Review: Identity V, jogo chinês estilo Dead by Daylight, traz terror e suspense para seu celular

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Review: Identity V, jogo chinês estilo Dead by Daylight, traz terror e suspense para seu celular

Por Nick Narukame

Identity V é um jogo assimétrico de caça e sobrevivência no melhor estilo Dead by Daylight produzido pela empresa chinesa NetEasy. O jogo foi lançado em 2018 com o foco no mobile, mas, posteriormente, o game foi expandido para PC e, atualmente, ambas as versões estão disponíveis gratuitamente para download.

Com um visual que é ao mesmo tempo perturbador e refinado, o jogo tem atraído a atenção de diversos simpatizantes de jogos de terror, mas, será que vale mesmo a pena tirar um tempinho do seu dia para dar uma chance ao título? Para sanar essa questão a Legião dos Heróis encarou o desafio de sobreviver ao Hunter da partida e esse texto vai lhe dizer como foi a experiência!

Ficha técnica

Título: Identity V

 

Desenvolvedora: NetEase

 

Lançamento inicial: 2018

 

Gênero: RPG eletrônico, Survival horror, Multiplayer

 

Plataformas: Android, iOS, Microsoft Windows

A história de Identity V

Jogar Identity V pode não ser a experiência mais simples que você, como jogador, vai ter na sua vida. O jogo é repleto de detalhes e sistemas complexos que, sinceramente, fazem alguns puzzles de Zelda parecerem fáceis e isso não era para acontecer.

Assim que abrimos o jogo entramos na pele de um detetive que recebe uma carta com um pedido para que ele investigue o misterioso desaparecimento de uma garota. Sua investigação o leva até uma casa muito suspeita onde ele descobre a existência de um jogo perturbador. Nele, cinco pessoas são postas em uma arena, sendo que um deles é incumbido de eliminar os demais participantes. Estes, por sua vez, possuem como objetivo sobreviver, enquanto decodificam máquinas que liberarão as portas para que possam sair do embate.

Depois do fim do tutorial, é possível jogar com outros personagens e ir desbloqueando suas histórias para descobrir como raios foram parar ali. Até o presente momento foram lançados 35 personagens jogáveis, como sobreviventes, e 23 caçadores. Para ser bem sincero, suas histórias individuais conseguem ser bem mais interessantes que a própria história principal que acompanhamos com o Detetive.

Tela onde é possível escolher se você vai querer jogar como caçador ou como sobrevivente

Os mistérios são meio previsíveis, enquanto as outras são mais complexas. As histórias individuais conseguem ressaltar a identidade de cada personagem, mostrando seus lados mais carismáticos e mais enigmáticos. Assim, fica mais fácil de simpatizar com eles, quando comparado com a seleção principal de personagens que o Detetive está investigando.

Esse enredo inicial é completamente esquecível. Tudo o que é narrado acaba sendo ofuscado pelo modo multijogador quando, enfim, se torna disponível. E é exatamente aí que o jogo brilha.

Muito além de Dead by Daylight

Em Identity V, as partidas multiplayer são angustiantes e tensas, com pitadas de jumpscares que acabam sendo muito bem vindas aos amantes de jogos de terror. Tanto as partidas rápidas, quanto as rankeadas, seguem a dinâmica inicial de caça e caçador, com apenas cinco jogadores. A missão do hunter é eliminar pelo menos três dos sobreviventes antes que eles decodifiquem cinco das máquinas do ambiente e liberem a saída para que possam escapar.

Além desses modos padrões, há mais três modos de jogo: Duo Hunter, Blackjack e Tarot. O primeiro destes é de longo o modo mais divertido, que sabe melhor aproveitar os sistemas originais do game para providenciar uma experiência mais intensa.

Direção de arte no mobile é interessante

No modo Duo Hunter, temos o dobro de caçadores e sobreviventes, o que deixa o jogo mais fluido e as partidas um pouco mais dinâmicas, ainda que as partidas com o número original de jogadores já seja empolgante por si só. Este modo só reforça o que há de melhor no game.

