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Ghosts ‘n’ Goblins: Resurrection marca o retorno de um clássico

Por Cristiano Rantin

O que é clássico nunca morre e, no que depender de Ghost ‘n’ Goblins: Resurrection a franquia da Capcom continuará firme e forte nesta geração mais atual. O jogo foi lançado recentemente para o Nintendo Switch e trouxe muita nostalgia e dificuldade, ainda que não se atualizasse tão bem para o momento que estamos vivendo.

Sobre o que é Ghosts ‘n’ Goblins: Resurrection?

A franquia Ghosts ‘n’ Goblin começou em 1985, sendo um produto criado por  Tokuro Fujiwara e desenvolvido pela Capcom. Lançado inicialmente para máquinas arcade, os jogos foram migrando para os consoles ao longo dos anos. Agora, em 2021, tivemos o retorno triunfal da franquia em Ghosts ‘n’ Goblins: Resurrection, chegando diretamente para o Nintendo Switch

Arthur resgatando a princesa

Mantendo o visual 2D que conquistou uma geração, a aparência quase inofensiva dos gráficos do game engana os desavisados. Assim como os jogos originais, Ghosts ‘n’ Goblins: Resurrection continua sendo incrivelmente difícil, carregado de surpresas e punições severas para os jogadores descuidados. 

A história é bastante simples: Um dia, quando tudo parecia tranquilo, um grande demônio atacou o reino de Arthur e sequestrou sua amada princesa. Desesperado para tê-la de volta, o guerreiro segue em uma jornada em meio monstros assustadores, portando apenas uma arma e seu conhecimento mágico. 

Conforme você avança no jogo, é possível aprender novas magias, uma ferramenta muito útil para facilitar sua jornada pelo jogo. Além disso, Arthur cona com até oito tipos de armas que vai encontrando pelo caminho — junto de inimigos ou em baús escondidos — cada uma com sua peculiaridade, trazendo uma vantagem e o que pode ser lido como desvantagem. 

Com comandos simples, o jogo recompensa os jogadores criativos que não tem medo de abusar de suas habilidades. Ainda que você vá morrer diversas vezes, como a própria descrição do jogo alerta, você deve utilizar todas as vantagens possíveis para concluir a história e resgatar a princesa. 

Neste novo jogo, pela primeira vez na franquia, é possível jogar com seus amigos através do co-op local (e não online), o que garante que a experiência seja compartilhada e, portanto, mais divertida e menos frustrante. 

O que achamos de Ghosts ‘n’ Goblins: Resurrection?

Sendo absolutamente sincero, eu nunca entendi a paixão das pessoas por jogos difíceis, daqueles que qualquer deslize ou passo em falso significa ter que recomeçar sua jornada. Nunca gostei de inimigos completamente OP e absurdamente difíceis de enfrentar. Meu estilo de jogo sempre foi buscar os mais “tranquilos”, afinal eu sempre vi os videogames como uma forma de me divertir e relaxar, mesmo lidando com alguns momentos mais desafiadores e complicados. Por esse motivo, sempre passei longe da franquia Dark Souls e outros jogos “Souls-like” como Bloodborne e Sekiro.  

Mas então veio Ghosts ‘n’ Goblins: Resurrection e o seu visual 2D me chamou a atenção. Confesso que fui ingênuo ao julgar um jogo por seu gráfico, mas eu realmente não imaginei que ele seria tão difícil como um “Souls-like”. As artes coloridas e vibrantes, junto dos comandos simples do game, escondem um desafio imenso que pega de surpresa os desconhecidos — como eu — que não conheciam a franquia.

Dificuldade do jogo é uma das marcas registradas da franquia

Ghosts ‘n’ Goblins: Resurrection é um dos jogos mais frustrantes que já joguei na minha vida. Tudo nele foi feito para ir contra o jogador. O mapa te odeia, os inimigos surgem quando você menos espera (agindo de uma forma que fica difícil de enfrentá-los), os chefões são apelões e, quando você acha que conseguiu entender tudo, existe uma surpresa escondida que te mata instantaneamente e te obriga a retornar para o último check-point. 

E, mesmo incrivelmente frustrado, eu não conseguia parar de jogar. Acho que depois desse game eu finalmente entendi o motivo de jogos absurdamente difíceis fazerem tanto sucesso. A sensação de recompensa que surge quando, apesar de todos os desafios, você consegue concluir o nível é incrível demais.  Ghosts ‘n’ Goblins consegue equilibrar muito bem essa sensação de frustração com a sensação de recompensa.

