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Review: NeoGeo Pocket Color Selection Vol. 1 traz os nostálgicos arcades da SNK para o seu bolso

Por Gabriel Mattos

Além de proporcionar experiências inéditas, a natureza híbrida do Nintendo Switch gerou um ambiente perfeito para reviver clássicos do passado de um novo jeito. Essa é a proposta do NeoGeo Pocket Color Selection Vol. 1 — a nova coletânea que reúne os 10 jogos mais marcantes de um console esquecido pelo tempo.

Ficha Técnica:

 

Desenvolvedoras: SNK, Code Mystics

 

Publicadora: SNK

 

Gêneros: Luta, RPG de Ação e Arcade

 

Jogadores: 1-2

 

Plataforma: Nintendo Switch

 

Data de lançamento mundial: 17 de março de 2021

Coletânea reúne 10 jogos do NeoGeo Pocket Color

Um elo com o passado

Você pode até nunca ter ouvido falar no NeoGeo Pocket Color, portátil lançado em 1999 para competir com o GameBoy Color, mas com certeza conhece os seus jogos da SNK.

A desenvolvedora ganhou fama mundial com seus jogos de luta, uma verdadeiras febres nos arcades. Os mais conhecidos aqui no Brasil, até os dias de hoje, fazem parte da franquia The King of Fighters. Todos os grandes nomes da SNK deram as caras no NeoGeo Pocket Color, mas a venda da empresa no ano 2000 impediu que o portátil se tornasse um verdadeiro sucesso.

Mais de vinte anos depois, essas obras primas esquecidas tem uma nova chance de brilhar no Nintendo Switch. Alguns jogos do portátil já haviam surgido na loja virtual do console, mas a SNK decidiu reuni-los em uma coletânea caprichada com mais quatro jogos inéditos para proporcionar a melhor experiência possível para os fãs.

Fatal Fury First Contact é tão empolgante quanto em um arcade

O Rei dos Lutadores

Como era de se esperar, NeoGeo Pocket Color Selection Vol. 1 é um prato cheio para quem gosta de jogos de luta. Dentre os dez jogos disponíveis, seis te convidam a combates intensos e simplificados — Fatal Fury: First Contact, SNK Gals’ Fighters, King of Fighters R-2, The Last Blade: Beyond the Destiny, Samurai Shodown! 2 e até mesmo SNK VS. Capcom: The Match of the Millennium.

A jogabilidade entre eles é bastante semelhante, devido às capacidades limitadas do console de origem. Haviam apenas dois botões de ação disponíveis, logo os ataques principais se limitam a socos ou chutes. Felizmente, todos os personagens tem uma lista respeitável de combos usando os analógicos. Dá até para fazer o clássico Hadouken jogando com o Ryu.

As limitações da época acabam tornando os jogos perfeitos para iniciantes que tem dificuldades de aprender os combos de jogos de luta mais modernos. Surpreende como os jogos envelheceram surpreendentemente bem.

A qualidade da simulação impressiona, principalmente no modo para dois jogadores. O Switch consegue simular dois NeoGeo Pockets ao mesmo tempo sem muitas dificuldades. Jogar em dupla é muito simples, basta destacar os Joy-Con e se divertir. O único problema é a ausência de um modo online, que faz falta em tempos de pandemia.

Metal Slug continua incrível, mas engasga em momentos críticos

Emulação por bruxaria

A SNK fez questão de implementar opções bem robustas para personalizar a emulação ao seu gosto, especialmente no que se trata de filtros de imagem e tamanho de tela. O problema é que essas opções estão escondidas em menus que nunca são explicados para os jogadores.

Fica difícil até saber o que o emulador consegue ou não fazer sem testar. Há um sistema oculto de “save state”, uma função que lembra onde você parou em um jogo mesmo quando você fechar, que é ativada automaticamente, mas nunca é explicada ao jogador.

Outro exemplo estão nas opções de tamanho de tela. O tamanho padrão é minúsculo — especialmente no modo portátil — e só funciona bem para os jogos de luta sem companhia. Qualquer outra situação exige o uso do zoom no máximo, mas você só descobre isso se procurar.

Dark Arms surpreende com mecânicas complexas

Qualidade sem variedade

O mais estranho é que a qualidade de simulação varia bastante nos jogos de tiro run ‘n’ gun. Metal Gear 1st Mission e Metal Gear 2nd Mission, grandes destaques da coleção por trazer uma sólida aventura para um jogador, apresentam pequenos engasgos quando há muitos elementos na tela. Parece uma decisão proposital para respeitar o console de origem, mas que acaba prejudicando a experiência em momentos críticos.

Uma grande surpresa da coletânea é Dark Arms Beast Buster 1999, um RPG de ação completíssimo que parece ter saído diretamente do GameBoy Color. Você pode se mover livremente pelo mapa, em uma perspectiva idêntica aos Zeldas antigos, subindo de nível derrotando monstros sobrenaturais. Para fechar, temos também Big Tournament Golf, um minigame divertido que testa seu ritmo e precisão.

Mesmo reunindo praticamente um terço da biblioteca do portátil original, NeoGeo Pocket Color Selection Vol. 1 poderia ter trazido ainda mais jogos. Devido a enorme semelhança entre os títulos de luta, a impressão que fica é de uma grande falta de variedade. Grandes fãs da SNK não vão se arrepender da sua compra, mas o preço salgado de U$39,90 (R$225,93 na cotação atual) pode afastar jogadores mais casuais.

Nota: 3.5/5

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sobre o autor Gabriel Mattos

Redator que joga mais Switch do que deveria e já leu todo o novo cânone de Star Wars, até os livros ruins. • @gabeverse