Por outro lado, Blackjack é um conceito extremamente confuso que simplesmente não é bem executado. O modo tenta incorporar as regras do jogo de cartas usual, mudando o caçador da partida de modo bastante arbitrário. A jogabilidade acaba ficando muito complexa para algo que não sabe fazer bom uso de estratégia. É apenas uma garantia de dor de cabeça.

E entre eles, temos o modo Tarot, que é divertido, mas nada muito empolgante. Aqui, duas equipes compostas por três sobreviventes e um caçador se enfrentam com o objetivo de eliminar o personagem adversário que representa a carta do “rei”. A mudança de dinâmica é bem vinda, mas não é algo revolucionário que vai prender os jogadores.

A maldição do gacha

Para a tristeza de muitos dos críticos de jogos com sistema de recompensas aleatórias e, muitas das vezes, caras, Identity V possui abusa do gacha para distribuir seus itens.

Tela do sistema de gacha de Identity V

Além dos problemas clássicos desta mecânica, o jeito que é incorporado no jogo é confuso e faz uso de itens que não se explicam por si só para obter coisas cuja funcionalidade são ainda menos claras, como, por exemplo, grafites que você pode colocar nas paredes do mapa para absolutamente nenhum fim além de estarem ali.

Tela onde ficam listados os personagens do jogo

Os personagens em si são adquiríveis através de “pecinhas” conhecidas como “pistas” que são dadas ao fim das partidas, tornando esse sistema completamente desnecessário.

Falando em algo completamente desnecessário, alguns dos recursos do jogo funcionam apenas na versão mobile, obrigando os jogadores mais assíduos a baixar o app em seus telefones. Essa situação é, no mínimo, incômoda uma vez que o app é bem pesado, consumindo 4GB de memória já na primeira instalação. O fato do jogo só estar disponível em inglês também não ajuda a facilitar a experiência daqueles que não dominam bem o idioma.

Personagens do jogo com skins exclusivas

Por outro lado, o visual é um show a parte, sendo inevitável a comparação com o filme de terror infantil Coraline e o Mundo Secreto de 2009, o que é um ponto bastante positivo. Como um jogador assíduo de Space Impact e Snake em celulares Nokia do início dos anos 2000, admito que é gratificante ver o quanto jogos mobile evoluíram com o passar do tempo e Identity V é um dos maiores exemplos do tamanho dessa evolução.

Nota

Apesar de ter seus problemas, Identity V acaba cumprindo bem aquilo que se propõe: entreter, promover certa interação entre os players e criar uma atmosfera tensa durante a jogatina que vai tornando cada coisa ocorrida a sua volta suspeita e passível de um susto surpresa. Os personagens belíssimos e suas histórias pessoais são um show à parte, mas é em termos de praticidade que o game acaba perdendo pontos.

Nota: 8/10

Explicar como funcionam todos os seus recursos para alguém que nunca teve nenhum tipo de contato com o jogo se torna algo quase insano de se fazer. Mesmo jogando com um amigo que é bem mais experiente no jogo ao meu lado, foi um desafio entender as mecânicas em sua totalidade.

A conversão do jogo para PC também poderia ter sido melhor trabalhada e também acaba fazendo com que a avaliação da experiência seja prejudicada. Então, em uma escala de 0 a 10, Identity V merece uma nota 8, não sendo o melhor jogo que você jogará na vida, mas também não desmerecendo a experiência de tê-lo jogado e a beleza apresentada pelo título.

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sobre o autor Nick Narukame

Graduada em Letras pela UFF, moradora do fim do mundo, escritora amadora e cosplayer sem talento. Dotada com o superpoder de fazer as piadas mais sem graça da face da terra. Se quiser alimentar, dê chocolate. || @narukamenick