[Review] Little Nightmares II é tão bom que talvez te faça desistir de jogar

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[Review] Little Nightmares II é tão bom que talvez te faça desistir de jogar

Por Márcio Jangarélli

Jogos de terror vivem em uma constante reinvenção de fórmula desde que os games indie e mais autorais ganharam seu lugar no mercado. Desse espaço veio Little Nightmares, do Tarsier Studios, com uma estética quase Burtonesca, trazendo uma aventura bizarra em um mundo de bonecos horripilante.

Agora, um novo capítulo dessa história chegou para tentar consolidar Little Nightmares como uma saga arrepiante. Mas será que o novo game é apenas um jumpscare ou uma marca que você nunca mais vai esquecer?

Com muito medo, testei Little Nightmares II para contar para vocês e já adianto: dificilmente vou esquecer a jornada do Mono nesse mundo povoado por pesadelos infantis.

Se quiser ver como o game funciona, joguei Little Nightmares II em uma das lives no canal da Legião na Twitch. O VOD já está disponível e você pode assistir tudo clicando aqui. Aproveite a viagem e se inscreva no canal!

O que é Little Nightmares II?

Mono, a (possível) Six e alguns dos vilões do game.

Little Nightmares II é o novo game da saga criada pelo Tarsier Studios, distribuído pela Bandai Namco. O jogo foi lançado em 11 de Fevereiro de 2020 para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Series X e S, Nintendo Switch e PC e adiciona à história de Little Nightmares (2017) e Very Little Nightmares (2019).

Sem revelar se é uma sequência, prelúdio ou se acontece ao mesmo tempo que algum dos games anteriores, Little Nightmares II acompanha a jornada do Mono – o protagonista mascarado – e uma garotinha sem nome por uma cidade devastada por pesadelos. O jogo é de terror e suspense, com jogabilidade side-scrolling e plataforma.

O que achamos de Little Nightmares II?

A professora de Little Nightmares II provavelmente vai te dar pesadelos.

É difícil achar hoje um jogo de terror que seja bom o bastante para te fazer ficar receoso de continuar a jornada ou de voltar a jogar. Geralmente acontece um incremento na ação do game ou personagens mais humanos e simpáticos surgem para aliviar a barra e te dar um injeção de adrenalina para seguir em frente. Little Nightmares II, porém, é tão incrível em sua construção de terror sufocante que talvez você demore mais do que imagina para finalizá-lo.

A questão é que LN2 acertou em cheio em vários pontos que desenterram medos antigos no jogador. Mesmo que a estética do game lembre uma daquelas animações sombrias que amamos tanto, a atmosfera da jornada do Mono é muito, muito mais bizarra do que você poderia pensar. Não só isso: o jogo explora nossos medos mais íntimos, infantis, que até esquecemos que existiam, mas que voltam à flor da pele quando trabalhados ali.

Os dois primeiros jogos da franquia Little Nightmares já trilham esse caminho de assustar nossa criança interior. No entanto, é em LN2 que o Tarsier Studios encontrou a fórmula certeira desse tipo de terror, evocando uma floresta sombria, uma escola amedrontadora, um hospital medonho, uma cidade grande demais. Você está praticamente indefeso na pele do Mono e nenhum adulto virá te ajudar. Muito pelo contrário: eles são bizarros, querem te agarrar, te castigar, te engolir, te estudar.

Enquanto jogava, a melhor comparação que consegui fazer é que essa história parecia um daqueles contos do Neil Gaiman sobre a infância – inclusive pela qualidade da narrativa. Algo próximo de O Oceano no Fim do Caminho ou Coraline, talvez. Agora, pensando melhor, Little Nightmares II também me lembra a ótima saga Desventuras em Série, um pouco mais grotesca e violenta. É uma trama não apenas sobre os horrores abordados no jogo, mas sobre como enxergamos o mundo quando criança e como tudo parece assustador.

Algumas cenas parecem vir diretamente de Silent Hill.

E o game não perde nada em sua jogabilidade. Ele traz cenários bizarros extremamente detalhados e divertidos de se explorar, puzzles desafiadores e um sentimento ininterrupto de fragilidades, mesmo quando o Mono consegue agarrar alguma coisa para se defender. Ainda que a narrativa lotada de traumas possa te fazer ter um pézinho atrás para voltar a jogar, Little Nightmares II é divertido o suficiente para te convencer a seguir em frente.

Vale dizer que ele bebe muito da fonte dos dois games anteriores, principalmente da DLC do primeiro Little Nightmares – intencionalmente, diga-se de passagem. Enquanto o game original lida com a fome da Six, sua fuga e o mistério da senhora que controla a Bocarra, a DLC “Secrets of the Maw” tem mecânicas bem parecidas com segundo jogo, usando uma lanterna para iluminar lugares mais escuros e enfrentar alguns inimigos, além de encontrar “crianças de sombra” e outros detalhes que remetem ao novo título.

Como Mono, além de andar, correr, pular e se agachar, seu principal atributo é empurrar ou agarrar coisas, além de alguns puzzles envolvendo estática e TVs. Pode parecer pouco, mas parte da “graça” de Little Nightmares é se sentir indefeso nesse mundo nefasto e o segundo jogo potencializa esse sentimento. A única questão que precisa ser pontuada e melhorada está na resposta dos personagens interagindo entre si e com o cenário.

Depois de certo ponto, você conta com a ajuda de uma garotinha para seguir seu caminho e desvendar os quebra-cabeças, mas a interação entre vocês dois nem sempre é perfeita. Às vezes o Mono também demora demais para se agachar ou agarrar e empurrar coisas e até mesmo quando você pode atacar, alguns dos seus golpes parecem bater no nada. Considerando que todas essas coisas são essenciais para sobrevivência e para o gameplay, é um problema que realmente incomoda.

No entanto, isso não tira a grandiosidade de Little Nightmares II como um todo. Esse é um daqueles jogos que te fazem se arrepiar inteiro de medo, repensar algumas coisas internas e ainda ficar querendo mais pela qualidade narrativa, atmosférica e artística. O game termina e você quer o próximo, cria teorias e fica ainda mais imerso nesse universo do que durante o jogo em si.

Qual a nota da Legião para Little Nightmares?

Pensei algumas vezes em parar o game por incômodo? Sim. Isso foi ruim? Definitivamente não. É a intenção do terror, no fim das contas: mexer com a sua cabeça e testar seus limites. E Little Nightmares II faz isso de maneira magnífica, enquanto te entrega uma história intrigante, um mundo bizarramente belo e uma semana de pesadelos com professoras e médicos horripilantes.

Assim, Little Nightmares II leva 4,5 estrelas da Legião. É um jogo que você precisar dar uma chance, fã de terror ou não, porque garanto que ele vai… te manter vidrado na TV.

Já jogou Little Nightmares II? Não esqueça de comentar!

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sobre o autor Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.