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Review: It Takes Two oferece diversão e emoção em dose dupla

Por Leo Gravena

Já faz um bom tempo que os videogames estão se afastando cada vez mais dos jogos com modo cooperativo local e focando no multiplayer. Estranhamente, mesmo com as TVs estando cada vez maiores, é cada vez mais difícil encontrar jogos que dividem a tela em duas e permitam que você e a pessoa sentada ao lado joguem juntos de verdade.

It Takes Two vem e resgata esse sentimento de colaboração no qual você precisa realmente estar ao lado de alguém, discutindo as fases e desafios, se questionando e comentando com alguém do seu lado, trazendo sentimentos gigantescos de nostalgia naqueles que tiverem a sorte de jogar com uma pessoa querida ao lado.

Ficha Técnica:

 

Desenvolvedora: Hazelight Studios
Publicadora: Electronic Arts
Diretor:Josef Fares
Produtor: Aimar Bergan
Programador: Lucas de Vries
Artista: Claes Engdal
Escritores: Soni Jorgensen e Josef Fares
Compositores: Gustaf Grefberg e Kristofer Eng
Plataforma: Microsoft Windows, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X/S
Data de lançamento: 26 de março de 2021

It Takes Two é uma jornada fantástica para dois

Eu e o Gus Fiaux jogamos It Takes Two no modo cooperativo local no PS5 e aqui vamos falar juntos de alguns dos principais pontos do jogo, nossas impressões e a experiência que foi jogar essa bela aventura.

O jogo:

It Takes Two conta a história do casal May e Cody, que estão prestes a se divorciar. Após contarem a notícia para sua filha, Rose, ela foge e pede ajuda para o “Livro do Amor”, escrito pelo Dr. Hakim, ela então chora em dois bonecos que representam os seus pais e logo depois eles acordam como os bonecos, precisando resolver vários mistérios e enigmas para seguirem para seu próximo objetivo e tentarem voltar ao normal.

Jogabilidade:

Léo: It Takes Two é quase que como mil jogos em um. Mesmo sendo um jogo de aventura, no qual o objetivo é passar de uma fase para a outra, ele consegue trazer vários elementos completamente diferentes para sua jogabilidade e consegue fazer todos eles muito bem.

Em alguns momentos você precisa pilotar um avião, em outros o jogo se transforma em uma aventura de plataforma 2D e It Takes Two tem até um momento no estilo de Diablo, onde você e seu parceiro precisam atravessar um castelo no melhor estilo de hack-n-slash.

Pode até parecer confuso ou coisa demais, mas o título consegue trazer uma atmosfera diferente, mas ao mesmo tempo muito familiar, em todas essas fases diferentes, sempre de uma maneira divertida, usando um pouco de todos os gêneros e conseguindo trazer uma jogabilidade muito coesa e interessante.

Gus: Em termos de jogabilidade, It Takes Two acerta em todos os pontos certos. É um respiro para quem gosta de jogos, mas não gosta muito das mecânicas de tiro e combate que imperam no cenário mainstream. É delicioso ver como o jogo sabe usar muito bem os recursos de puzzles e plataformas para criar um universo vasto e onde cada fase é diferente da outra.

Além disso, é um game que preza pelo raciocínio lógico e pelo instinto. Muitas vezes, é necessário prestar bastante atenção aos detalhes para conseguir resolver os enigmas. Felizmente, esse é um trabalho para duas cabeças, o que torna esses mistérios mais divertidos do que complicados.

Por fim, essa é para todos que cresceram nos anos 2000: O jogo certamente vai te lembrar de algumas pérolas do cinema de fantasia e aventura, como Lucas: Um Intruso no Formigueiro e Arthur e os Minimoys, tanto pela jogabilidade quanto pela estética. E para quem gostava dos jogos de Toy Story, esse também será um prato cheio.

Visual:

Léo: O jogo é um dos mais bonitos que já vi nos últimos anos. Todo o conceito traz uma nostalgia gigante ao mesmo tempo em que cada detalhe é muito bem feito. Cada fase do jogo possui um visual único e nada parece se repetir, cada lugar e ambiente é mais belo e bem trabalhado que o anterior.

Gus: Embora a jogabilidade seja o grande destaque, não há como negar que o visual é arrebatador desde as primeiras fases. Há um nível ambientado em um quintal, onde a impressão que você tem é que está no meio de uma gigantesca floresta. Em outras fases, brinquedos se tornam parte de um castelo encantado, enquanto um rápido passeio pelo mundo dos globos de neve se torna uma adorável viagem congelante.

