Review: New World acerta ao apresentar propostas inovadoras para o gênero MMORPG 

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Review: New World acerta ao apresentar propostas inovadoras para o gênero MMORPG 

Por Chris Rantin

Desenvolvido pela Amazon Games, o MMORPG sandbox New World é descrito pelos desenvolvedores como um RPG de ação, trazendo o melhor da exploração do mapa com um combate frenético e intenso. Fazendo sucesso desde o beta, o lançamento do jogo foi estrondoso, garantindo mais de 700 mil jogadores simultâneos logo no primeiro dia.

Trazendo vários aspectos interessantes para o gênero — como a não existência de classes a serem seguidas — o game acerta ao se afastar das limitações que são comuns ao MMORPG, trabalhar o combate de forma mais impactante e ter um grande leque de possibilidades de como passar seu tempo no game.

Ficha Técnica 

 

Título: New World

 

Lançamento: 28 de setembro de 2021

 

Desenvolvedora: Amazon Games

 

Gênero: MMORPG

 

Plataformas: PC 

 

Modos: Multiplayer

 

Livre para ser o que você quiser

Em New World você começa o jogo como um aventureiro que naufragou na misteriosa Aeternum, um novo continente cheio de magia e mistérios que ficou escondido por milhares de anos até ser descoberto no século XVII. Lar de muitas riquezas e magia, a região também esconde horrores fantásticos e uma grande ameaça que cresce nas sombras. Mas, ainda que sua chegada nas praias de Aeternum seja um tanto inóspita, o continente te presenteia com algo incrível: liberdade para ser o que você quiser. 

Quando falamos em MMORPG, pensamos em uma série de características que são o padrão nesse estilo de jogo. Sempre teremos os mapas grandiosos, as longas viagens pelos territórios para cumprir missões, as inúmeras criaturas de níveis diferentes pra você enfrentar, as raças que você pode escolher e as classes com habilidades específicas que você poderá utilizar. Neste sentido, New World segue alguns dos preceitos básicos que vemos no gênero, mas opta por fugir de outros, o que resulta em um jogo que se destaca de forma positiva entre seus semelhantes. 

Veja bem, em New World ainda temos um mapa colossal, as missões e as centenas de criaturas que atormentam o jogador em seu caminho, mas não há um sistema de raças e classes. Todo mundo é humano, personalizando sua aparência sem nenhuma limitação de gênero, inclusive, o que também vale para as vestimentas e acessórios do jogo. E todo mundo pode ser de qualquer “classe”, uma vez que suas habilidades são determinadas pelas armas que você utiliza e sua perícia com cada uma, alternando isso ao longo da jogatina, caso seja do seu interesse. 

Apenas com essa alteração no sistema de classes, o jogo já entrega uma experiência incomum e bem interessante, uma vez que não há limitações para o seu gameplay. Está cansado de jogar com espada e escudo? É possível se dedicar a arte da arquearia. Gosta de magia? Existem armas mágicas para suprir essa demanda. Seu foco é ajudar os outros? Existem opções que priorizam as funções de tank e o suporte dos seus aliados. Além disso, você pode equipar duas armas diferentes, aumentando a versatilidade durante o combate, o que resulta em combinações diferentes em cada situação.

Enquanto explorava Aeternum, fui experimentando armas diferentes até encontrar as que mais combinavam comigo e com o meu estilo de jogo e isso é maravilhoso. Ao invés de ter que criar um personagem diferente de cada classe — e passar pelos longos tutoriais para conhecer cada estilo de jogo — pude mudar a maneira que enfrentava meus inimigos com muita facilidade, algo que foi bem mais interessante e divertido.

Outro ponto de destaque de New World é a maneira que o combate é trabalhado. Aqui você realmente faz parte do combate, sem ser um espectador que spama suas habilidades para conseguir derrotar seus inimigos. No jogo, você precisa decidir quando é melhor esquivar ou bloquear a habilidade do adversário, usando sua movimentação para conseguir brechas para ataques ou para desviar dos golpes.

É uma sensação muito diferente do que costumamos encontrar nos MMORPG, que normalmente mostram os personagens seguindo uma série de animações pré-definidas e você só aguarda a conclusão dos combates, prestando atenção nas suas barras de energia, cooldowns e afins. Com New World, eu realmente senti que era parte da luta e que todas as minhas ações influenciavam no resultado do confronto. É menos sobre ser um espectador passivo dos embates e mais sobre pensar de forma estratégica. 

Além do simples combate 

Não é exatamente uma novidade que um bom MMORPG precisa ir além do combate. O aspecto social e as opções do que fazer quando não se está matando inimigos é aquilo que motiva os jogadores a continuar voltando e gastando horas no seu game favorito. Por sorte, a maneira que New World trabalha esses aspectos além das lutas é bem interessante. 

