dificultando o acesso de jogadores com menor poder aquisitivo. Apesar de inconveniente, este problema é levemente contornado pelas robustas opções de patrocínio, que são a forma o jogo de oferecer recompensas gratuitas aos jogadores, mas há um sentimento agridoce na dificuldade financeira de adquirir o passe.

E mesmo quando o assunto não é estético, a liberdade do jogo deixa um pouco a desejar. É o caso do mundo aberto, uma réplica que incorpora os mais famosos parques naturais dos Estados Unidos. O resultado é uma área absurdamente extensa para explorar, com uma variedade considerável de biomas, mas poucos motivos que te levariam querer navegá-la. No final, só torna mais trabalhoso acessar as atividades principais do título.

Nota: 7.5/10

De certo modo, Riders Republic consegue cumprir sua principal proposta diante ao público: é um dos melhores jogos de esportes radicais já feitos! Seja em qual esporte for, a sensação de adrenalina está sempre no auge durante as competições, mas as experiências fora delas já não são tão suaves — especialmente para quem espera apenas se divertir livremente em um mundo aberto com a típica qualidade Ubisoft.

Caso seja um entusiasta de algum dos títulos apresentados aqui, Riders Republic é com certeza recomendado. Mas se você é apenas um curioso, talvez seja mais sensato esperar primeiro uma promoção camarada.

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sobre o autor Gabriel Mattos

Editor, repórter correspondente de Wakanda, caçando Pokémon por onde eu vou! Sempre nas lives da Legião! • @gabeverse