Review: Oddworld Soulstorm é um épico grandioso, mas cansativo

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Review: Oddworld Soulstorm é um épico grandioso, mas cansativo

Por Márcio Jangarélli

Lançamento direto na PlayStation Plus na área: Soulstorm, “novo” game da saga Oddworld, já está entre nós! 

Depois de várias horas sofridas na pele do Abe nessa aventura violenta e pitoresca, já posso contar para vocês se o jogo faz jus a essa franquia nichada, mas aclamada, ou não.

Jogue sua garrafinha de Soulstorm no ralo e vem comigo nessa!

O que é Oddworld Soulstorm?

Imagem promocional belíssima de Oddworld: Soulstorm.

Soulstorm é a sequência de Oddworld: New N’ Tasty, game de 2014 que começou a reimaginar a franquia Oddworld – original de 1997, com o título Abe’s Odyssey. O novo jogo segue a mesma proposta, refazendo o segundo capítulo da aventura, Abe’s Exoddus, lançado em 1998. 

A franquia Oddworld não foi tão popular no Brasil, mas fez grande sucesso no exterior, aclamada por sua proposta única de seguir o Abe, um protagonista nada convencional, em uma epopeia espacial ácida de cinco capítulos. Os games da saga são do estilo plataforma, side scrolling, em grande parte 2D, com elementos e modelagem 3D.

Oddworld se passa no planeta de mesmo nome, dominado pela raça dos Glukkons, que escravizam Mudokons e usam os Sligs como exército de segurança. No game, você joga com o Abe, um Mudokon que trabalhava na RuptureFarms – a maior indústria de carnes do planeta, liderada pelo Glukkon Molluck.

Abe descobre os planos nefastos de Molluck para sua raça, consegue escapar da instalação e, com a ajuda de poderes ancestrais do seu povo, liberta os 299 escravos que eram mantidos lá. A partir daí, ele é tido como uma figura messiânica para os Mudokons e os boatos de sua fuga da RuptureFarms começam inspirar revoluções por todo o continente.

Em Soulstorm, você começa a jogar com o Abe pouco tempo depois dos eventos de New N’ Tasty, quando ele descobre que seu papel na libertação dos Mudokons será ainda maior e que os escravos revoltosos estão morrendo de uma doença misteriosa.

Oddworld: Soulstorm foi lançado em 6 de Abril para PlayStation 4 e PlayStation 5, com download gratuito para os assinantes da PS Plus, e para PC, na Epic Store.

O que achamos de Oddworld Soulstorm?

O novo capítulo da odisseia do Abe é mais sombrio.

Franquias injustiçadas são mais comuns do que gostaríamos no mundo dos games; propriedades muito únicas, que contribuíram demais com a evolução e renovação dos jogos ao longo dos anos, mas que não são reconhecidas pelo seu impacto total. Dá para citar Psychonauts, Sly Cooper, inFamous, Banjo-Kazooie, Gothic e por aí vai. Oddworld com certeza está entre elas, assim, estava bem animado com as possibilidades de Soulstorm.

Oddworld: Soulstorm, lançado no último dia 6, é uma reimaginação de Abe’s Odyssey, o segundo game da pentalogia do Abe, lançado lá em 1998. A ideia era a de não exatamente mudar o que já foi feito, mas expandir aquela história, explorar ainda mais o mundo estranho e interessantíssimo dos Glukkons e Mudokons, adicionar novas camadas aos personagens, à revolução do protagonista, além, é claro, de incrementar novas mecânicas e um novo visual digno da nova geração. Testei o game no PlayStation 5, com download “gratuito” via PlayStation Plus, e devo dizer que não foi algo tão prazeroso assim.

Soulstorm é realmente épico desde o início, não dá para negar. As CGs e o gameplay constroem um clima digno das maiores jornadas espaciais do cinema – e até te fazem querer ver uma adaptação cinematográfica dessa história. Tudo é grandioso, com enquadramentos mostrando o quão vasto e fascinante é o planeta Oddworld, ou o tamanho magnânimo da aventura que o Abe está encarando, em contraste com a fragilidade e medo do herói.

Esse mundo fica ainda mais estruturado quando você vê o quão bem feitos os níveis do jogo são. O design das fases é impecável e, mesmo sendo uma aventura side scrolling, 2D, você percorre mapas complexos que compõem um cenário tridimensional no final. Dá para ver do início da fase boa parte dos seus objetivos e cada cantinho daquele espaço se você quiser.