Continuando o conceito de liberdade presente na premissa do jogo, o que não falta são possibilidades para você viver como desejar e de jogar como você quiser. Indo além do simples combate, New World oferece formas de progredir de nível que não estão ligadas ao combate. É possível upar coletando recursos, criando armas ou itens, pescando ou caçando animais. 

Sendo um MMORPG sandbox, você pode explorar o mapa como quiser, alterando as paisagens ao explorar os recursos naturais. Mas também é possível influenciar questões que gerem a sociedade do jogo. Escolhendo ser parte de uma das três facções que buscam controlar o destino do continente (Os Saqueadores, o Sindicato e a Aliança), você pode brigar por territórios, decidindo como será a cobrança de impostos e outras características que afetarão a vida de todos que estiverem nesta região. É uma forma muito interessante de trazer um aspecto mais social e econômico para o jogo — além de estimular as guerras por territórios, gerando vantagens que realmente impactam na sua jogatina. 

Mas se você é do tipo que gosta de combate e está ali para massacrar seus inimigos, o que não faltam são opções de modos interessantes — indo além das quests e a execução de monstros pelo mapa. Quem gosta das dungeons pode se aventurar nas Expedições, participar das Investidas do Posto Avançado, modo de jogo JvJvA que reúne jogadores de cada facção da ilha para uma disputa por território e recursos. 

Quem curte eventos grandiosos pode se jogar nas Invasões, modo que apresenta os exércitos de Aeternum se unindo para tentar atacar um território, que precisa ser defendido por 50 jogadores que terão que resistir as ondas de inimigos. E, é claro, a famigerada Guerra, que coloca 50 jogadores se digladiando em busca da vitória. 

Todos esses modos vão além de um combate simples que rapidamente poderia se tornar monótono, deixam New World ainda mais interessante e repleto de possibilidades, aumentando as horas de jogo e deixando tudo mais divertido. 

Bonito, mas não sem frustrações 

Analisando os quesitos mais técnicos do jogo, temos gráficos bonitos e bem trabalhados, apresentando um estilo mais realista, apesar de fantástico. As paisagens são interessantes, as criaturas — mesmo que repetitivas em certo ponto, como costuma ser o caso em MMORPGs — são bem desenhadas e tudo flui de uma forma bem dinâmica. A trilha sonora também é bem trabalhada, ajudando a construir a atmosfera imersiva e te colocando na vibe da exploração de Aeternum, com todos seus segredos e mistérios. 

No entanto, por mais que o jogo traga muita coisa boa, há algumas frustrações pelo caminho. É compreensível que, sendo um grande sucesso, o jogo sofra com alguns servidores lotados, o que resulta em filas enormes de vários minutos nos horários de pico — algo que os desenvolvedores já estão cientes e tentando resolver, diga-se de passagem. Entretanto, compreender um acontecimento não significa que é tranquilo lidar com isso. Ainda mais quando você está animado para jogar, tendo uma quantidade limitada de tempo para isso, e precisa ficar encarando a fila e esperando abrir uma vaga no servidor. 

Outro ponto que pesou negativamente na minha experiência diz respeito às habilidades do personagem. Mesmo que eu ache que o modelo sem classes é algo maravilhoso, esperava por mais opções de poderes e habilidades disponíveis em cada arma. Ainda que a árvore de talento seja um tanto diversa, temos mais habilidades passivas do que as que realmente podemos ativar, o que é um tanto sem graça. 

No fim do dia, isso é mais sobre uma preferência especial. Sendo alguém que sempre prefere jogar com classes mágicas, achei limitante a quantidade de poderes disponíveis — mesmo usando duas armas e, com isso, aumentando as possibilidades do que usar em um combate. 

Dentre tantas opções disponíveis do que fazer, New World também pode ser um tanto confuso e pouco amigável para novos jogadores. É preciso prestar muita atenção durante os tutoriais, do contrário você perderá um bom tempo tentando descobrir como fazer algumas coisas básicas e entender como você pode influenciar a região em que está. 

Nota

Entretanto, nem mesmo os momentos mais frustrantes tiram o brilho de New World, que chega trazendo novidades muito interessantes para o gênero MMORPG. É simplesmente incrível sentir que você pode fazer o que bem entender no jogo e isso vai além da proposta do game, sendo visto em toda a maneira como você vive sua jornada por Aeternum. 

No fim, a sensação que fica é que New World é um jogo novo, carregado de potencial, que é limitado apenas por sua pouca idade. Há muito espaço para conteúdos inéditos, além de algumas melhorias que podem ser chegar com atualizações ou expansões — algo que em MMORPGs é sempre muito bem-vindo. 

Levando tudo isso em consideração, New World leva a nota de 8,5 da Legião dos Heróis

New World já está disponível para compra através da Steam. A edição básica do jogo custa  R$ 75,49. O jogo não exige assinatura, nem cobra mensalidade. 

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sobre o autor Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"