Todos esses momentos são genuinamente interessantes, sobretudo pela forma como o jogo consegue criar “mundos” inteiros em cada capítulo, sem repetir elementos. Até mesmo nessas fases, há subdivisões muito interessantes, que deixam It Takes Two ainda mais engajante e belo.

Para deixar destacado, duas fases chamaram muito a minha atenção. Em uma delas, você entra em uma espécie de caleidoscópio psicodélico, onde a realidade não parece fazer sentido. Em outra, você visita os “Portões do Tempo”, um lugar cheio de torres do relógio, engrenagens e espelhos. É um deleite visual do começo ao fim.

História:

Léo: It Takes Two não traz algo inovador em termos de narrativa, ainda assim, ele te imerge em uma história muito pessoal, emotiva e que te faz refletir bastante sobre os relacionamentos ao seu redor.

May e Cody representam muito bem um casal que já se amou muito, se conhecem completamente e sabem tudo sobre o outro, mas que não conseguem mais funcionar como um casal, por diversos motivos. A amizade e parceria que existe entre eles ainda está lá, mas é possível ver em vários momentos que as mágoas e ressentimentos acabam soterrando isso.

O jogo traz uma bela narrativa sobre seguir em frente, mas também trabalhar naquilo que deu errado e consertar os erros do passado.

Gus: A história de It Takes Two pode ser simples e nem um pouco original, mas há uma força emocional por trás do jogo que faz com que isso seja compensado. Com o passar das fases, você simpatiza muito por May e Cody e até entende como eles chegaram naquele ponto. É um ótimo jogo sobre temas adultos, mas feito para crianças. Quase como um filme da Pixar.

Pontos altos:

Léo: Além de uma jogabilidade incrível e uma história excelente, o jogo parece conseguir passar por todos os gêneros, puzzles e fazer tantas coisas diferentes, tudo isso sem parecer abarrotado ou ser confuso.

O título também parece ter sido feito, especialmente, para ser jogado em dupla, mesmo com a opção de ser jogado online, é algo mágico jogar com alguém do seu lado, podendo conversar, discutir sobre o que fazer a seguir (e brigar quando a pessoa não tem mira nenhuma e não consegue atirar um prego no lugar certo).

It Takes Two é um jogo, mas também uma “terapia cooperativa” – que te coloca na posição de aprender a ajudar o outro e seguir em frente no mesmo caminho, mesmo que em trilhos diferentes.

Gus: É notável ver que um jogo desse porte tenha um alcance tão emocional com quem o joga. Talvez o ponto mais alto seja, de fato, a conexão que você faz com a outra pessoa que joga ao seu lado (mesmo que para isso precise aturar uma ou outra reclamação sobre falta de mira e baboseiras do tipo).

Embora a história de May e Cody tenha uma construção muito específica, é de fato uma bela terapia, especialmente para quem gosta de jogar com amigos, namorados e irmãos. E o mais interessante disso tudo é que em todo momento, os dois são necessários para que a jornada prossiga. Nesse sentido, o título define muito bem a proposta do game.

Pontos baixos:

Léo: Toda a cena na qual você precisa esquartejar uma elefantinha de pelúcia vai me assombrar por muito tempo.

Gus: Poucos são os pontos baixos de It Takes Two. Talvez, eu só tenha me incomodado pra valer com dois personagens ao longo da história: Um deles foi o Dr. Hakim, livro “psicólogo” que sempre aparece nos momentos mais indevidos, fazendo suas dancinhas vergonhosas e atrapalhando o casal. Muitas vezes eu queria de fato entrar na tela e jogar esse livro no fogo, de tão insuportável que ele chegava a ser.

A outra personagem que me deu um certo ranço foi a própria May. Ela está sempre retrucando, criando discussões bobas e menosprezando Cody, o que chega a ser bem irritante. Porém, a personagem vai crescendo conforme os níveis passam, o que acaba redimindo sua jornada.

Considerações finais:

Léo: It Takes Two é o tipo de jogo que aparece umas duas ou três vezes por geração e se torna, instantaneamente, um clássico. Com um visual belíssimo, uma jogabilidade cheia de nostalgia e bastante divertida e uma história sensacional, esse é facilmente um dos melhores jogos do ano e um dos melhores dessa nova geração.

Nota: 5/5

Gus: Devo confessar que, após a chegada da nova geração de consoles, estava meio decepcionado com os lançamentos, por notar uma repetição de padrões e fórmulas, ainda que com as novas qualidades técnicas dos aparelhos mais modernos. It Takes Two levou essa decepção embora. É um jogo lindo, emocionante e sincero, que nos faz lembrar que os games muitas vezes podem ser, de fato, obras de arte.

Nota: 5/5

Abaixo, você pode conferir algumas cenas mostrando a gameplay do jogo:

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