O mundo de Soulstorm é incrível!

No entanto, essa roupagem homérica que a franquia recebe em Soulstorm – compreensível para o ponto em que a narrativa está e o game original, Abe’s Exoddus – não é balanceada com outras características que tornaram o Abe famoso. O humor, o fantástico e, principalmente, a diversão do jogo foram abafadas para aumentar o volume heroico e crítico da história.

O humor de Oddworld é bem peculiar, sim, e até está presente em partes do novo título, mas não é aplicado de uma maneira tão orgânica quanto antes, fazendo com que as piadas fiquem mais sem sentido que o normal. As fases são mais longas, sem muita variação de inimigos, ameaças ou puzzles, deixando o jogo maçante demais em certos pontos – o que, para um plataformer, é até pecado.

Você continua jogando porque o enredo é envolvente e o mundo é fascinante, mas não exatamente pela diversão que o game está te proporcionando. Os personagens de Oddworld são cativantes, você vai querer ver o desfecho do Abe, do Alf e do Toby ou o que o Molluck e o Slig vão fazer; qual será o destino dos Mudokons? Será que os boatos sobre o Abe vão ganhar mais notoriedade? O que vai acontecer na Lacrimária Soulstorm? Mas o gameplay em si? Definitivamente não é o que vai te prender.

Isso é uma pena porque New N’ Tasty, reimaginação do primeiro jogo da franquia, lançado em 2014, é extremamente bem sucedido e divertido, nivelando o ar épico da história com humor e novidades. E não dá nem para dizer que a jogabilidade de Soulstorm é fraca, mas sem defeitos, quando eles estão ali e te atrapalham muito.

Existem vários bugs e problemas ao longo do game que vão acabar te irritando. Seja cair no infinito quando pular de uma plataforma ou outra – aquele glitch clássico de jogo feito de maneira questionável – sejam os savepoints das fases, que salvam seu progresso uma única vez e para serem usados novamente é necessário ativar um segundo checkpoint e retornar ali. Para um game de dificuldade média, plataforma, e de níveis muito longos, isso significa que você vai perder progresso de maneira desnecessária e terá de refazer muita coisa, várias vezes, até cansar, por conta de um savepoint fraco.

Perdão pela crítica, Abe.

E mesmo que seja de se admirar os enquadramentos corajosos e diferenciados que o game adota em suas fases, eles nem sempre estão alinhados de maneira ideal com todos os elementos do gameplay. Muitas vezes, por conta da câmera, você não vai enxergar uma plataforma, um abismo ou uma armadilha que não estavam propriamente escondidos, vai entrar na mira de inimigos quando achava que estava salvo ou vai estragar seu disfarce por não ver sua posição no cenário. 

Fica um pouquinho frustrante pensar em Soulstorm. Pessoalmente, eu queria muito gostar desse jogo. Muito. Acho o conceito da franquia Oddworld fantástico! E o game tem muito potencial e muitas coisas positivas. Existem fases onde você se diverte pra caramba e que o épico não fica apenas nos CGs e nos momentos de história. Mas não são maioria, é dividido, como o quarma do Abe.

É importante deixar claro também que Soulstorm não é muito amigável para jogadores que não conhecem a franquia, recém-chegados. Ele não te dá muito contexto sobre o que aconteceu no primeiro capítulo da jornada do Abe. Você não vai ficar tão perdido assim, mas alguns personagens e situações perdem peso quando você não tem o panorama geral da história.

Qual a nota de Oddworld: Soulstorm?

Nota: 3/5

Será que você deve dar uma chance para Soulstorm? Depende. No quesito custo-benefício, o game está gratuito na PS Plus durante o mês de Abril para quem tem PlayStation 5, então não tem porque não. Parte do jogo é realmente incrível e é uma franquia que merece ser mais conhecida. 

Em um caso normal, porém, é de se considerar; se você gosta de narrativa, construção de mundo e personagens carismáticos, manda a ver, senão, se a sua praia está mais em gameplays viciantes e dinâmicos, talvez essa não seja a melhor escolha.

Dessa vez, o Abe vai manter um quarma balanceado na nota. Oddworld: Soulstorm leva 3/5 estrelas da Legião. Este é um mundo fantástico, mas exaustivo.

Já conhece a franquia Oddworld? Não esqueça de comentar!

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sobre o autor Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.