Sim, você vai morrer inúmeras vezes. Vai xingar e esbravejar em vários momentos e até mesmo desligar o Switch e deixar para tentar enfrentar aquele boss em outro momento. Mas é impossível ficar longe por muito tempo. Isso porque, ainda que, no começo, Ghosts ‘n’ Goblins pareça um game injusto, logo percebemos que ele valoriza o aprendizado rápido.

Veja bem, você ainda vai sofrer, especialmente com as surpresas escondidas no mapa, mas você consegue aprender com isso e se preparar para o que está vindo. Assim, quando você pegar prática para derrotar seus inimigos, vai ser possível traçar estratégias para sobreviver e chegar até o próximo check-point.

É um ciclo constante de morte/frustração com aprendizado/recompensa que te leva cada vez mais longe. E a partir do momento em que você entende esse padrão, o game se torna outra experiência. No fim, a sensação gostosa de vencer o que parecia impossível te faz querer jogar os próximos níveis. É viciante

Que nota damos para Ghosts ‘n’ Goblins: Resurrection?

Com um visual clássico, Ghosts ‘n’ Goblins é um jogo de plataforma pra ninguém botar defeito. A dificuldade e as surpresas que surgem conforme você desbrava o mapa, garantem muitas horas de jogo, ainda que ele seja relativamente curto. Com apenas sete níveis, o jogo pode se esgotar rapidamente para jogadores mais experientes, mas no fim, somos convidados a refazer a aventura de Arthur, agora encarando uma dificuldade ainda maior. E isso estende as horas dentro do jogo, mesmo que pareça um pouco repetitivo. 

Como citamos anteriormente, o principal ponto positivo do jogo é a sensação de recompensa ao superar os desafios. Mas você pode selecionar diferentes níveis de dificuldade, o que ajuda a diminuir a frustração com o game. Assim, se você quer curtir o jogo sem passar tanta raiva, existe essa possibilidade — mesmo que isso tire um pouco dessa sensação de “vencer o impossível”.  

Suas magias fazem a diferença na hora de enfrentar os inimigos

No entanto, alguns pontos do jogo deixam a desejar. Ainda que a intenção seja prestar uma homenagem ao game de arcade, Ghosts ‘n’ Goblins não explora todo o potencial dos consoles atuais. Levando em conta o momento em que estamos vivendo, com as pessoas isoladas devido a pandemia de Covid-19, a ausência de um modo co-op online é bem frustrante, já que te impede de desfrutar dessa experiência. 

No fim, outro ponto que deixa a desejar é a história do jogo. Atualmente, até mesmo jogos simples — e em estilo plataforma — tem trabalhado alguma história relevante para o jogo. Algo que, conforme você avança, vai ganhando mais detalhes ou profundidade. Esse definitivamente não é o caso de Ghosts ‘n’ Goblins. Toda a lore do game é contada no início, servindo como um motivador para justificar as ações de Arthur entre demônios e espíritos, mas sem trazer nenhum impacto. Se você é do tipo que gosta de jogos com história, é bom já se preparar para a frustração. Agora, se isso não tem nenhum peso para você e tudo que você busca é jogar, então pode seguir sem medo de ser feliz. 

Quando analisamos a jogabilidade simplificada do game, podemos dizer que isso não chega a ser um grande defeito. É o estilo que solidificou a franquia, mas por vezes isso parece um tanto travado, especialmente para jogadores que não estão acostumados com esse estilo mais clássico. O leque de habilidades mágicas e opções de armas, no entanto, garante que você busque formas mais criativas de enfrentar os desafios, algo que, no fim do dia, além de fazer toda a diferença na hora de vencer os inimigos, deixa o jogo mais dinâmico.

Levando tudo isso em consideração, a nota do game não poderia ser diferente. Ghosts ‘n’ Goblins: Resurrection leva quatro estrelas. Ainda que tivesse potencial para melhorar, aproveitando as novidades e explorando as características mais modernas dos games, o jogo se sustenta como um produto de entretenimento desafiador, sendo uma boa forma de se divertir e uma grande homenagem ao legado da franquia. 

Conheça a franquia Ghosts ‘n’ Goblins:

 

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"