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Loki 1×05: Jornada ao Mistério

Por Gus Fiaux

Atenção: Alerta de Spoilers!

Nesta quarta-feira, Loki entrou em sua reta final com o lançamento de seu quinto episódio, intitulado “Jornada ao Mistério“. Aqui, vemos o Deus da Trapaça que já conhecemos descobrindo um mundo no fim dos tempos, enquanto precisa se aliar a novas Variantes de si mesmo para encontrar uma saída – tudo enquanto Sylvie desvenda novas pistas a respeito do que está por trás da Agência de Variação Temporal.

Para começar essa review, deixo meus parabéns para quem escolheu o título desse episódio. Journey Into Mystery é o nome da revista que introduziu o Thor ao Universo Marvel das HQs, mas tem um significado muito especial para mim por ter sido a revista protagonizada por Kid Loki, em várias histórias associadas à mitologia asgardiana – após o relançamento do título em 2011. Foi essa a minha porta de entrada para esse núcleo da Marvel e gosto demais de como o episódio passa justamente essa vibe de uma jornada rumo ao desconhecido e misterioso.

Como um todo, o episódio tem lá seus grandes momentos – e muito disso está na apresentação dessas versões novas de Loki, por mais que sejam bem diferentes de suas contrapartes nos quadrinhos. Kid Loki rouba a cena com seu ar de “sem tempo, irmão”, enquanto o Loki Clássico é a figura mais importante do episódio e demonstra todo o poder esperado de uma divindade. O Loki Jacaré e o Loki Orgulhoso também têm lá seus momentos.

Tudo isso serve para mostrar quão plurais são as “personalidades” desse personagem, e é nítido no rosto de Tom Hiddleston o momento em que Loki percebe que não precisa se curvar a nenhum destino – ele pode simplesmente ser o que quiser. Tudo isso tem chances de resultar em um ótimo final na série, com o vilão finalmente se aceitando de corpo e alma, e honestamente espero que isso seja o mote principal do próximo episódio.

Por outro lado, a Marvel nos pregou uma peça mais uma vez através do material de divulgação da série. Enquanto os trailers davam muito foco para o Loki com um terno, como na minissérie “Vote Loki” das HQs, o personagem só aparece aqui por cinco minutos, junto de trocentas outras variantes para uma pausa engraçadinha na trama. E posso estar em minoria aqui, mas não gostei muito dessa inclusão. Me soou bem sem propósito no contexto do episódio.

Quando LokiLoki ClássicoKid Loki e o Loki Jacaré saem dessa grande bagunça é que o episódio começa a ganhar força, indo em direção a um clímax sensacional. E felizmente, logo vemos Sylvie se juntando a eles, após passar a perna em Ravonna Renslayer e na AVT. Aqui, aliás, é onde temos um ponto alto muito feliz, que é a volta de Mobius (felizmente, ele não morreu e passa muito bem).

O clímax do episódio é onde toda a ação se desenrola, quando vemos algumas variantes confrontando Alioth, um monstro muito poderoso que “guarda” esse fim do tempo e impede que qualquer um escape dele – ou passe para o que há na frente. E aqui, é muito importante falar do sacrifício do Loki Clássico, que é de partir o coração de tão bom, ao mesmo tempo em que mostra todo o potencial do Deus da Trapaça.

Sendo bem honesto, a série não está me cativando muito nas cenas de ação – há algo na direção que faz com que as sequências sejam bem ordinárias e monótonas. Contudo, o final desse episódio tem uma cena de ação, por assim dizer, que funciona por vários motivos – por exemplo, as apostas emocionais que estão em jogo e o fato de não haver uma coreografia de luta, já que a ação acontece sem trocação de socos.

E após o sacrifício do Loki Clássico, é onde verdadeiramente começa a tal Jornada ao Mistério, uma vez que LokiSylvie precisam atravessar o “fim dos tempos” para encontrar o que há além dele. Infelizmente, é justo aí que o episódio acaba, deixando um gancho bem sem-vergonha para o próximo. E por mais que eu goste disso, afinal, é uma forma de manter o público entretido… eu tenho algumas questões com essa ideia.

Todas as teorias apontam para que Kang, o Conquistador seja o grande vilão da série – particularmente, eu creio que será uma das versões do vilão, talvez Immortus – mas tenho tentado cada vez mais me afastar dessas teorias e especulações porque já vimos como isso poderia ser prejudicial com WandaVision Falcão e o Soldado Invernal. Só que o que realmente me irrita é como essa “estrutura” das séries já virou uma fórmula.

Os heróis precisam encontrar seu lugar no mundo, resolver traumas de seu passado enquanto são atacados por uma organização maligna que só está ali para desviar a atenção do verdadeiro vilão, que só será revelado nos dois últimos episódios. Essa sinopse genérica se encaixa nas três séries lançadas até o momento, e é um sinal de que, por mais que as séries tenham sido vendidas como o produto mais “original” da Marvel, a fonte da inovação já está secando.

Até o momento, ainda dá para ser “enrolado” pela Marvel Studios e ficar fascinado com as séries, mas se eles continuarem a insistir nesse modelo nas próximas, será bem decepcionante, para ser sincero. Espero de coração que as próximas séries possam ousar um pouco mais, sem ficar presas a essa estrutura, porque há muito potencial em jogo e a Casa das Ideias precisa aprender a variar suas próprias histórias, como passou a fazer no cinema.

Loki vai ao ar às quartas-feiras no Disney+. Caso ainda não tenha assinado o streaming, pode fazer isso aqui!

Abaixo, fique com os easter-eggs e as referências no quinto episódio da série:

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux